Morar na Malásia? Como assim? Este é o questionamento de muitos diante desse “recém descoberto” e exótico país asiático dentre os objetivos dos viajantes. Onde o novo e o tradicional se misturam, muitas possibilidades se abrem para quem nunca está satisfeito em ver mais do mesmo. Então por que não tentar? Veja quanto custa e quais os procedimentos para quem quer começar a vida – ou passar algumas temporadas – na Malásia.

Como morar na Malásia?

Com sol o ano inteiro, se você detesta o inverno, morar na Malásia pode ser uma opção. Não exclusivamente por esse motivo, a antiga colônia britânica oferece cenários para todos os gostos: desde grandes metrópoles como a capital Kuala Lumpur a lugares remotos cercados por cenários paradisíacos.

Com mais de 25 milhões de habitantes, de acordo com a revista International Living a Malásia é o terceiro país mais barato do mundo para se viver, considerando que um casal pode viver confortavelmente em um condomínio com vista para o mar gastando apenas US$ 1.700 por mês (algo em torno de R$ 5 mil).

Além dos visíveis benefícios de tentar uma vida nova por lá, a Malásia é um país conhecido pelas viagens médicas que levam milhares de pessoas a buscarem tratamento dentre instalações a profissionais malaios. Em 2013, por exemplo, o país atraiu mais de 700 mil pessoas com finalidades médicas. Outros veem na Malásia um refúgio para hibernarem enquanto o frio castiga o continente europeu.

Falando em refúgio, quem pensa em se aposentar no exterior possui uma série de isenções fiscais quando obtém visto de residência no país. Em adição, existe ainda a modalidade de ter a “Malásia como sua segunda casa”, em um programa do governo que leva esse nome. Com o inglês bem difundido – mesmo não sendo a língua local – pode ser interessante conhecer mais e levar a vida para um novo continente, com novos costumes e muito o que aprender.

Vistos de Residência

Para entrar no país, o brasileiro na condição de turista não precisa de visto, caso esteja em permanência máxima de 90 dias. Estando ele em período temporário na Malásia (não pretende morar em definitivo), é permitido sair do país após o prazo máximo e efetuar uma reentrada a fim de “zerar” esses dias, renovando-os por mais 90.

Agora, se a sua intenção é morar na Malásia por tempo indeterminado, será necessário cumprir com alguns requisitos para conseguir o visto de residência permanente. São as categorias:

  • Possuir alta renda: como na grande maioria dos países, ser detentor de grandes fortunas claramente te dará um espaço em território estrangeiro. E na Malásia não é diferente. Esta é a maneira mais fácil de conseguir uma residência, devendo o solicitante apenas abrir uma conta em qualquer banco malaio, depositando uma quantia mínima de US$ 2 milhões, que só poderá ser retirado após um período de cinco anos. Após esses anos, cônjuges e filhos menores de 18 anos também são elegíveis ao visto.
  • Profissionais qualificados: também como acontece em alguns outros países, profissionais altamente qualificados em áreas em demanda no país também conseguem visto mais facilmente. Os setores incluem manufatura, construção, plantio, agricultura e serviços. Solicitantes deverão apresentar uma recomendação da empresa ou agência contratante de seus serviços, bem como uma carta de boa conduta emitida pelo país de origem. A idade máxima é de 45 anos.
  • Profissionais: muito similar ao tópico anterior, profissionais não necessariamente de alto nível também podem aplicar ao visto sob os mesmos requisitos. Entretanto, como diferencial estes deverão estar trabalhando no país já há três anos consecutivos em agências do governo ou companhias privadas. Este visto costuma levar cerca de um mês para ser avaliado e aprovado – ou não.
  • Cônjuges: este é, sem dúvidas, o método mais utilizado para a obtenção do visto. Caso o solicitante seja cônjuge de um cidadão malaio, poderá solicitar a residência permanente após cinco anos de casamento (devendo permanecer na Malásia durante todo esse período). Também estão inclusos filhos, viúvos(as) e pais de cidadãos. Veja mais requisitos aqui.
  • Sistema de pontos: esta é claramente a opção mais interessante para quem quer conseguir uma residência na Malásia. Através desse sistema, são avaliados 7 diferentes critérios sobre cada solicitante, onde ao todo somam-se 120 pontos; são eles: idade (10 pontos); qualificação acadêmica/profissional (20 pontos); proficiência no idioma malaio (10 pontos); laços de relacionamento com malaios (30 pontos); tempo de permanência no país (10 pontos); investimentos na Malásia (30 pontos); experiência de trabalho na Malásia (10 pontos). Ao somarem um mínimo de 65 pontos, o indivíduo poderá então aplicar para o visto de residência.
  • MM2H: o também conhecido Malaysia My Second Home é mais uma alternativa para quem quer viver legalmente na Malásia. Esta é uma modalidade bastante utilizada por aposentados e outros estrangeiros que tenham renda fixa no país de origem. A permissão não dá direito a trabalhar em período integral na Malásia, mas o permite morar, estudar, matricular seus filhos na escola, comprar um carro, ter conta em banco e até comprar um imóvel, se assim desejar. Mais informações sobre a modalidade podem ser consultadas no site do programa.

