De clima agradável o ano inteiro e uma vida à beira-mar, morar em Malta entrou para a lista de prioridades de muitos brasileiros e turistas por todo o mundo. Eleito ainda em 2016 pela InterNations como o segundo melhor país para estrangeiros construírem suas vidas, a ilha Mediterrânea contou com a sexta colocação em qualidade de vida, pontuando excepcionalmente no quesito clima e temperatura. Três quartos de todos os estrangeiros que lá vivem alegam plenas satisfações, onde 49% planejam ficar por lá para sempre.

O que você precisa saber para morar em Malta

Governada por diferentes países e culturas, morar em Malta como país independente é uma possibilidade relativamente nova, já que a ilha paradisíaca tornou-se independente do Reino Unido somente em 1964, virando república dez anos depois.

Depois de uma breve aula de história, entre as melhores notícias que você poderia ouvir sobre morar em Malta é que a ilha está entre os menores custos de vida de toda a Europa. Entretanto, o que pode não ser tão bom assim, é o fato de o salário mínimo também ser proporcionalmente menor – no mínimo 3,50 € a hora, ou três vezes menor que a média europeia (de 4,20 a 5 €).

Portanto, assim que começar o seu planejamento para morar em Malta, é importante saber quais são os locais mais prováveis de se conseguir colocação profissional e estabelecer uma vida confortável. Alguns palpites ficam para a vila de Sliema, St. Julian e claro, a capital Valletta. A partir daí, você pode começar a se planejar de acordo com o custo de vida no país, bem como a média salarial para se manter. Veja alguns exemplos de valores médios de acordo com levantamento realizado pelo Numbeo – lembrando que o custo varia de acordo com grandes e pequenas cidades:

  • Salário médio: 1.113,01€
  • Moradia: 646,48€ (apartamento de 1 dormitório na região central) e 492,93 (apartamento de um dormitório afastado do centro)
  • Internet: 23€
  • Contas básicas: 76,67€ (água, aquecimento, eletricidade e outras)
  • Transporte público: 1,50€, válido por duas horas
  • Gasolina: 1,33€ litro
  • Restaurante: 12,75€ para refeição individual em estabelecimento padrão, e 50€ para duas pessoas em restaurante intermediário.
  • Cinema: 7,62€ por assento

Considerando que o país é altamente turístico – de Norte a Sul, de Leste a Oeste – é importante frisar que os valores apresentados acima podem sofrer considerável aumento entre os meses de Junho a Agosto, devido ao período de alta temporada e férias no continente. Portanto, se pretende morar em Malta, procure fechar contrato de moradia antes do verão, bem como resolver demais questões burocráticas. Deixe o período estritamente para procurar emprego nos setores em alta para a estação, caso não tenha nenhuma oferta em vista.

Cotidiano em Malta: diferenças e semelhanças

Foto: Berit Watkin | Flickr

Visto de Residência

Para morar legalmente em Malta existem dois tipos de visto: o Ordinary Residence, direcionada apenas à cidadãos da União Europeia; e o Permanent Residence, aberta para qualquer nação do globo. A diferença entre ambas consiste no tempo de renovação – Ordinary são renovados a cada 5 anos, e Permanent, anualmente.

Considerando o segundo caso, existem uma série de fatores que determinará um imigrante elegível para o visto. É importante saber, entretanto, que interessados em morar em Malta não precisam aplicar pelo visto ainda no Brasil; poderão permanecer como turistas pelo período de 90 dias enquanto dão entrada à residência. Veja o que é preciso para aplicar ao visto:

  • Demonstrar um rendimento anual superior a 24.000 euros ou um patrimônio líquido total superior a 350.000 euros;
  • Comprovar aluguel pelo período mínimo de um ano a partir da data de solicitação, em imóvel de valor mínimo anual de 2.400 euros, ou demonstrativo de compra de imóvel em Malta ou Gozo;
  • Demonstrar capacidade de remeter para Malta a quantia anual de 14.000 euros para o titular da autorização de residência e mais 2.400 euros por cada dependente.

