Em janeiro de 2012 realizei meu primeiro mochilão pela América do Sul e os países escolhidos foram Bolívia, Chile e Peru e suas principais atrações, Salar de Uyuni, Atacama e Machu Picchu, respectivamente. A viagem duraria 23 dias no total. Foi uma viagem decidida entre alguns poucos amigos com sete meses de antecedência.

Partiríamos no início de janeiro e no decorrer do tempo entre a decisão de viajar, dos países a serem visitados e qual roteiro seguir, pesquisas de pontos turísticos, meios de transporte, hospedagem, e o custo de tudo isso, mais parceiros de viagem foram se agregando e nosso mochilão se tornou quase uma excursão, com 17 pessoas.

Esse detalhe complicou algumas reservas, mas no trouxe muitas aventuras e uma festa a cada nova parada da viagem. Mochileira de primeira viagem, foram muitas coisas a aprender, muitos blogs e fóruns pra ler, inclusive uma considerável lista de itens a se comprar – tais como roupas de tecidos leves e quentes, jaquetas corta vento, bota para trekking, luvas especiais, até mesmo hidrosteril (líquido para “limpeza” de água não potável) – e todo esse aprendizado foi e é indispensável até hoje.

Nesta primeira experiência decidi ainda tirar o passaporte pela primeira vez (e foi uma decisão minha porque no caso desses países não é obrigatória apresentação de passaporte) e descobri ainda como é o processo de expedição de carteira de vacina internacional, já que no caso dos países que eu visitaria era obrigatória comprovação de vacina contra febre amarela.

Quando voltei da viagem muitas (muitas mesmo) pessoas me pediram dicas e o roteiro da viagem, fiz então um email padrão onde enviei e expliquei o roteiro e no fim acrescentei uma lista de respostas às 6 perguntas mais frequentes que recebia, que são também as 6 coisas que aprendi no meu primeiro mochilão pela América do Sul. Espero que essas também sejam suas dúvidas e eu tenha lhe ajudado ao fim desse texto. Caso restem ainda algumas dúvidas fique a vontade para fazê-las nos comentários deste post.

1. Eu gastei R$ 2800 com tudo

Os três países de destino dessa viagem, exceto Chile (onde fiquei apenas por 3 dias), possuem custo de vida baixo, mas não podemos descartar o fato que em 2011/2012 o dólar custava em torno de R$ 1.82, e isso faz grande diferença – aprendi, aliás, a acompanhar cotação do dólar na época das viagens para escolher o melhor momento de comprar a moeda gastando o mínimo.

Foram R$900 na passagem de avião de ida e volta do Brasil (que comprei de uma companhia aérea hoje extinta chamada Aerosur) e mais R$1.900 com todo restante (passagens internas de ônibus, hospedagens, alimentação, passeios, souvenirs), mas recomendo levar mais se possível e realizar ainda mais passeios ou abusar nas compras na Bolívia que é um verdadeiro paraíso dos preços baixos.

2. Sim, alguns sofrem com o mal estar da altitude

Muita gente teme visitar esses países por conta da altitude de muitas regiões e as diversas histórias sobre o quanto nos afeta. Creio que cuidados são sim necessários, mas eu particularmente não senti quase nada senão uma ardência no nariz quando ia de ônibus de Copacabana para La Paz, na Bolívia. Claro que sempre tomava Soroche (comprimido vendido em qualquer farmácia que combate o mal estar de altitude) em locais de maior altitude e masquei também a bendita (e de gosto ruim) folha de coca (encontrada em quaisquer armazém ou bancas de rua), mais por curiosidade que qualquer coisa.

As reações variam para cada pessoa, uma amiga se sentia mal sempre que passávamos de 4.000m, mas nada que resolvêssemos rapidamente com Soroche e sua retirada rápida (isso só foi necessário uma vez com ela, na região dos gêiseres) destes locais.

3. Leve e passe sempre protetor solar e labial

Ao realizar um mochilão pela América do Sul jamais os esqueça. Sua pele, e lábios principalmente, ficarão ressecadíssimos todo o período em que estiver viajando e apenas os protetores solares e labiais podem lhe proteger do ressecamento e rachaduras. No Chile (no caso da minha viagem, na região norte do país) o clima parece piorar ainda mais essa situação.

4. Acertamos nos “pontos fortes” da viagem

O Salar de Uyuni (na Bolívia) é o lugar mais lindo e hipnotizante/apaixonante que já vi na vida. Machu Picchu (no Peru) arrepia a alma de verdade, bom pra refletir. O Deserto do Atacama (no Chile) é um verdadeiro convite à aventura. Jamais pensem em eliminar a visita a algum desses lugares se passarem por esses países!

5. Não carregar a vida nas costas

Levei uma mochila de 77 litros que no fim pesava 18 Kg de bagagem. Afinal, quanto mais espaço se dá a uma mulher mais espaço ela usa. Foi um grande erro amigos, pois vocês notarão que vaidade não é tudo (na verdade não é nada) nessa viagem e o peso carregado não vale a pena.

Elimine tudo que for pesado e não indispensável, leve apenas e literalmente o básico, e quando ainda assim parecer difícil cumprir a tarefa de não exagerar lembre-se que apenas você carregará tudo aquilo nas costas durante todo o tempo, seja caminhando numa estrada plana ou subindo uma montanha. E subir montanhas com quilos de itens desnecessários não é legal.

6. Saiba por onde começar, terminar e porquê

Nosso roteiro de viagem foi pensando de forma circular (iniciando e terminando na Bolívia) mas visitando primeiramente as cidades do sul do país para depois ir ao norte. Essa estratégia foi pensada a fim de que pudéssemos aos poucos nos acostumar com a crescente da altitude, e essa decisão tomada depois de muita pesquisa e leitura de relatos de outros viajantes.

Nossa decisão foi muito boa, o que parece um pequeno detalhe pode ser indispensável de se pensar em um mochilão pela América do Sul, e notei que é realmente mais fácil começar em altitudes mais próximas do que estamos acostumados e aos poucos ir aumentando a medida que visita novas cidades do que de cara lidar com uma diferença mais brusca de ambiente. Aos que desejam realizar esta viagem recomendo que façam o mesmo!

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Sobre o Autor

Tabata Franco

Editora, fotógrafa audiovisual e redatora. Formada em Comunicação e Multimeios e em Produção de Áudio e Vídeo, paulistana, apaixonada por cinema, fotografia e artes em geral, que se descobriu também fascinada pelo mundo de descobertas que a "vida mochileira" proporciona.

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