Foi pedida em casamento e aceitou. Então trilhou seu caminho até a Índia

Mariana sempre teve muita curiosidade sobre a Índia e o hinduísmo, religião que abrange mais de 93 mil deuses. Esse interesse passou a ser tema de pesquisas na internet até que ela se deparou com o blog indiagestão, e por estar aprimorando o inglês, também encontrou o site livemocha, onde é possível aprender diversos idiomas de forma gratuita. Poderia ser um site qualquer no histórico de Mariana se não tivesse sido através dele que ela conheceu seu marido. E foi bem na época da exibição da novela “Caminho das Índias”. Mais um motivo para Mariana querer conhecer mais sobre o país.

Amor oriental: casando na Índia

Ela queira aprender inglês, ele, o futuro marido, português. Por meio do site o casal passou a trocar lições para que o outro corrigisse. Conversa de lá, conversa de cá, eles passaram para o chat e a conversa foi além da proposta do site.

O contato se manteve por um tempo e eles já se consideravam de certa forma “namoradinhos”, como ela descreve, mas ela ainda não botava muita fé. Até que ele pediu Mariana em casamento e após 2 anos, em fevereiro de 2010,  ela tomou coragem e decidiu finalmente viajar até a Índia.

Mariana_Índia (7)O casamento aconteceu um mês após a chegada dela no país e como manda a tradição. Vestimentas, brincos, pinturas na pele. Ela conta que quanto mais escuro fica o mehendi (nome da pintura), significaria que o marido ama ainda mais a futura esposa (e conta também que o dela teria ficado bem preto). Já o kajal preto serviria para proteção contra o mal e pode ser usado nos olhos, na testa ou em outros locais.

Sobre o relacionamento com a nova família ela lembra que algumas tias e a avó estranharam um pouco, pelo fato de ser estrangeira, e mais, por ser da América. Isso por qualquer fama de que as pessoas da América se casam e descasam e na Índia o casamento ser levado muito a sério. Mas com o tempo a aceitação aconteceu e a comunicação, que muitas vezes que tinha que ser nos idiomas locais, o Nagpuri e Hindi, ficou mais fluida. Fruto do matrimônio, em 2011, veio a filha do casal.

Tudo ou nada a ver com o Brasil?

Mariana conta que Ranchi, onde foi morar, é uma cidade em desenvolvimento e por isso difere bastante de São Paulo. “Você encontra construções de concreto, como no Brasil, mas também casas de barro e de madeira”. Apesar de tudo, ela conta que lá havia de shoppings a cinemas, só não viu mesmo redes de fast food ou baladas. Os transportes são um pouco diferentes, já que é comum o uso do autoriquixa, o famoso tuc tuc, ou riquicha, aquela espécie de carroça onde alguém puxa pedalando a bicicleta.

A casa onde morou nos três anos que esteve na Índia, ela descreve como sendo grande, o chão de mármore, paredes coloridas, Mariana_Índia (5)flores de plástico por todo o lado, assim como fotos de deuses. Ela inclusive menciona o galo, que não era “artigo” de decoração, mas que ficava pelas redondezas e assinalava que já era hora de levantar logo cedo para realizar os deveres domésticos. Mariana, como a maioria das mulheres na Índia, não trabalhava fora. Entre as suas tarefas diárias estavam arrumar a casa, preparar o café da manhã, lavar a roupa, etc.

Mas não era só desse trabalho que vivia Mariana. Ela se deslumbra descrevendo os rituais de beleza pelos quais passava diariamente após organizar a casa: “comprava produtos de beleza, óleo para o cabelo, máscara facial, gel de limpeza. Adorava e às vezes ia em salão para limpeza de pele, massagem capilar”.

Em falar em estética, Mariana conta que uma das coisas que ela achou estranho por lá é alguns indianos que têm pele escura utilizarem cremes clareadores para a pele. Isso ela não entende qual a utilidade, mas tudo bem por ela.

Trabalhar na Índia

“Com um salario de 40 mil rupias na Índia você consegue viver como se ganhasse 3 mil reais aqui, pagando aluguel, água, luz e despesas que a gente tem”. Segundo ela esse salário é atingido por profissionais que têm pós-graduação na áreade de TI, por exemplo, mas já quem é formado em outras áreas pode conseguir empregos em bancos e escritórios, recebendo entre 8 a 12 mil rúpias por mês.

Apesar disso, Mariana menciona que talvez o trabalho mais fácil de se achar seria em um call center, na função de atendente de telemarketing, mas alerta que pra isso o inglês fluente é imprescindível.

Comida

É normal pensar em comida apimentada quando se trata de iguarias indianas e é exatamente o que Mariana descreve como uma coisa que ela teve que se adaptar: o café da manhã indiano. Ela conta que lá eles comiam muito roti, uma espécie de pão sírio, feito com farinha, sal e que acompanha legumes e um tipo de molho, resultando num sabor apimentado. Era nessa hora que batia a saudade do pão de queijo e iogurte, afirma ela.

Em falar em comida, a pergunta sobre carne bovina não podia faltar, já que a vaca, na Índia, é um animal sagrado, por isso, passa longe do cardápio alimentar dos indianos. Sobre isso, Mariana conta que já havia tentado ser vegetariana, então quando conheceu o marido deixou de vez de comer carne.

Cultura

Das poucas coisas que se fala frequentemente sobre a cultura indiana em todo o mundo, o cinema Bollywoodiano é uma delas. Mariana conta que são mais de 300 filmes lançados todos os anos e que a paixão pelo audiovisual vai mais além: “as novelas duram mais de um ano na TV”. Além disso, ela afirma que os programas de música e dança também são bem fortes na cultura do país.

No início a religião causou um pouco de desconforto em Mariana, que é cristã. Mas com o tempo ela acabou participando de alguns festivais e cultos do hinduísmo e se acostumou. Além disso, ela conta que lá também se celebra a páscoa, natal e festividades cristãs.

Já quanto à higiene, Mariana não se acostumou muito. Ela descreve que a Índia tem um cheiro peculiar: “cheira a urina, incenso, tempero, tudo misturado”. Além de descrever situações de pessoas fazendo necessidades na rua, mas afirma também que isso não acontece em todos os lugares.

Holi Festival
Mariana no Holi Festival com os amigos

Quando perguntada sobre como as mulheres são tratadas no país, Mariana conta que há muitas que não podem sair de casa, mas também há quem seja independente. Ela lembra que no início estranhou porque não era bem visto que ela saísse sozinha por questões de segurança mesmo, segundo afirma. Além disso, conta que é comum tratarem o homem como se ele fosse um deus ao qual a mulher é submissa.

Em uma palavra, Mariana descreve os indianos como um povo religioso. Se for pra escolher um lugar na Índia, escolhe o Taj Mahal. Ainda mais com o preço que ela informa ter pago pra visitá-lo por pensarem que ela era indiana: 20 rupias. Enquanto os turistas pagam cerca de 750 rupias.

Uma dica que ela dá é que quer quer estudar ou trabalhar da Índia não tem assim tanta facilidade para ficar por lá se quiser, já que afirma que o visto de permanência é difícil até pra ela, que tem marido e filha indianos.

Atualmente ela está morando com a família em São Paulo, mas já avisa que pensa num futuro na Índia: “um lugar calmo e bom para se viver, onde o estudo e bem melhor do que no Brasil e um preço que cabe no bolso. Penso na minha filha lá com um futuro brilhante”.

 

Este texto faz parte da coluna Brasil com S, onde reunimos histórias de brasileiros vivendo por aí, mundo afora.

 

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