Está em busca de especialização profissional ou quer seguir carreira acadêmica? Se pretende fazer um mestrado na Europa é melhor ponderar quais são suas expectativas com mais essa etapa dentro da universidade. Confira quais são as diferenças entre os ensinos Brasil x Europa e descubra qual é a melhor opção para iniciar um mestrado.

Como funciona um mestrado na Europa?

Desde os últimos anos do Ensino Médio, o jovem brasileiro é levado a fazer a escolha certa e definitiva ao entrar na faculdade, já que por aqui o objetivo é começar a traçar a vida profissional desde cedo – e até mesmo sem a chance do arrependimento. Entretanto, para quem passou por essa primeira fase no Brasil e quer cursar o mestrado na Europa, o cenário pode ser um tanto quanto estranho.

De um modo geral, no Brasil temos apenas duas opções que realmente configuram um título de mestre: o mestrado acadêmico ou o profissional (regulamentado em 2009), reconhecidos como cursos stricto sensu com duração de dois a dois anos e meio. Qualquer outra certificação como um MBA, por exemplo, atua como especialização, uma pós-graduação. Em ambos os casos, o candidato precisa realmente saber o que quer antes de ingressar no curso – assim como aconteceu com a graduação.

Já aos interessados em continuar os estudos através de um mestrado na Europa, o sistema é mais simplificado e não existem “pós” a torto e a direito como acontecem por aqui. Ainda que cada país do bloco tenha sua autonomia para oferecer especializações como MBAs e eventuais cursos à distância, o ciclo do ensino superior deve ser seguido de maneira unificada, estabelecida pelo Tratado de Bolonha. Em adição, em todos os níveis do ensino superior o aluno recebe um “apanhado” de matérias em sua grade ao início do curso para que esteja certo de sua escolha; daí então, direciona seus objetivos conforme a afinidade com determinado assunto.

Não somente através do Tratado, que padronizou todo o sistema de ensino europeu, a determinação também significou uma reorganização da formação profissional de cada cidadão em torno de valores que vão muito além do que vemos por aqui. Por lá, preza-se por mais que apenas um professor dentro de sala e alunos que precisam se provar constantemente através de exames teóricos. Para seguir para um próximo nível, o aluno tem suas competências avaliadas, bem como a aprendizagem ao longo do curso também através de palestras e trabalhos. Geralmente, além dos exames que finalizam determinada etapa, são aplicados testes gerais ao final de cada ciclo para certificar que o mestrando, no caso, pode seguir adiante.

A grande diferença entre um mestrado na Europa e o mesmo curso em território brasileiro é a preocupação que um tem com a formação de pensadores e pesquisadores, focados nas teorias e em trilhar uma vida acadêmica; enquanto o outro visa formar trabalhadores com mão de obra qualificada para um país industrial – e você já sabe diferenciar cada personagem nesse comparativo.

Essa preocupação excessiva em formar profissionais é um dos principais motivos pelos quais as publicações científicas brasileiras não são lidas e, quando são, tornam-se fracamente compartilhadas, por exemplo. Grande parte dessa deficiência se dá pela falta do inglês, que segue falho até mesmo entre os altos níveis de um doutorado. Por outro lado, quando a fluência se encontra com um mestre profissional, somos mão de obra requisitada em diversas partes do mundo, em profissões onde não há capacitados suficientes para suprir a demanda. E então, já escolheu o seu lado?

Tratado de Bolonha

Elucidando essa questão, possivelmente este é o termo mais ouvido por quem está em busca de um mestrado na Europa, mesmo que ainda pouco difundido entre interessados no diploma ou mesmo instituições de países do tratado.

De projeto iniciado em 1999, o Tratado de Bolonha ou (também processo ou declaração de Bolonha) surgiu como uma iniciativa de unificar o sistema de ensino superior ao longo de todo o bloco europeu, promovendo assim a mobilidade, bem como um continente mais competitivo, abrangente, transparente e acessível à todos que lá residem.

Assinado inicialmente por 29 países (incluindo o Reino Unido), o tratado atualmente consiste em 48 nações integrantes, mais a Comissão Europeia onde, com um prazo até 2010 para alinharem-se, estabeleceram o reconhecimento das qualificações obtidas em qualquer outra instituição de país presente no Tratado. Assim sendo, o ensino superior tornou-se muito mais simplificado, permitindo a universitários e docentes a adaptação menos burocrática ao migrar para outra localidade signatária.

A reforma foi dada tendo como base valores-chave – como liberdade de expressão, autonomia para as instituições, grupos independentes de estudantes, liberdade acadêmica, livre movimentação de estudantes e funcionários. Portanto, como forma de manter esses valores, bem como um reconhecimento justo para qualificações estrangeiras, a Comissão continua em constantes reuniões também a fim de alinhar necessidades de países recém ingressados no acordo.

Outro tópico bastante discutido sobre essa declaração tem relação com o chamado “Sistema dos Três Ciclos”, que padroniza a duração e a metodologia de ensino de todo o ensino superior na Europa – podendo ser levemente alterada de acordo com cada país. Através dessa determinação, os cursos de licenciatura, que antes tomavam de quatro a cinco anos dos universitários, foram enxugados para três ou quatro, e muitos mestrados passaram a se tornar mais profissionalizantes que acadêmicos, como de praxe.