Mais informações e instruções de como obter cada tipo de visto, bem como os de permissão e trabalho podem ser consultados diretamente no site da Immigration Department of Malaysia.

Batu Caves

Trabalhar na Malásia

Como já se pôde perceber no tópico anterior, existe uma série de possibilidades para se obter residência no país. Entretanto, quando o expatriado ingressa com a intenção de trabalhar, é necessário solicitar um work permit a fim de se legalizar nessa condição – e esse costuma ser um processo demorado e complicado. O governo malaio costuma segmentar as possibilidades em três diferentes permissões:

  • Professional Visit Pass: com duração média entre 6 meses a um ano, essa permissão é concedida a visitantes empregados por empresas estrangeiras, mas que estejam a trabalho na Malásia. Geralmente é solicitado por especialistas técnicos, trainees e voluntários.
  • Temporary Employment Pass: normalmente válido até 3 anos, podendo ser extensível anualmente, este é um visto direcionado a trabalhadores com pouca ou nenhuma habilidade nos setores de manufatura, agricultura, construção ou serviços.
  • Employment Pass: voltado a profissionais qualificados, principalmente em funções técnicas ou de gestão, é emitido por um período mínimo de dois anos. Antes da emissão, entretanto, o emprego do trabalhador estrangeiro deverá ser reconhecido e aprovado pelo Comitê de Expatriados ou pelo órgão regulador competente.

De todo modo, é importante frisar que nenhuma empresa malaia é autorizada a contratar um estrangeiro caso não possam comprovar que não há mão-de-obra competente para o cargo na Malásia. Ainda existe um salário mínimo que o estrangeiro deve ganhar para conseguir o visto no país. Algumas modalidades pedem para que o aplicante tenha ao menos 27 anos e contrato de RM$ 5 mil por mês.

Para começar a procurar por vagas e ter uma ideia inicial de quanto se pode ganhar em cada cargo, realize suas buscas em portais como o Monster, JobStreet, JobsMalaysia, Craiglist, Jora e BestJobs. Caso esteja buscando por emprego em multinacionais ou empresas maiores, pode confeccionar seu currículo em inglês; mas se estiver atrás de uma vaga, independente do porte da empresa, é conveniente ter um currículo no idioma local – sempre com foto.

Estudar na Malásia

De custo bem inferior quando comparado aos demais países do globo, estudar na Malásia pode ser uma excelente opção para quem quer conquistar um diploma de nível superior com qualidade, competitividade e baixo custo. Como exemplo, o portal Study in Malaysia coloca um programa de 3 anos em Engenharia sob custo estimado de RM$ 51 mil na Malásia (ou US$ 16 mil), enquanto o mesmo curso na Inglaterra custaria em torno de RM$ 144 mil (ou US$ 45 mil ou £ 30 mil.

Além do gasto com anuidade, o estudante deverá se atentar a demais taxas que podem surgir, como a de matrícula, utilização do laboratório (informática ou ciências), biblioteca, eventuais exames e outras.

Para consultar os cursos disponíveis, bem como o custo envolvido em cada um deles, algumas universidades de prestígio no país são a Universidade de Nottingham (com campus também na China e Reino Unido), Asia Pacific University of Technology & Innovation, University of Malaya, International Islamic University Malaysia e Universiti Teknologi Malaysia, as quais podem lhe fornecer informações adicionais sobre os estudos na Malásia.