Caso reúna os poucos requisitos, poderá preencher o formulário de solicitação (onde também consta um checklist com documentos necessários) e envia-lo junto aos demais comprovativos ao Departamento de Imigração situado na cidade de Valletta, pessoalmente ou através dos correios, enviando seus documentos em cópias autenticadas pela polícia, para o endereço:

Department for Citizenship and Expatriates Affairs
Evans Building
St Elmo Place
Valletta VLT 2000
Malta

Mais informações podem ser obtidas através dos telefones 2590.4000, 2590.4800, 2590.4821, 2590.1830 (fax) e pelo email: [email protected] Outros dados como taxas e informações adicionais também são encontradas no site do Governo de Malta.

Agora, se você não pretende passar muitos anos por lá, ou morar definitivamente, o governo de Malta autoriza a reentrada do imigrante após 90 dias, para que este fique no país durante mais 90 dias – porém, na condição de turista ou de estudante (não pode trabalhar).

Cotidiano

Predominantemente católico, igrejas e datas santificadas também farão parte do cotidiano dos futuros cidadãos malteses. Se está empolgado com a ideia, é possível visitar literalmente uma igreja por dia, durante um ano, já que elas totalizam cerca de 365 em toda a extensão da ilha. Mas não pense que essa predominância significa uma soberania sobre todas as demais religiões; em Malta é possível ter lado a lado manifestações evangélicas, budistas, muçulmanas e tantas outras sem qualquer distinção.

De influência italiana e inglesa, o país apresenta um terceiro e oficial idioma – o maltês. O inglês, para o alívio de muitos, é o idioma mais falado, portanto possível de te garantir um bom emprego. Mas não pense que com um inglês “meia boca” será possível treinar o idioma enquanto trabalha até mesmo em um “subemprego”; nestas categorias o empregado raramente conversa com alguém.

Outro ponto positivo que morar em Malta oferece sobre os demais países europeus tem relação à alimentação. Enquanto nos países mais ao norte a variedade é escassa e o brasileiro é obrigado a se adaptar à uma rotina de embutidos, congelados e muita batata, a ilha é rica no frescor das frutas, legumes, temperos e grãos. Portanto, mesmo que com nomes diferentes, é possível ter uma base alimentar muito semelhante à que temos aqui no Brasil – e até arriscar algumas receitinhas típicas para quando a saudade bater.

Em contrapartida, malteses são conhecidos pela culinária um tanto quanto exótica, que costuma ser sucesso entre nativos e imigrantes. Entre alguns exemplos temos a carne de cavalo, de coelho, o estufado de polvo e de porco com bacon; também estão entre os pratos prediletos os frutos do mar de modo geral, onde peixes fritos e sopa de cabeça de peixe constam no menu.

Lembrando que, apesar da facilidade em encontrar determinados alimentos, Malta produz apenas 20% de suas reservas alimentares, ou seja, os demais são importados de países vizinhos. Isso acaba encarecendo um pouco o custo desses produtos e restringindo a variedade dos mesmos, se compararmos a demais países ao Sul.

Por falar em alimentação, saúde é outro tópico relevante na ilha. Afinal, o sistema de saúde pública do Estado é gratuito à todos os malteses e cidadãos europeus portadores do Cartão Europeu de Seguro Doença. Cidadãos não-comunitários em dia com seus impostos, seguros e que estejam na condição de residente também estão inseridos nessa gratuidade. Apenas o atendimento emergencial é gratuito à todos, sem distinção.

No setor particular, uma consulta médica custa em torno de 50€, mas para situações brandas como uma gripe, por exemplo, o atendimento pode ser realizado em farmácias, custando entre 9€ e 15€.

Por fim, uma grande familiaridade entre Malta e o Brasil, e que provavelmente vai te querer fazer ficar por lá, é o clima. Por lá, o sol brilha durante todas as estações do ano, onde o verão pode ultrapassar os 30 graus (com sensação térmica de 40) e os invernos mais rigorosos costumam beirar temperaturas mínimas de 10 graus. “Bora” pra praia!?

Como conseguir trabalho em Malta?

Trabalhar em Malta

Você deve estar se perguntando desde o início do texto sobre esse tópico: o que é preciso fazer para conseguir um trabalho em Malta? Antes de mais nada, lembre-se que a ilhota tem apenas 316 km² de extensão e aproximados 450 mil habitantes, o que inviabiliza a instalação de grandes indústrias e muitas multinacionais por lá. Além disso, outra grande parcela de europeus já reside no local, e também procura emprego por lá – já com o diferencial do inglês fluente, por exemplo.

