Tudo começou em meados de Dezembro de 2014. Diante da oportunidade de fazer as malas e tentar a vida em outro país, minha primeira e latente preocupação tinha relação com conseguir ou não emprego fora daqui. O destino? Portugal. As expectativas profissionais não eram as melhores, já que o país ainda não havia se recuperado da crise de 2010, mas toda a experiência seria válida. Ser freelancer fora do Brasil? Quem sabe?

Ser freelancer fora do Brasil – erros e acertos de primeira viagem

Designer gráfico de formação, a carreira estável esteve sempre presente entre agências de publicidade ou departamentos de marketing, ainda que a possibilidade de deixar tudo de lado para investir no freelancer parecesse tentadora, mesmo em terras tupiniquins.

Meses antes de viajar, dediquei tempo para elaborar um currículo nos moldes locais – Europass no caso de Portugal. Em adição a um modelo simples, redigido para ser impresso, arrisquei em um currículo seguido de portfólio – minha melhor decisão –, para ser enviado em formato digital. Para essa alternativa, utilizei de ferramentas como o Issuu e o Youblisher para manter um aspecto mais profissional à publicação.

Eis que, ainda no Brasil, cometo o primeiro erro: a ansiedade. Tudo parecia pronto, e quanto antes começasse a enviar currículos, melhor seria. Foi o que fiz. Entrei em contato com agências, vagas correspondentes e outras possibilidades, me candidatando sem ao menos ter um telefone válido no país de destino.

Para outras localidades, essa estratégia pode até funcionar, possivelmente até rolar uma entrevista por Skype ou algo assim. Mas para Portugal, em uma gritante maioria das vezes é fundamental estar apto a participar de entrevistas pessoalmente ou realizar contatos telefônicos antes da contratação.

O ideal, para não queimar vagas e garantir uma entrevista é começar a enviar currículos com uma ou duas semanas de antecedência, desde que já possua um endereço no país e um telefone para contato.

Lembrando que esse procedimento funciona tanto para empregos fixos quanto para quem quer ser freelancer fora do Brasil. Entretanto, para a segunda opção existem outros meios de conseguir trabalho e se sustentar; pode levar alguns meses até conseguir jobs suficientes para tal.

Nesse caso, o portfólio é o que mais conta pontos a favor. Por isso, reúna seus melhores trabalhos, sejam eles nas áreas de design, programação ou comunicação, o que inclui produção de conteúdo e tradução – essa é a sua chance de causar um primeiro impacto certeiro.

Primeiros passos

Em maio de 2015 e já em Portugal, para começar a conquistar os primeiros jobs, angariar clientes e conseguir me firmar como freelancer, alguns sites foram fundamentais para começar a procurar esse tipo de emprego. Com o portfólio atualizado, portais como Carga de Trabalhos e Net-Empregos retornaram oportunidades em um espaço bem curto de tempo, e logo no primeiro mês no país, jobs esporádicos surgiam, seguidos de uma ou outra indicação para novos trabalhos.

Mas para que se limitar a um só país quando um freelancer pode trabalhar para qualquer lugar no mundo? Sendo assim, outros portais como o Virtual Vocations, Skip The Drive, We Work Remotely e o Working Nomads são boas opções para profissionais com inglês fluente para trabalhar em áreas ainda mais abrangentes, como vendas, consultoria ou desenvolvimento de softwares, por exemplo. Alguns desses sites citados são pagos, mas valem o investimento para conseguir jobs frequentes, e possivelmente empresas para desenvolver tarefas fixas.

Para tradutores, o Europe Language Jobs é um dos maiores portais que reúne empresas e solicitantes em toda a União Europeia para serviços de tradução, guias turísticos ou outros cargos que exijam mais de um idioma no currículo.

Procurando por jobs

A maior preocupação de quem quer ser freelancer fora do Brasil, ou por aqui mesmo, é conseguir clientes, frequência e estabilidade. Por isso, se não surgiu nenhuma oportunidade em vagas publicadas, você poderá se cadastrar em sites especializados, e candidatar-se para realizar jobs que os próprios clientes publicam.

Assim como funciona o popular 99freelas no Brasil, no exterior existem sites semelhantes, com muita oportunidade para começar a ganhar dinheiro como freelancer. Nesses moldes, é você quem dá o preço – então cuidado para não começar dando lances muitos altos para não perder clientes antes mesmo de estabelecer uma boa reputação nesses sites (sim, reputações são levadas muito em consideração). Veja alguns exemplos de plataformas que utilizei desde o início para ser freelancer fora do Brasil.

Freelancer.pt: direcionado a profissionais de design gráfico, desenvolvimento de software, tradução, produção de conteúdo, programação e outros, o site é em português de Portugal, mas na plataforma é possível encontrar jobs de todo o mundo. É possível utilizar o Freelancer gratuitamente, mas ao pagar uma taxa mensal, pode-se enviar propostas ilimitadas aos potenciais clientes.

PeoplePerHour: nos mesmos moldes do anterior, o People Per Hour promove o diferencial de jobs divulgados também através de horas de trabalho com a ferramenta Browse Hourlies. Fora isso, mantem-se o sistema de procura e demanda por serviços em comunicação, tradução, programação e outros.

Upwork: com categorias um tanto mais abrangentes, o Upwork abrange desenvolvedores mobile, web, designer, tradutores, escritores, assistentes virtuais, vendedores, consultores e outros. O sistema funciona com base em match, onde o freelancer se cadastra na plataforma e o site estabelece profissionais consoantes com a necessidades do solicitante, que deverá escolher o que oferecer melhores condições.

Processos burocráticos

Segundo erro: procrastinação. Ainda que no início você consiga realizar serviços informais, de pequenos montantes e depósito em conta sem recibo ou outro documento fiscal, ser freelancer fora do Brasil tem as mesmas responsabilidades que um profissional autônomo por aqui.

Por isso, assim que seus jobs começarem a deslanchar, providencie toda a documentação necessária do país para emitir a nota fiscal equivalente. No caso de Portugal, cheguei a perder algumas oportunidades por ter sido pega de surpresa nesse quesito.

Para ser freelancer em Portugal é preciso abrir atividade no serviço de Finanças, o que só é permitido após solicitar o seu NIF (equivalente ao CPF). A partir daí, pode-se emitir recibos-verdes (nota fiscal) à empresa solicitante dos seus serviços, em processo realizado totalmente pela internet.

Não deixe para depois! Fique atento também aos regimes de tributação, teto do Imposto sobre Rendimento (como o nosso Imposto de Renda), contribuição para segurança social e outras questões fiscais que podem lhe render muita dor de cabeça após o primeiro ano de rendimentos. Afinal, se pretende seguir uma carreira exclusivamente freelancer, comece a pensar como um trabalhador autônomo, e que deve correr atrás dos seus direitos por conta própria.

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