Tomar, a fascinante cidade templária portuguesa

No último texto,  eu disse que falaria sobre os castelos portugueses. Porque tudo nesse país é cultural e como não se encantar diante de tanto patrimônio histórico? Pergunta difícil, eu sei. Mas, antes de começar a contar sobre um dos castelos mais importantes de Portugal, preciso dizer que a visitação se torna muito mais interessante e curiosa quando é feita com um amigo que sabe sobre Teologia e História Geral (aquela matéria que você teve no ensino médio para passar no vestibular, lembra?!). Por isso, desta vez, o enfoque não será somente no roteiro turístico, mas também sobre a relação histórica entre a Ordem dos Templários e a cidade de Tomar.

A história templária

Como chegamos em Tomar? Em Guimarães, no Paço dos Duques, aconteceu uma exposição chamada “Monges e Guerreiros. Ordens Militares na Península Ibérica. Séculos XII-XV” que contava, sobre a atividade dos cavaleiros medievais com enfoque na constituição das monarquias da Península Ibérica. Ali estavam as Ordens Militares expostas cronologicamente, como a dos Templários no Reino de Portugal.

Foto: Roberta Ortolan

Durante as Cruzadas foram criadas várias Ordens Militares, a dos Templários era a mais importante, forte e influente de todas. A Ordem dos Templários era uma prelazia papal, ou seja, deviam obediência apenas ao Papa. O rei da França, Filipe – O Belo, resolveu exterminar os templários franceses por alguns motivos: rezava a lenda que a Ordem Templária possuía um tesouro escondido, uma fortuna incalculável; e outra questão é que o Rei teria dívidas com os Templários.

Então, em 13 de outubro de 1307, sexta-feira, ele mandou prender e torturar todos os templários franceses no intuito de “confessarem” que tinham comportamentos e atividades inaceitáveis para a Igreja – eis que surge a origem da expressão “sexta-feira 13”. Como só o Papa poderia desfazer a Ordem, Filipe – O Belo o pressionou pela dissolução da mesma. Por interesses políticos, poder e inveja, a Ordem Templária foi dissolvida por toda Europa e o último Grão Mestre, Jacques De Molay, foi executado na fogueira por não ter “confessado” que cometia heresias. Enquanto ardia, Molay, intimou o Papa Clemente V e Filipe – O Belo a prestarem satisfações diante do tribunal Divino. Curiosamente ambos morreram dentro do período de um ano após a sua execução.

Os templários em Portugal

“Crê-se que os primeiros cavaleiros templários chegaram ao condado portucalense em 1124. O primeiro documento que atesta a sua presença é de 1128, quando a condessa Teresa de Leão lhes concede o Castelo de Soure.” – Exposição Monges e Guerreiros.

Por terem defendido o castelo de Soure dos ataques almorávidas (dinastia que governou o Norte da África e parte da Península Ibérica entre 1055 e 1147), e pela participação na conquista de Santarém em 1147. Os Templários receberam doações de alguns castelos. Em Soure, Gualdim Pais foi nomeado Mestre Provincial da Ordem do Templo depois de ter participado na primeira cruzada, mandou construir o Castelo de Tomar e o Convento de Cristo – nove anos depois, se torna a sede da Ordem. Gualdim Pais fundou os Castelos de Almourol, Idanha, Monsanto e Pombal (pertencentes aos Templários), além de ser o fundador da cidade de Tomar (homenageado através de uma escultura no centro da Praça da República).

Convento de Cristo, em Tomar
Foto: Roberta Ortolan
Castelo de Aumourol, em Tomar
Foto: Roberta Ortolan

Quando a norma Papal para extinguir a Ordem do Templo chegou ao reino de Portugal, D. Diniz, que comandava o trono nessa época, levou em consideração tudo o que eles fizeram para defender e preservar o território português, subvertendo as normas Papais. Com toda a diplomacia política de D. Diniz, o Papa concordou em não extinguir a Ordem na prática, mantendo todos os interesses e laços políticos entre a Igreja Católica e o Reino de Portugal. Mantiveram a organização, os mesmos efetivos e bens. A solução foi modificar o nome da Ordem para Ordem de Cristo.

Como o rei Afonso Henriques queria a independência do reino espanhol, ele acolheu todos os Templários, que estavam sendo caçados pela Europa, para a Ordem de Cristo. A mesma deixou heranças importantes e significativas para Portugal, inclusive as rotas e viagens marítimas de descobrimento. Lembra das cruzes vermelhas estampadas nas velas e bandeiras das caravelas? São símbolos da nova Ordem. O Infante D. Henrique foi um dos Grandes Mestres e líderes desta Ordem que muito modificou e engrandeceu a história de Portugal.

O Castelo de Tomar e o Convento de Cristo

Monumentos históricos de Tomar
Foto: Roberta Ortolan

O Castelo e o Convento de Cristo estão situados no mesmo complexo. A construção se deu a partir de 1 de março de 1160 – razão pela qual é celebrado o dia da cidade de Tomar. A área de terreno é de 54.000 m², 40.000 m² de construção, prepare-se para andar, pois são muitas escadas, corredores enormes – alguns mais estreitos que parecem passagem secreta, e uma construção arquitetônica suntuosa e super bem preservada. Dá para se perder, pois não há muita sinalização para os turistas e eu me senti como barata tonta sem saber para onde ir, de onde tinha vindo. É lindo demais, mas é confuso. Foi considerado pela UNESCO, em 1983, como Patrimônio Mundial.

Convento de Cristo, em Tomar
Foto: Roberta Ortolan

Até 1314, o Castelo/Convento foi sede da Ordem do Templo e a partir de 1357 foi da de Cristo. Leve em conta que você precisa prestar atenção em alguns pontos durante a sua visitação:

  1. O fortalecimento de Portugal como país e, através da Ordem de Cristo, a propagação do poder político mundo à fora.
  2. A natureza dentro e fora do Castelo.
  3. O funcional por causa das atividades praticadas por frades e monges-guerreiros em isolamento.
  4. O artístico, pois a arquitetura é rica em detalhes e pode ser apreciada a cada virada de olhos: os claustros são do período Gótico – tempo do Infante D. Henrique; a igreja Templária do Castelo é octogonal e Românica; o Manuelino na incrível “Janela do Capítulo” – séc. XVI; o Renascimento, Maneirismo e Barroco na ampliação do convento até séc. XVIII.
Exterior e detalhes do Convento de Cristo, em Tomar
Foto: Roberta Ortolan

A construção do castelo/convento foi por questões militares, havia a necessidade de estabelecer um ponto forte de resistência nas fronteiras com territórios em que os muçulmanos mantinham o poder.

*O meu agradecimento especial a Alan Carvalho que foi essencial na contação de história geral e Templária. As fontes de pesquisa foram os sites da Câmara Municipal de Tomar, Eurostops, Patrimônio Cultural do Governo Português e Visit Portugal.

Este conteúdo é de total responsabilidade do autor da coluna Roberta OrtolanSiga também blog da Roberta.

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