Diante disso, muitas universidades passaram a considerar que as novas licenciaturas sejam equivalentes aos antigos bacharelados (três anos), e por muitas vezes ainda oferecem os chamados mestrados integrados, a fim de perfazerem os cinco anos. Veja como funciona:

  • 1º Ciclo: equivalente ao bacharelado, o primeiro ciclo direciona à qualificação, a qual é obtida ao completar um programa de estudos de 180 a 240 ECTS (Sistema Europeu de Transferência e Acumulação de Créditos). O curso geralmente tem duração entre seis e oito semestres;
  • 2º Ciclo: compreendido entre 90 e 120 ECTS, o diploma de mestrado é obtido a partir do cumprimento de período mínimo de três a quatro semestres. Excepcionalmente, pode ser realizado dentro de um total de 60 créditos e duração de dois semestres, desde que a duração corresponda a uma prática estável e consolidada internacionalmente em determinada especialidade;
  • 3º Ciclo: estipulado após 2003 (até então, o segundo ciclo compreendia ao mestrado e/ou doutorado), terceiro ciclo diz respeito ao doutorado com duração de cerca de 180 créditos, o que inclui ainda a elaboração de tese original e especificamente elaborada para este fim. O ciclo de estudos integrados conducente ao grau de mestre compreende de 300 a 360 créditos, bem como de 10 a 12 semestres curriculares.

Por fim, fazem parte do Tratado de Bolonha – e portanto aderentes ao sistema apresentado – os países: Albânia, Andorra, Armênia, Áustria, Azerbaijão, Belarus, Bósnia Herzegovina, Bulgária, Croácia, Chipre, República Tcheca, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Geórgia, Grécia, Hungria, Vaticano, Islândia, Irlanda, Itália, Cazaquistão, Letônia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Moldávia, Montenegro, Holanda, Noruega, Polônia, Portugal, Rússia, Romênia, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Suécia, Suíça, Sérvia, Macedônia, Turquia, Ucrânia e Reino Unido.

Quanto custa?

Dizer o quanto lhe irá custar um mestrado na Europa é tarefa um tanto quanto variável, pois o valor final é altamente influenciado pelo país de destino, o que engloba custo de vida, despesas gerais, mensalidades, material, taxas eventuais, vistos, equivalências, etc. Portanto, principalmente se a universidade em questão está em um país caro e que não oferece acordos bilaterais com o Brasil, procure por bolsas de estudos ou auxílios financeiros diretamente com a instituição para obter algum benefício ou ajuda de custo.

Além disso, é preciso se informar sobre a equivalência do seu diploma no país desejado, uma vez que o Brasil não faz parte do Tratado de Bolonha. No caso dos que pretendem estudar em Portugal, a universidades consideram automaticamente equivalentes diplomas de mestrado e doutorado, mas não de graduação, devendo o candidato brasileiro solicitar a equivalência ou reconhecimento de diplomas ao abrigo do Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta entre a República Portuguesa e a República Federal do Brasil. Mais informações sobre esse caso, clique aqui.

Universidade do Porto

Para estudar o mestrado na Universidade do Porto, em Portugal, o brasileiro tem o benefício de estar entre os membros da CPLP – Comunidade de Países de Língua Portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste), obtendo redução de 50% no valor das mensalidades.

Nestes moldes, o valor anual para estudar por lá está entre 1.500€ e 3.000€. Você pode consultar os cursos disponíveis, bem como os valores para cada um deles através do site da Universidade.

Trinity College Dublin

Entre as melhores do mundo, a Trinity College Dublin, na Irlanda, é mais uma opção para quem quer fazer um mestrado na Europa. Por lá, o processo de equivalência do diploma de graduação é relativamente simples, desde que você esteja se candidatando a partir de uma universidade pública, com as pontuações necessárias para essa compatibilidade. Caso negativo, será possível aplicar enviando todo o plano de ensino de sua graduação, bem como demais documentos solicitados. Clique aqui para saber mais.

Agora, quanto aos custos, estudar por lá não está entre os países mais baratos, principalmente devido ao fato de diferenciarem os custos entre estudantes da União Europeia e aqueles fora dela. Para quem não nasceu por lá, a anuidade vai de 8.000€ a 20.000€, dependendo do curso escolhido. Veja a tabela completa de valores e cursos clicando aqui. Mas calma! Fique de olho no site da universidade, pois eles constantemente oferecem bolsas de estudos – inclusive exclusivas para brasileiros.

University of Oxford

Na Inglaterra também existem oportunidades para quem deseja um mestrado na Europa. Para a Universidade de Oxford, devido a alta competitividade para o ingresso, são esperadas graduações de excelência, seja em instituição local ou internacional de valor equivalente, bem como fluência em inglês. Para saber se a sua qualificação se enquadra nos requisitos da Oxford, é preciso solicitar pelo serviço através da UK NARIC, empresa conveniada à universidade.

E vamos falar de libras? Além das qualificações, o candidato também deverá arcar com os nada módicos preços de anuidade, que também são diferenciados para estudantes não-europeus. De acordo com o curso escolhido, os valores variam entre 3.000£ e 25.000£. Clique aqui para ver a relação completa das opções.

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Sobre o Autor

Heloisa Von Ah

Apaixonada por cinema, gatos e tecnologia, descobriu que viajar também é indispensável. Percebeu que o mundo é bem maior que uma cidade do interior paulista e após mais de um ano em Portugal, aguarda a próxima aventura.

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