Eles só aparecerem durante o verão e normalmente o barulho (ou a música) em Londres os atraem. São de fácil identificação: as espécimes fêmeas normalmente trazem glitter no rosto ou tatuagens falsas douradas da Topshop, cabelo bagunçado, shorts curtos e rasgados, podem ou não usar kimono de franjinha ou ter uma coroa de flores na cabeça.

Normalmente, usam tênis branco, mas também podem calçar sapatos plataformas dourados ou prateados e usar meias fluorescentes. É mais difícil reconhecer os machos, mas também podem exibir glitter nas bochechas, shorts skinnys – dobrados acima do joelho -, tênis branco e pomada no cabelo.

As altas temperaturas (e o uso de certas substâncias) os deixam agitados e eufóricos. São capazes de incomodar e causar transtornos em estações de metrô, nas ruas e em restaurantes e bares. Quase sempre andam em bandos. São barulhentos. Na maioria das vezes, aglomeram-se em parques como Hyde Park, Finsbury Park, Victoria Park e outros tantos por toda Londres. Os sons mais vibrantes de grandes bandas internacionais os elevam a um estágio alucinógeno.

Podem ser vistos a qualquer hora do dia ou da noite, mas se agrupam mesmo nos fins de semana. Usam LSD, ecstasy, maconha e grandes doses de álcool – mesmo que beber em espaço público seja proibido. Parecerem não sentir desconforto: às vezes, dormem no chão do ônibus, com metade do corpo na cadeira e a outra no chão. Também parecem não ter senso de perigo: cruzam as ruas sem saber para que rumo seguem, rindo alucinadamente.

Gostam de brilho. Do sol, dos tons dourados e prateados, de neon, do tecnicolor de lantejoulas. Então não é surpresa que não gostem dos tempos nublados e chuvosos (como Londres é, a maior parte do tempo).

O frio afugenta-os de volta às suas vidas normais. Quando voltam a reclamar do frio e quando dizem adeus ao glitter, aos sapatos dourados, às blusas decotadas, aos tops de biquínis, às coroas de flores, aos shorts dobrados no joelho e às camisas de manga curta de motivos florais.

Os casacos viram casulos e eles ficam ali até meados de junho, onde o sol os fazem sair da casca novamente para inundar a cidade com sua euforia. Nos finais de semana, de dia, de noite, nos parques, nas ruas, nos bares, nos ônibus, no metrô, por toda Londres. Para o desagrado da Rainha.

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Sobre o Autor

Lívia Moura

Jornalista de formação, social media de experiência, graphic designer na minha imaginação. Do Piauí, cruzei o Atlântico e cá estou, em Londres. Como diria a Rainha Elizabeth I: video et taceo ("Vejo e digo nada").

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