Morar na Argentina: custo de vida, trabalhar e estudar

Morar na Argentina é, não apenas o sonho, mas a realidade de muitos brasileiros, especialmente nos últimos anos. O país tem diversos atrativos que fazem com que os habitantes de países vizinhos decidam viver, de forma temporária ou permanente, na terra dos hermanos.

Apesar das semelhanças, é importante pesquisar melhor sobre o país, conhecer os hábitos e a economia para não ser apanhado de surpresa. Confira o que é fundamental saber antes de se mudar para a Argentina.

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Custo de vida na Argentina

Será que morar na Argentina é barato, ou pelo menos mais barato que no Brasil? Tudo depende do estilo de cada um e da cidade escolhida para morar. Por isso, primeiro é importante pensar no custo de vida.

É verdade que o câmbio favorece os brasileiros, já que 1 peso argentino (baseado no câmbio de 30 de novembro de 2018) custa R$0,10. Mas é preciso considerar que o custo de vida na Argentina varia da capital para o interior, e também é possível ter gastos diferentes de acordo com o seu padrão de vida.

Além disso o país passa por um momento de instabilidade econômica, com inflação alta, o que pode reduzir drasticamente o poder de compra.

Capital x Interior

É preciso ter algumas noções básicas, como:

  • O custo de vida de Buenos Aires é 42% mais barato que na cidade de São Paulo e 40% mais em conta que no Rio de Janeiro, de acordo com o site Expatistan, que faz comparações de custo de vida entre cidades do mundo todo.
  • A diferença de custos entre morar na capital e no interior da Argentina é muito grande. O custo de vida em Rosario, cidade do interior também muito procurada por brasileiros que decidem morar na Argentina, é mais barato do que o custo nas principais cidades do interior do Brasil. Viver em Rosário é 48% mais barato do que viver em Niterói, é 52% mais barato do que viver em Campinas, e 51% mais barato do que viver em Santos.

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Relação entre custo de vida no Brasil x na Argentina

Na Argentina, os custos são diferentes dos praticados no Brasil e a diferença não é só na moeda. Neste momento, a maior parte dos produtos e serviços argentinos saem mais em conta que os brasileiros, até porque também há uma crise por esses lados.

Produtos de higiene pessoal e transportes estão entre as coisas mais baratas da terra dos hermanos: 50% e 52%, respectivamente, mais baratos por lá.

Confira a comparação entre o custo de vida entre os dois países, feita pelo site Numbeo.

  • Preços ao consumidor no Brasil são 29,18% maiores do que na Argentina
  • Preço de aluguel no Brasil é 22,64% maior do que na Argentina
  • Preço de restaurantes no Brasil é 6,35% maior do que na Argentina
  • Preço de mantimentos (supermercado) no Brasil é 20,95% maior do que na Argentina
  • Poder de Compra dos brasileiros é 32,34% menor do que o dos argentinos
  • Preço dos transportes (incluindo transporte público, táxi e gasolina) no Brasil é mais de 40% mais caro do que na Argentina

A comparação completa e detalhada sobre os custos de vida dos dois países está disponível no site do Numbeo.

Gastos médios

Aqui vale lembrar que tudo depende do estilo de vida. Mas considerando os valores médios gastos por brasileiros que vivem hoje em Buenos Aires em diferentes padrões econômicos, temos:

Estudantes

Baixo custo: Estudando em faculdade pública, vivendo em residência universitária em quarto compartilhado, cozinhando em casa e utilizando transportes públicos – entre 10.000 e 12.000 pesos argentinos

Modo econômico:  Dividindo apartamento com outros estudantes, alternando entre comer em casa e em restaurantes e podendo aproveitar a vida noturna da cidade esporadicamente e estudando em faculdade pública gasta entre 11.500 e 15.300 pesos argentinos. Para frequentar uma faculdade particular, os custos já sobem e ficam entre 16.500 e 20.300 pesos.

Modo conforto: Vivendo sozinho em apartamento de um quarto, podendo usufruir de bons restaurantes e da vida noturna de Buenos Aires, com consumo de gasolina/táxi. Um aluno de faculdade pública pode desfrutar disso gastando entre 19.200 e 23.000 pesos argentinos. A mensalidade de uma faculdade particular encarece o custo de vida em cerca de 5.000 pesos, o que significa entre que sobe para a faixa de 24.200 a 28.000 pesos.

Solteiro (a)

A baixo custo: média de 20 mil pesos argentinos.

Modo econômico: média de 25 mil pesos argentinos.

Modo conforto: média entre 30 e 40 mil pesos argentinos, que equivale a diferença entre mensais.

Família

Para a família, depende de quantos filhos são, se eles irão estudar em escolas nacionais ou privadas e se a família irá ter veículo próprio. Portanto, os custos, comparados com os outros perfis, variam ainda mais.

As famílias que moram em Buenos Aires, por exemplo, com 2 filhos e sem veículo próprio, vivem em modo econômico com a média de 45 mil pesos argentinos por mês, sem qualquer tipo de regalias. Vale lembrar que essa é a cidade mais cara do país e que, à custa da crise econômica dos últimos anos, os preços estão bastante inflacionados.

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Visto para morar na Argentina

Para tirar o visto para morar na Argentina, independente de qual for o motivo de residência, deve-se procurar o Consulado mais próximo da área de residência. É possível conferir a lista de todos os consulados da Argentina espalhados pelo Brasil (com indicação de site, e-mail para contato, telefone e endereço) aqui.

