Nós, mulheres, ainda temos um longo caminho para percorrer quando o assunto é nosso pleno direito à locomoção e ocupação dos espaços públicos. Teoricamente, nosso direito de ir e vir é assegurado. No entanto, na prática sabemos que isso não é bem uma realidade. Quantas vezes não deixamos de conhecer um destino por conta do medo? Que mulher nunca pensou duas vezes antes de passar em uma rua escura?

É fato que os homens também não possuem esse direito exercido plenamente, por conta de questões relativas a criminalidade (furto, assalto). No entanto, nós, mulheres, temos muito menos. Já que nosso direito de ir e vir é impactado por mais questões. Além do receio que possa ocorrer assalto ou furto, vivemos constantemente com medo de estupro e assédio. Por isso, não é de se estranhar que muitas mulheres estejam desenvolvendo métodos para que passamos nos sentir mais seguras.

Go Sola: o app que promete auxiliar mulheres viajantes

As estudantes de pós-graduação Ana Gabriela Sotero Machado e Giovana Pardo Razeira, por exemplo, desenvolveram o projeto Go Sola, app destinado às mulheres viajantes. A ideia surgiu após a notícia do assassinato das duas jovens argentinas que estavam viajando.

Segundo Ana Gabriela Sotero Machado, a atual responsável pelo projeto, o aplicativo, que está em fase de desenvolvimento, conectará mulheres em trânsito, contribuindo para seu empoderamento nos espaços públicos ao garantir o direito de ir e vir. Conversei com a responsável pelo Go Sola para entender melhor como o app irá funcionar e o resultado você pode conferir abaixo!

Nathalia Marques – Como surgiu a ideia de criar o aplicativo Go Sola?

Nana Soma – A ideia surgiu após a notícia do assassinato das duas jovens argentinas que estavam viajando. Na época, março do ano passado, houve uma repercussão internacional em que parte da mídia e da sociedade, como de praxe, culpou elas pela própria morte, além de reforçar o discurso de que elas viajavam sozinhas. No entanto, elas estavam em duas.

É que para a sociedade machista, elas estavam sozinhas, pois estavam desacompanhadas de um homem. Como eu gosto de viajar e me considero feminista, esse trágico evento me sensibilizou muito. Pouco depois, vi projetos de blog e de um documentário sobre essa temática, o que me levou a pensar: será que existe um aplicativo sobre isso? E se eu criasse e desenvolvesse um aplicativo de viagens só para mulheres?

Nathalia Marques – Quem são as criadoras do projeto?

Nana Soma – Eu sou a criadora. Até julho, eu contava com minha sócia que é programadora e me ajudou a estruturar algumas das ideias iniciais.

Nathalia Marques – Qual é o objetivo do app?

Nana Soma – Depois de um ano e considerando a principal característica, Go Sola é um aplicativo que conectará as mulheres em trânsito, contribuindo para seu empoderamento nos espaços públicos ao garantir o direito de ir e vir. Também será uma ferramenta de apoio às mulheres que viajam sozinhas pelo Brasil e pelo mundo, ao considerar as suas funcionalidades extras.

Nota-se que quando eu falo mulheres em trânsito, estou me referindo não só as situações de viagens, mas também do cotidiano, para as mulheres que se locomovem pela cidade utilizando transporte público ou bicicleta, moto, até carro, e principalmente a pé. Acredito que a Go Sola é, assim, voltada às questões do direito à cidade assim como de viagens. Afinal, são dois temas que se conectam e se interligam.

Nathalia Marques – Como o app irá funcionar e quais recursos terá?

Nana Soma – A Go Sola funcionará como um mapa interativo, colaborativo e em tempo real. Será uma ferramenta que ajudará as mulheres a cuidarem umas das outras, alertar sobre os perigos em seu deslocamento nos espaços públicos e mostrar as avaliações dos estabelecimentos comerciais. Ainda não posso dar muitos detalhes do seu funcionamento, pois está em fase de definição. No momento do lançamento, os detalhes serão divulgados.

Aplicativo Go Sola

Nathalia Marques – Há alguma previsão para o lançamento da plataforma?

Nana Soma – O aplicativo em si ainda não tenho previsão. No entanto, foi decidido fazer um mínimo produto viável para testar a sua penetrabilidade e aceitação no mercado, isto é, um site da Go Sola com apenas a função do mapa para marcação dos locais e perigos durante o deslocamento nos espaços públicos. Se houver interesse, uso e aceitação das usuárias, aí a ideia é ir atrás de patrocínios e fazer uma campanha de crowdfunding para o desenvolvimento do aplicativo. O site ficará pronto dentro de alguns meses, assim espero.

Nathalia Marques – Quais são os impedimentos para o lançamento do app?

Nana Soma – Recursos financeiros. O custo de desenvolvimento de um app no porte da Go Sola é muito alto.

Nathalia Marques – Gostaria de acrescentar algo?

Nana Soma – Nesse momento, estou em busca de colaboradoras para dar início ao blog, e principalmente de programadoras para finalizar o site, e posteriormente para desenvolver o app.

Informações e dicas de viagem para mulher

Este conteúdo e opinião é de total responsabilidade do autor da coluna Nathalia Marques. Acompanhe também o blog da Nathalia.

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Sobre o Autor

Nathalia Marques

A mulher que corre com os lobos, que questiona tudo e todxs e que tem a necessidade irremediável de desbravar o mundo, seja por viagens ou por palavras. Ela é jornalista de formação, social media, feminista, escritora de guardanapos e criadora do M pelo Mundo (www.mpelomundo.com), site de informações e dicas de viagem para mulheres.

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