Depois de escolhida a universidade em que irá estudar, e aceito no processo seletivo, é preciso aplicar para um visto de estudante; o que é relativamente fácil. Alguns dos documentos necessários para aplicar ao visto são uma foto tamanho passaporte, cópia da folha de identificação do passaporte (preferencialmente com validade mínima de 12 meses), carta de aceitação da universidade, certificados ou diplomas acadêmicos anteriores, laudo médico (laboratorial e raio-x peitoral), dentre outros que podem ser conferidos integralmente no portal Education Malaysia Global Services.

Sobre o custo de vida, costuma-se estimar um gasto médio entre RM$ 1.000 e RM$ 1.500 mensais, incluindo acomodação, alimentação, roupas (lavar, secar e passar), transporte público, contas básicas, telefonia, livros e materiais didáticos, seguro saúde, e demais despesas pessoais. Para calcular todos os gastos que o estudante terá no quesito vistos e seguros, o EMGS também oferece uma calculadora para tais despesas. Em universidades públicas, utilizando as instalações da própria instituição para tratamento médico e cotando os menores valores disponíveis, o valor do visto sai em torno de RM$ 1.614.

Tanjung Bungah

Custo de Vida na Malásia

Quando falamos sobre custo de vida, morar na Malásia pode ser a solução para os seus problemas. Afinal, tendo a capital como comparativo, Kuala Lumpur é uma das capitais com menor custo de vida no mundo. Já em um panorama geral, o salário médio em todo o país está em torno de RM$ 3.390,80 (a moeda é o Ringgit) de acordo com dados do Numbeo, o que seria algo como R$ 2.436,97. Ou seja, R$ 1 equivalem a RM$ 0,72, tornando ambas as moedas de poder semelhante.

Considerando os gastos para grandes cidades, como Penang, Johor Bahru e a capital Kuala Lumpur, ficam estimados os seguintes gastos para diversas necessidades:

  • Internet: a partir de RM$ 100 por mês através de empresas como a Streamyx ou Unifi;
  • Televisão: para assistir à TV local, dentre outros canais, costuma-se assinar a Astro, que custa a partir de RM$ 50 mensais;
  • Celular: a partir de RM$ 20 pode-se adquirir um chip pré-pago de empresas como a Hotlink, Digi ou Celcom. Entretanto, se quiser adicionar um pacote de dados ao seu telefone, os custos passam dos RM$ 100 mensais;
  • Transporte: variável de acordo com a cidade em que se vive, o custo dos transportes públicos ficam entre RM$ 1,20 e RM$ 2,50, considerando ônibus e metrô;
  • Eletricidade: a partir de RM$ 80 mensais. Com uso de ar-condicionado sua conta pode chegar aos RM$ 250;
  • Água: este é um consumo bem baixo na Malásia, e mesmo se você tomar dois banhos por dia, o gasto será em torno de RM$ 5 a RM$ 10 mensais;
  • Gás: no país é bastante comum comer fora de casa, portanto o consumo de gás também é baixo. O custo para recarregar o gás fica em RM$ 25 pela entrega + RM$ 50 pela recarga.

Quanto à moradia, os custos se assemelham bastante a algumas regiões do Brasil. A exemplo, o aluguel de um apartamento de um dormitório em áreas centrais podem custar de RM$ 700 a RM$ 2.700. Fora do centro, esse mesmo imóvel tem custo entre RM$ 400 e RM$ 1.500. Caso pretenda dividir uma casa ou apartamento com mais pessoas, o quarto sai por RM$ 400 a RM$ 800, já com despesas inclusas. Lembrando que preços em grandes cidades como Kuala Lumpur podem ser até duas vezes superiores.

Sobre alimentação, os custos são bastante otimistas, podendo gastar RM$ 500 se quiser comer fora todos os dias ou RM$ 350 para cozinhar sua comida em casa. Agora, se você gosta de sair para tomar uma cervejinha, morar na Malásia vai te fazer repensar o hábito, uma vez que bebidas alcoólicas no país são relativamente caras.

De toda forma, moradores afirmam que com um salário de RM$ 2.500 (abaixo da média nacional), mesmo com a taxa de 26% paga ao Governo, é possível viver bem no país, sobrando uns trocados para explora-lo no tempo livre.

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