Morar fora muitas vezes significa morar de aluguel. Se você está decidido a viver em Londres, a probabilidade é a de você dividir o aluguel com um grupo desconhecido de pessoas, que podem ser da sua mesma nacionalidade ou de outras partes do mundo. Se tiver sorte, é só você e seu parceiro(a), talvez com uma pessoa a mais para o aluguel não pesar tanto no bolso. Eu e meu marido, por exemplo, dividimos casa com um amigo dele.

É raro ver alguém morando sozinho aqui e a razão é mais financeira do que qualquer outra coisa. Em Londres, o valor de um quarto na zona 1 é por volta de 800 libras por mês. Isso equivale a aproximadamente R$ 3.300 reais por um quarto apenas – o que significa que você terá que dividir banheiro, sala e cozinha. O valor diminui à medida que você se afasta do centro de Londres, em proporção que o valor pago para o transporte aumenta.

O aluguel, na maioria das vezes, inclui parte da mobília e equipamentos da cozinha: fogão, geladeira, congelador, armários, mesa, cadeira, cama, etc. E se você é daquelas pessoas meio materialistas, que dão valor emocional a objetos, talvez seja difícil conseguir aquela sensação de estar em casa. Então, fica a pergunta: como fazer com que esse imóvel e esses móveis alugados se tornem mais seus?

Praticamente todos os móveis da sala já faziam parte do apartamento, o jeito foi tentar mudar a cara do ambiente via acessórios

Primeiramente, em alguns casos, uma conversa com o dono do apartamento lhe permite algumas mudanças. A mesa que já está velha demais pode ser trocada, você pode exigir um novo colchão para a cama, ou o forno que não funciona direito pode ser substituído.

Algumas mudanças você pode fazer você mesmo, contanto que, ao sair do apartamento, ele retorne ao seu estado inicial. Uma parede pintada pode ser repintada. Mas não é todos que se arriscam.

Minhas tentativas de tornar o lugar que eu moro mais a minha cara envolveram mudanças menos arriscadas e pequenas:

Plantas

Elas mudam a cara e dão vida aos ambientes. Eu não sou uma pessoa muito talentosa para jardinagem, mas apostar em suculentas e plantas de baixa manutenção deu resultados (muitas morreram no processo, RIP manjericão).

As sobreviventes: suculentas.

Almofadas

Amigos próximos me chamam de “a louca das almofadas”. Eles têm razão. Eu devo admitir que sim, é uma obsessão. Daquelas estranhas que você não deveria sair comentando, sabe? Mas… sou jogo aberto. Admito minhas paranoias e loucuras, assim, fácil. Almofadas são artigos pequenos e baratos que ajudam a dar uma atmosfera de aconchego, onde você pode brincar com cores e com humor também. Você pode encontrar capas de almofadas de até 3 libras em lojas de departamento.

Molduras

Outra obsessão, admito. Aqui, em contraste com o Brasil, ter uma moldura bacana no seu quarto não custa uma fortuna. A Ikea está aí para a democratização da arte, não é mesmo? Fotos com amigos valem também – para decorar e para matar a saudade. Ou: uma passada em Camden Town, e você sai de lá com várias plaquinhas lindas para inundar de humor a parede do quarto.

Em Camden, placas e sinais de rua à venda por preços amigáveis. Você só vai precisar de um prego.

Livros em display

Vamos lá deixar à mostra nossos livrinhos queridos, se você tem espaço, claro. Uma estante pequena é suficiente – novamente, a Ikea tem umas que nem precisa de furadeira. Aqui, livros não são lá artigos de luxo e existem vários sebos onde você pode adquirir volumes por um preço ainda mais barato. Tem uns ótimos na Charing Cross Road que vale uma visita.

O apartamento veio com cama e colchão velho que consegui substituir por um novo. Em seguida, o toque pessoal veio com molduras, almofadas e outros objetos que vieram do Brasil ou foram adquiridos no decorrer dos anos

Objetos de memória

E por último, nada melhor do que trazer algo de casa mesmo. Sim, às vezes é difícil achar espaço na mala, mas por que não reservar um lugarzinho para aquele item favorito que você não consegue viver sem? Pode ser aquele presente que seu melhor amigo lhe deu, aquela caneca que você tem desde criança e nunca quebrou, pode ser os cartões postais que você coletou, aquelas miniaturas que comprou em suas viagens pelo mundo, o que vale é ter a sua cara, contar parte da sua história, e ser um pedacinho de casa quando a saudade é grande demais.

Este conteúdo é de total responsabilidade do autor da coluna Lívia Moura.

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Sobre o Autor

Lívia Moura

Jornalista de formação, social media de experiência, graphic designer na minha imaginação. Do Piauí, cruzei o Atlântico e cá estou, em Londres. Como diria a Rainha Elizabeth I: video et taceo ("Vejo e digo nada").

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