3 conclusões sobre morar fora e ter empresa no Brasil

Um dos motivos que fizeram com que a gente pensasse em Portugal como novo país foi que a nossa ideia nunca foi viver de Portugal. Ou seja, a possibilidade não foi descartada, mas o nosso foco não é depender do mercado de trabalho local.

Para quem tá vindo pra cá agora com a ideia de recomeçar a vida como empregado, a comparação entre custo de vida, vagas e salário não me parece muito animadora – devo ser sincera. Mas se você tem empresa no Brasil e pretende mudar trabalhando remotamente, vai precisar planejar com carinho também.

Entre tantas coisas, 3 pontos fizeram a diferença pro meu caso.

Meu negócio não mudou de uma hora pra outra

Ou seja, eu trabalhei por anos com consultoria de imagem presencial. Depois, abri espaço para os modelos de atendimento individual e cursos à distância, e só então mudei de país contando com uma parcela mais expressiva dessas modalidades nos rendimentos da empresa.

Isso aconteceu de forma orgânica e não foi planejado quando eu comecei, mas acabou ajudando bastante. Provavelmente teria mais problemas para fazer essa migração hoje se não tivesse começado com testes e o movimento de transição lá atrás.

Aquela história de “saber pra onde se quer ir” não é clichê

Ainda que você saia do Brasil como um experimento – nosso caso aqui! – entender quais são as vontades reais é importante. Quando eu resolvi mudar, por exemplo, já tinha portuguesas que me acompanhavam e clientes brasileiras espalhadas pela União Europeia. Também tinha um projeto antigo de começar a atender em inglês.

Estar por aqui contribui com ideias de expansão da empresa, mas também faz com que eu repense a estratégia de ter empresa só no Brasil. Embora eu já emitisse nota por lá para as clientes que moravam fora, hoje faz mais sentido ter atividade aberta aqui também.

Na prática, isso requer mais um tempo de pesquisa pra saber como funciona e também conta como fator de decisão em qualquer rumo que a gente decidir tomar. Isso inclui ainda as temporadas de atendimento presencial que eu vou manter no Brasil.

Resiliência e flexibilidade serão as características mais importantes

Eu já falei que planejamento sozinho não faz milagre, de uma forma geral, quando contei como vim parar em Aveiro. Mas, especialmente se a sua ideia for viver da sua empresa full time, vai precisar de doses brutais de resiliência e flexibilidade.

Quando a gente começou a planejar a mudança, o euro valia bem menos do que vale agora – pouco mais de um ano depois e pós eleições. As previsões para os próximos anos também não são animadoras e isso já interfere no nosso poder econômico e na organização financeira, mas a moeda não é a única coisa que varia.

Além do fuso em relação ao Brasil (que às vezes ajuda, às vezes atrapalha e ainda muda de tempos em tempos), eu tenho clientes que moram em outros países e chego a trabalhar com 4 ou 5 fusos diferentes de uma vez. Isso me obrigou a repensar toda a organização da minha rotina e a forma como disponibilizo a minha agenda.

Outros aprendizados

Eu tenho certeza que muito do que citei aqui ainda vai ser muito trabalhado por mim mesma. Fora todas as questões burocráticas, organizacionais e outras descobertas que virão pelo caminho.

Na prática, essa mudança já me fez considerar coisas que nem estavam nos planos imediatos. Também abriu minha cabeça para novas oportunidades que eu não enxergava e me fez olhar para tudo o que tinha ficado na gaveta imaginária – como a ideia de atender em outro idioma.

Mas esse é um dos pontos mais legais. Mudar os ares sempre dá um gás novo e pode ser muito inspirador, não é? Só pela mudança de perspectiva, já considero que valeu a pena.

Este conteúdo é de total responsabilidade do autor da coluna Érica MinchinSiga também o site da Érica.

 

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