Talvez você saiba perfeitamente qual é a sua ascendência. Seus avós são imigrantes italianos. Ou seus bisavós é que vieram da Alemanha.

Pode ser que fique claro logo pelo seu sobrenome: Kiko, Zanotti, Ferreira, Ratajczyk. Aliás, é a partir de detalhes como esse que muitos percebem que podem tirar proveito de alguma dupla cidadania.

O problema é quando você está no grupo dos Silvas, dos Santos ou dos Lima, como o caso de quem escreve aqui. Dos sobrenomes mais comuns. De quem já não tem os avós vivos para perguntar e que só tem alguns documentos meio apagados pelo tempo para tentar descobrir.

Será que nesses casos tem algum jeito?

100% Made in Brazil?

Tanto minha família materna como paterna são compostas de retirantes do nordeste brasileiro que foram em busca de uma vida melhor no sudeste. Pelos traços e tons de pele é possível detectar claramente origens africanas e indígenas, mas só isso.

Quem tem antepassados que muito provavelmente eram escravos também não pode basear muito sua origem nos sobrenomes que tem, pois os donos de escravos emprestavam seus sobrenomes àqueles que consideravam ser suas “propriedades”. Logo, se o senhor escravocrata era português e tinha Pereira no nome, Pereira também seria o sobrenome do escravo. Isso não quer dizer que o escravo tinha sangue português e por aí vai.

Por todo esse contexto, eu lembro que quando surgia essa conversa sobre origens quando eu era mais nova, uns diziam que tinham parentes japoneses, outros espanhóis, mais frequentemente italianos ou portugueses. Quando chegava minha vez de dizer só saia o que eu sabia:

“Da Bahia. Minha família é da Bahia… de Pernambuco também”.

Talvez eu não tivesse mesmo nenhum ancestral gringo como muitos dos meus amigos, mas o fato de eu saber muito pouco sobre as gerações que me antecederam sempre deixou essa curiosidade viva dentro de mim. Será que sou 100% brasileira (se é que é possível dizer isso)?

Foi aí que nós recebemos aqui na redação do Já Fez as Malas? um produto recente no mercado e que poderia responder pelo menos algumas dessas perguntas. Só seria preciso algumas gotas de saliva em troca.

O teste de DNA

Assim como, hoje em dia, em um simples exame conseguimos saber se somos intolerantes à glúten ou lactose, por cerca de US$100 já é possível saber que história o nosso DNA tem a nos contar.

Uma das empresas que comercializa o exame que não é feito em laboratório, mas é enviado por correio para a casa do cliente é a 23andMe. Sediada nos Estados Unidos, onde o produto já é mais conhecido, a empresa também envia para uma série de países na Europa, Canadá e Austrália  (o Brasil ainda não está na lista).

kit de dna da 23 and me

Como funciona

Nós recebemos uma amostra para testarmos no último mês de agosto e no dia seguinte da entrega servi de cobaia e fiz o procedimento. O teste vem em uma embalagem da Fedex e dentro existe uma outra embalagem menor já etiquetada e pronta para que o kit seja devolvido para o laboratório da mesma forma.

Dentro encontramos uma caixa colorida com o logo da 23andMe, e no interior desta tudo que era preciso para realizar a extração da saliva.

Antes de tudo é preciso realizar um período de jejum de pelo menos trinta minutos. Depois deste tempo, já é possível preencher o tubo correspondente com a quantidade de saliva exigida, que não é muito grande. Há mais um certo trabalho para conseguir cuspir no recipiente.

O próximo passo é misturar um líquido que faz parte do kit à saliva e fechar tudo na embalagem original, como manda a instrução.

Após ter tudo devidamente lacrado e de registrar o kit no site seguindo as instruções do manual (sem esse passo o procedimento não será realizado), é preciso enviar para a empresa via Fedex.

O resultado

Foi preciso aguardar cerca de trinta dias para que a empresa realizasse todo o procedimento na amostra enviada.

Quando concluído, um aviso é enviado por e-mail e o resultado é divulgado no site deles dividido em cinco relatórios. O principal é o que dá informações sobre a composição genética, informando quais povos foram detectados em no DNA.

O meu teve dois grandes grupos destacados, sendo o sul da Europa (incluindo Portugal, Espanha, Itália e região dos Balcãs) o principal com 43,90%, seguido do oeste da África Subsaariana com 40,80%. Outros grupos também apareceram em proporções bem menos significativas.

Em um dos relatórios há uma linha do tempo com a região de onde possivelmente teriam vindo meus ancestrais mais próximos. O mais recente poderia ter sido um avô ou tataravô 100% espanhol ou português, nascido entre 1870 e 1930.

Nos demais relatórios haviam algumas comparações entre o meu DNA e o do homem Neandertal, a história do meu Haplogrupo materno e paterno (que é uma espécie de galho da árvore genealógica do Homo Sapiens), a probabilidade de eu ter ou não uma série de características físicas ou comportamentais um tanto quanto curiosas, como o meu cabelo ter mais chances de ter frizz em dias mais úmidos (correto) e a pouca chance de eu espirrar quando vejo o sol (correto também).

Talvez um dos pontos mais interessantes dos resultados seja uma lista de outros usuários da 23andMe que são compatíveis com o DNA de quem fez o teste (familiares distantes, na maioria dos casos), com os quais é possível entrar em contato. Segundo a empresa promove, há quem tenha achado bem mais que um primo e sim uma irmã, como divulgado no vídeo abaixo.

De forma geral, esse tipo de teste consegue jogar uma pequena luz no fim do túnel e fazer um procedimento laboratorial se tornar um produto ao alcance de muitos consumidores tão curiosos quanto eu. Não é nenhuma árvore genealógica detalhada, contando a história de vida de cada um que fez parte do nosso passado, mas pode ser um bom começo.

Já dá para imaginar esse tipo de kit de DNA sendo o presente de natal de muita gente que tem esse tipo de indagação ou que pelo menos é apaixonado por viajar e conhecer novas culturas.

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Sobre o Autor

Nataly Lima

Natural de São Paulo, mas hoje tem a Europa como sua base. É mestre em jornalismo, mas não dá aula em faculdade. No momento só quer compartilhar o que vê pelo mundo.

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