Trabalhar em Portugal: Deus me livre, mas quem me dera

É ruim, mas é bom...

Enfia na cabeça que trabalhar em Portugal e ganhar em euros deve ser bom.

Aí descobre que os salários no país são baixos. Que dá para viver, mas é aquele aperto.

Mas aí se sente no lucro quando lembra que tem direito a dois dias de férias por mês e não é preciso esperar as férias vencerem como no Brasil para poder tirá-las.

E então lembra que a empresa prometeu um contrato  de trabalho tem tempo e que ainda está emitindo um tipo de nota fiscal chamado recibo verde, sem direito a 13º, férias e outros benefícios.

No entanto, pensa que pelo menos está vivendo na Europa, onde há voos muito baratos e que até poderia cruzar uma fronteira e voltar em um final de semana do tipo “vou almoçar em Paris e já volto”.

Mas depois chega no trabalho e se depara com uma série de tarefas que não dá para fazer em oito horas, mas o chefe diz que não pode sair sem terminar. Pergunta se o tempo que ficar a mais é contabilizado em um banco de horas ou pago em hora extra. Descobre que nem um, nem outro.

Lembra dos direitos trabalhistas que tinha no Brasil, acha meio injusto, mas aí pensa na crise em que o país está agora, pensa nos amigos e familiares sem emprego e chega à conclusão que tem mais é que agradecer, porque pelo menos tem um emprego para pagar as contas.

Aí recebe no final do mês e fica triste porque sobrou menos que da última vez. A conta de luz subiu, o leite e a carne estão mais caros, surgiu uma cárie para tratar e isso não é de graça.

Então lembra que pelo menos vinho ainda é barato, se junta com os amigos e finge ser chic comendo variedade de queijos na mesa da sala.

Mas aí lembra que vai ter que mudar de casa em breve, porque vão vender a sua para algum empreendimento turístico e que vai ter que gastar quase todo o seu dinheiro só com o aluguel novo.

Mesmo assim acha que não vale a pena voltar para o Brasil porque pelo menos em Portugal tem mais qualidade de vida, segurança e essas coisas todas.

Tenta fazer um plano de dez anos para ver quando vai conseguir começar a juntar dinheiro e quem sabe comprar uma casa um dia. Pergunta aos amigos como fizeram e vê que a maioria que conseguiu teve a ajuda dos pais e nota que quem não conseguiu escolheu viver em outro país.

Mas aí pensa que quem precisa mesmo dessas coisas materiais? Que ainda é jovem e o importante é que pelo menos o dia de hoje está garantido e que importa é ter saúde.

Aí chega um dia que bate uma gripe daquelas e no sofá de casa começa a se preocupar com a vida adulta de novo. Pensa se não está reclamando de barriga cheia, mas lembra também de tudo que arriscou e de todos que deixou para trás. Pensa em coisas como providenciar um contato de emergência para caso (Deus o livre) precise um dia e em como vai conseguir pagar aquela multa surpresa que chegou das Finanças.

Pensa em tudo de novo e pondera se é melhor aqui ou lá. Já nem sabe.

Entre uma angústia e outra, chega à conclusão de que trabalhar e morar em Portugal é o famoso é bom, mas é ruim. Um eterno misto de Deus me livre, mas quem me dera.

 

Este conteúdo é de total responsabilidade do autor da coluna Nataly LimaSiga a autora no Instagram.

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