Para morar na Argentina, é preciso solicitar o visto ideal para o motivo de sua residência (trabalho, estudo, negócios, etc). Após verificar com o consulado quais são os requisitos necessários para obter o visto, é hora de ter muita paciência para organizar todos os documentos. Dependendo do tipo de visto e também do consulado, os documentos podem mudar, mas os básicos e necessários a todo tipo de estrangeiro que quer morar na Argentina é:

  • Passaporte original com validade mínima de seis meses e pelo menos uma folha em branco disponível;
  • Prova de domicílio na jurisdição do Consulado escolhido;
  • Formulário de solicitação do visto;
  • Certificado de antecedentes penais emitido pela Polícia Federal Brasileira apostilado ou com firma reconhecida em cartório ou com a validação da internet quando solicitado pela internet no site dpf.gov.br;
  • 2 fotos 4X4, de frente, sem data, sem óculos, ½ busto, fundo branco, colorida.

Com a documentação em mãos, é preciso fazer o agendamento para entrega-la e fazer a entrevista. A marcação é feita por email diretamente com a repartição consular ou embaixada da área de residência. No dia marcado é a altura também de pagar a taxa do visto, que varia de acordo com o tipo. O visto, após todo o processo, sai no mesmo dia de visita ao consulado.

Estudar na Argentina

A Argentina é um destino de eleição dos brasileiros na hora de estudar fora, especialmente quando não se quer ir para muito longe de casa. Não faltam fatores que motivem essa decisão e os principais são

  • É barato estudar na Argentina – Com a moeda desvalorizada, as faculdades particulares e cursos profissionalizantes saem muito mais em conta. Além disso, o país conta com muitas universidades nacionais (públicas).
  • Universidades de qualidade – Muitas universidades argentinas estão na lista das melhores da América Latina, com destaque para a UBA (Universidade de Buenos Aires), que é inteiramente gratuita.
  • Não tem vestibular na Argentina – Não precisa prestar vestibular para ingressar nas universidades argentinas, nem mesmo nas públicas.
  • Reconhecimento nas áreas da arte e da medicina – Com grandes referências nessas duas áreas, atraem estudantes de toda a América Latina

Trabalhar na Argentina

Conseguir emprego na Argentina infelizmente não está fácil. O país enfrenta uma longa crise financeira, aumento do custo de vida e também a retração do mercado de trabalho. Não faltam vagas para trabalhos temporários ou ocupações menos qualificadas, mas a consequência direta são salários bastante baixos.

Neste momento, o rendimento mínimo no país é de 10.700 pesos argentinos. Até junho de 2019, o governo quer aumentá-lo gradativamente até 12.500 pesos para conseguir acompanhar a inflação e combater a crise.

Quem tem qualificação, pode conseguir boas vagas procurando emprego pela internet. Existem sites com vagas em todo o país, como o Bumeran e o Infojobs, por exemplo.  Vale lembrar que, para isso, é preciso ter espanhol em nível pelo menos intermediário e documentação regularizada que autoriza o estrangeiro a trabalhar no país. Além disso, o inglês também é bastante valorizado no mercado de trabalho local.

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Vale a pena morar na Argentina?

Por mais que essa pergunta seja subjetiva, pode-se apontar o que os brasileiros mais gostam e menos gostam ao morar na Argentina. Não é difícil encontrar relatos online de conterrâneos sobre os principais pontos positivos e negativos do país.

Uma experiência marcante e definitiva para a vida

Qualquer pessoa que decida morar fora do seu país de origem vai viver uma experiência diferente e, na maioria dos casos, extraordinária. O aprendizado é grande, pois é preciso adaptar-se a um novo ritmo de vida e uma nova cultura.

Com isso, virão novos amigos e a quebra de muitos preconceitos. Portanto, quem quer uma mudança na vida, morar na Argentina pode ser exatamente aquilo que falta.

Cultura e agito

A Argentina é um país com cultura rica, diversa e que os brasileiros costumam apreciar e adaptar-se com facilidade. Além disso, o povo argentino tem costume de participar de eventos culturais, em celebrações tradicionais festivas que exaltam a identidade do país.

Estudo

É incrível a quantidade de cursos baratos que Buenos Aires e outras cidades interioranas da Argentina oferecem. Os custos são baixos e a variedade é imensa.

Quanto ao ensino regular, as universidades nacionais oferecem ensino superior gratuito e de qualidade. Além disso, as universidades privadas são mais em conta que as brasileiras.

Complicada situação política e econômica

Mas, como nem tudo são flores, instabilidade é uma palavra recorrente por lá. Com cenário político em conflito há anos e com a inflação nas alturas, fica difícil morar no país. A moeda está desvalorizada, o preço do aluguel e da comida dispararam e todo o cenário afasta investidores estrangeiros.

Dificuldade de integração

Muitos brasileiros que moram na Argetina, em especial em Buenos Aires, relatam ter dificuldade em fazer amizade com os nativos.  É claro que existem exceções, mas o povo portenho tem hábito de se fechar em grupos de amigos argentinos e não se abrir a amizade com novas pessoas, incluindo estrangeiros.

No interior, a situação parece ser mais branda, mas ainda se confirma: os brasileiros costumam fazer amizade com a (grande) comunidade de compatriotas que está lá.

Comida

A comida brasileira faz muita falta, independente de qual país se vá morar. É possível encontrar comida brasileira por lá, mas, para quem está acostumado com o tempero brasileiro, conta-se que o arroz tem gosto de isopor, é raro encontrar feijão e o que se encontra é muito caro.

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