Mesmo em tempos de alta do dólar e do euro, muita gente ainda viaja com a ideia de fazer compras e passa mais tempo dentro das lojas e dos outlets do que vendo pontos turísticos incríveis. Por isso, nada mais pertinente do que trazer esse assunto para cá.

Essas dicas valem para a vida, não só pra você que já está fazendo as malas com a ideia de voltar com ela mais recheada, aliás!

Antes de mais nada, é legal pensar: você realmente precisa?

Apesar de trabalhar com imagem e ter as roupas como ferramenta de trabalho, sou terminantemente contra encher o armário. Não só porque eu prefiro ter um armário enxuto que funciona muito bem pra mim e faz com que o meu dinheiro sobre para viajar e aproveitar a vida, mas porque armário lotado é algo terrível.

Pois é. Muita gente acha que armário cheio resolve a vida, porque dá muitas opções, mas é bem pelo contrário. Quando o seu armário tá com a capacidade estourada, você não consegue saber o que tem nele, compra errado, estraga peça, perde tempo e energia – e ainda aumenta a sensação de nunca ter nada para usar. Por isso, antes de encher a sua malinha de sacolas, respira fundo e pensa nessas dicas aqui!

Saiba o que você tem

Quando for fazer a mala, tira um tempinho extra pra olhar com carinho para o que já mora no seu armário. Sério.

No melhor dos mundos, você vai tirar pelo menos uma manhã para dar aquela editada no seu armário, provar todas as roupas com carinho e já fazer uma limpa no que não serve. Isso vai te ajudar a ver com mais clareza o que tem ali de fato e a enxergar as lacunas.

Isso também vai te lembrar de todas aquelas compras erradas que você fez em outras viagens e a segurar a carteira dessa vez.

Mas se você não tiver esse tempo, planejou a viagem com pouca antecedência ou simplesmente ficou com preguiça, pelo menos dá uma olhada nas peças que você tá deixando pra trás.

Planeje suas compras

Essa é daquelas dicas que parecem bobagem, mas quase ninguém faz isso. Se você for ao mercado com fome e sem lista, vai comprar errado. Com roupas, isso também se aplica.

Depois de deixar só o que funciona e identificar o que tá faltando – ou simplesmente dar uma passada de olho no seu guarda-roupa para identificar algumas faltas – anote e organize por ordem de prioridade.

Quantas blusas? Como? Quantas calças? Saia também? Sapato de que cor? Casaco de que materiais? Não precisa ser uma anotação tão específica a ponto de colocar a estampa e as cores exatas porque isso é a receita para a frustração, mas você pode colocar algumas opções que acha que se enquadrariam no seu armário.

Essa lista também vai te ajudar a controlar o impulso. Na hora que você olhar para aquela etiqueta vermelhinha escrito SALE e esquecer que já tem mais 4 peças iguais, ou então que aquela blusa de 5 dólares não combina com mais nada, você vai ter a sua lista para te resgatar o foco.

Uma das minhas professoras do FIT já dizia que se você gastar 1 doleta em uma peça que você não usa, já vai ser a peça mais cara do seu armário. Então pensa nisso!

Caro x Barato

Por falar em peça cara, chegou a hora de discutir preço e valor. Hoje, a maioria das roupas são fabricadas nos mesmos lugares: China, Indonésia, Bangladesh e afins. Então não se iluda achando que você vai encontrar peças de qualidade muito diferente nos Estados Unidos e na Europa, melhores do que encontraria no Brasil.

Com essa história de internet e globalização, os estilos das roupas também são bem parecidos em todos os lugares. O que acontece é que com a alta do dólar, ficou mais caro comprar no Brasil também. Então algumas coisas ainda compensam, principalmente se você quiser comprar em marcas muito específicas, que seriam muito mais caras se compradas nas lojas brasileiras ou que simplesmente não existem no Brasil.

Essas valem a pena. Garimpar nos brechós também pode ser bacana (mas isso é tema para outro post!), já que a peça vem com um caráter de exclusividade.

O seu poder aquisitivo também conta. Se você for do tipo que compra em lojas de departamento apenas, não anda valendo tanto a pena comprar fora. Mas se for do tipo que compra em lojas mais bacanas e realmente investe no seu armário, aí compensa olhar para algumas marcas mais sofisticadas enquanto estiver viajando porque provavelmente pagará menos do que marcas de semanas de moda brasileiras.

Agora, peças genéricas nem sempre valem a pena. Tem muita marca pequena brasileira fazendo coisas bacanérrimas com materiais de qualidade, e de forma justa e consciente, cobrando o mesmo que você pagaria em algumas peças na gringa – considerando a diferença entre cotações. Sendo que aqui você pode escolher com calma e evita a compra por impulso.

Sobre a questão de valer comprar com dólar alto, eu gravei esse vídeo aqui quando estive em Nova York pela última vez. O vídeo é do ano passado, mas as reflexões continuam valendo!

Fazendo compras realmente inteligentes

Achou algo realmente diferente, deu aquela filtrada na loja e separou só o que realmente tá na sua lista? Hora de ir para o provador e avaliar caimento, material, qualidade, estilo, cor… Você se sente realmente feliz com essa peça?

No meu livro “15 passos para desentulhar o seu armário”, eu proponho a seguinte filosofia: se armário bom é aquele que trabalha por você, você precisa tratar cada peça como uma candidata num processo seletivo.

Você não contrataria alguém maomeno para trabalhar pra você, certo? Então pensa com carinho se vale fazer isso com as suas roupas!

A melhor peça é aquela que combina com várias outras do seu armário. Para blusas, a gente considera pelo menos 2 partes de baixo (sem contar jeans!) e para calças, saias ou shorts, a gente considera pelo menos 3 partes de cima (blusas, camisetas ou camisa) e 2 sobreposições (casacos, jaquetas, coletes, etc.). E isso é o mínimo! Quanto mais a peça funcionar no seu armário, melhor.

Se não combinar com nada, você tem 2 opções. A primeira é aceitar que dificilmente aquela peça te representa, mesmo que seja linda. A segunda é comprar outras 2 ou 3 coisas que combinem com ela (e com o resto do seu armário também!).

Eu sei que essas dicas dão um pouco mais de trabalho do que simplesmente entrar em 500 lojas e só se preocupar em como carregar tanta sacola, mas te garanto que se você seguir pelo menos algumas delas, vai te sobrar muito mais dinheiro e energia pra viajar. E você vai conseguir largar o mantra “tenho muitas roupas e nada para usar”!

Este conteúdo é de total responsabilidade do autor da coluna Érica MinchinSiga também o site da Érica.

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Sobre o Autor

Érica Minchin

Profissional de consultoria de imagem e apaixonada por viagens, acredita que as roupas podem facilitar nossa comunicação com o mundo e ilustrar as melhores lembranças. Busca ajudar na construção de um estilo pessoal que seja adaptável mesmo às viagens e mudanças.

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