Mas calma, isso não é um fator desmotivador. Malta, por outro lado, oferece mais oportunidades de empregos que outros países praianos do Mediterrâneo, como Itália e Croácia, por exemplo. Entretanto, alguns requisitos são imprescindíveis para que o brasileiro possa competir de forma “quase” igualitária; e o primeiro deles é ter um nível de inglês ao menos intermediário.

Brasileiros em Malta estão isentos de visto caso a permanência não exceda 90 dias; mesmo assim, seja como estudante ou turista, imigrantes nestas condições não podem trabalhar no país. A não ser em casos em que o tão sonhado work-permit possa ser obtido mediante proposta de trabalho com contrato, que pode vir principalmente se o estrangeiro estiver qualificado em uma das áreas de maior demanda no país, como Tecnologia da Informação (TI), Engenharia e raramente, Saúde. Brasileiros com dupla-cidadania europeia também estão mais propensos a conseguirem emprego na ilha – mas a prioridade sempre será dos malteses.

Já para quem vai com a cara e a coragem – e quer arriscar seus 90 dias para conseguir um emprego -, uma dica para aumentar suas chances e não ficar “parado” é entrar em cursos de especialização, workshops, seminários, eventos, congressos e tudo o que puder; afinal, quem tem network tem tudo.

Se você não se importar em chegar ganhando pouco e trabalhando muito, comece sua vida por lá em períodos de alta temporada, onde o setor de serviços como hotelaria e restauração estão a pleno vapor. Bares, lojas, shoppings e outros relacionados podem conter boas chances de empregabilidade.

Agora, sabe aquele seu tio que está sempre jogando poker na internet e que você acha uma perda de tempo? Ele pode estar trilhando uma carreira promissora no igaming (gambling) em Malta. Por lá, é preciso ser realmente bom nestes jogos, que incluem bingo, jogos de cartas, roleta e outros. Uma vez afiado na modalidade em questão, recomenda-se procurar por vagas de atendente, recepcionista, dealer de poker e outros para então fazer os contatos necessários na área.

Quer começar por algum lugar e ver se o work-permit já rola de cara? Então dê uma explorada nos sites mais populares de Malta para conseguir um emprego: Best Jobs in Malta, Malta Jobs, Pentasia, Konnekt, Reed Global e CareerJet são alguns exemplos.

De toda forma, recomenda-se fortemente que o candidato a morador em Malta comece a procurar por emprego ainda no país de origem. Além dos sites de emprego, uma ótima alternativa para estabelecer essa rede inicial é através do LinkedIn. Faça contatos, conheça o país e descubra quais são as suas possibilidades.

O que fazer em Malta?

O que fazer por lá?

Principalmente entre os que vivem em grandes capitais brasileiras, um dos maiores questionamentos além das oportunidades de trabalho tem relação com uma sensação quase claustrofóbica de se mudar para um país tão pequeno. Afinal, em duas horas de carro você atravessa Malta “de cabo a rabo”, certo?

Certo, mas acredite. Mesmo aqueles que vivem há anos na ilha ainda não conseguiram aproveitar tudo o que ela tem e oferecer. Além de paisagens paradisíacas, palco de clássicos do cinema e séries como Game of Thrones, o povo maltês é original, rico em culturas, tradições, gastronomia, folclore e, claro, festas e muita badalação. Principalmente para os mais jovens, drinques, sensualidade e muita música latina são constantes na região de Paceville.

Além de uma vida noturna agitada e um clima que proporciona passeios e programações durante o ano todo, as praias definitivamente são o principal chamariz da ilha, as quais demonstram uma parcela de tanta ostentação já pelos nomes: Paradise Bay, Golden Bay e Pretty Bay são apenas alguns dos exemplos capazes de conquistar o coração de quem vai para ficar.

Mas não pense que o país sobrevive apenas de suas belezas naturais; quem curte atividades indoor também pode se dar muito bem na ilha. Afinal, além de cinemas, teatros, museus e uma infinidade de saídas culturais, também são ofertados esportes radicais e formas de entretenimento, o que inclui a prática do arco e flecha, paintball, boliche, escalada e diversos bares que também oferecem jogos mais alternativos para seus frequentadores. E então? Já temos argumentos suficientes para você fazer as malas?

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