Se tem uma coisa que eu curto fazer quando viajo é visitar os brechós da região. Além de ecologicamente sustentáveis, eles podem ser uma ótima fonte de peças exclusivas.

E muitas vezes mais interessantes financeiramente falando também (embora caibam algumas observações sobre as quais já falarei)!

Se o brechó for dos bons, você ainda vai encontrar peças com qualidade superior às que encontraria nas lojas normais. Isso acontece porque roupas de brechós bacanas normalmente são mais antigas e/ou de marcas com uma maior preocupação com a qualidade dos materiais – e, por isso, de durabilidade maior.

Você lembra das suas roupas antes da onda da fast fashion, dessa moda que muda a cada 2 semanas? Pois é. Existe uma coisa chamada obsolescência programada e ela é a responsável para aquela camiseta não durar muito mais do que 4 lavadas. Com roupas mais antigas, a questão da obsolescência programada rolava de uma forma menos cara de pau.

Mas apesar dessas vantagens, ainda é legal ficar esperta pra não cometer os erros das compras normais e gastar um monte em peças que você não vai usar.

Por isso, além das dicas da minha penúltima coluna, sobre como comprar melhor em viagens, é legal pensar em outros fatores.

Saiba onde comprar

Primeiro, faça uma seleção dos lugares que você vai visitar. É claro que um olho treinado (e paciente) encontra pérolas mesmo naqueles bazares bagunçados de igreja, mas as chances são menores – e se você está apenas de passagem pela cidade, não vai querer perder tanto tempo assim procurando roupa, certo?

Se abra para novas possibilidades

A minha amiga Flavia Saad sabiamente diz que em brechó é a roupa que te escolhe. E é bem por aí.

Ainda vale a lista do que tá faltando no armário, mas, ao contrário das compras em lojas convencionais, não é porque você colocou uma peça específica que vai encontrá-la. Nesse caso, é mais importante pensar em “parte debaixo em cor neutra, que possa ser usada no trabalho” do que em “calça reta preta”, por exemplo.

Além do mais, embora seja possível encontrar bons básicos nos brechós (eu encontrei malhas de cashmere por um preço bem bom em São Francisco, no ano passado), o bacana mesmo é procurar por aquela peça diferente que vai dar uma virada no seu armário, sabe?

Defina um orçamento

Dependendo do lugar, é muito fácil comprar cinco peças ótimas pelo preço que pagaria em apenas uma delas, se fosse nova. Ou seja, as chances de você entulhar seu armário novamente, se não se controlar, são bem grandes.

Antes de passar no caixa, faz aquele ritual de respirar fundo e checar a lista de peças necessárias. Essas que você quer levar cumprem a mesma função de alguma delas?

E se aquela peça incrível aparecer, mas não se relacionar com nada na sua lista, avalia se o preço vale a pena, em quantas ocasiões pode ser usada e em qual momento da vida ela vai caber.

Tirar do brechó pra deixar de castigo no armário por não ter onde usar não vale!

Tenha a santa paciência

A ideia não é perder tempos preciosos de passeio enfurnada em uma loja atrás de roupas, mas é fato que não dá pra ser tão direta em um brechó quanto a gente pode ser em uma loja de shopping.

Garimpar é preciso.

Alguns brechós são bem arrumados, mas na maioria deles a categorização das peças não faz lá muito sentido. Você também precisa considerar a enorme possibilidade de achar uma blusa incrível e descobrir que o tamanho tá longe de ser o seu.

Ah, os detalhes!

Se o brechó for bacana e trabalhar com marcas mais importantes ou até peças vintage de verdade, provavelmente ele não vai ser tão barato. Mas muitas vezes vale mais a pena do que comprar roupa nova no outlet!

Sobre preço, ainda vale ficar bem de olho porque aqueles brechózões baratex andam vendendo muita roupinha de fast fashion cobrando até mais caro do que o preço da loja!

Então é legal prestar atenção nisso. Da última vez que fui a Nova York, em 2016, passei por vários brechós e fiquei surpresa com a quantidade de peças da H&M e da Zara sendo vendidas nesses lugares.

Sobre os detalhes, ainda é especialmente importante checar a necessidade de alterações e os cuidados com a etiqueta.

Olha só, dá pra usar roupas de décadas passadas hoje e transformar a cara delas sem parecer uma caricatura? Dá muito! Mas muitas peças pedem alterações para que pareçam mais atuais (ou se acomodem melhor ao seu corpo mesmo). Então é legal pensar sobre o custo disso antes de decidir a compra!

Além disso, algumas peças mais preciosas pedem lavagens especiais, o que envolve alguma grana.

Foto: Beacons Closet / Divulgação

Brechós em São Francisco

Os brechós da Haight Street em São Francisco são os mais famosos da cidade, mas na maioria deles você encontra peças realmente antigas (de outros séculos, até), que valem mais para o pessoal que trabalha com figurino ou coleciona artigos de vestuário do que para quem quer dar uma lapidada no armário.

As peças mais “usáveis” que encontrei foram no Held Over e no Crossroads (uma rede que também tem lojas espalhadas por NY). Se você estiver com tempo, talvez dê mais sorte nas lojas menores das travessas do que na própria Haight.

Brechós em Nova York

A cidade tem uma infinidade de opções, incluindo redes grandes – como o Buffalo Exchange e o Beacon’s Closet (ambos com unidades espalhadas por vários bairros). O Beacon’s é o meu favorito, mas eu acabei descobrindo alguns outros quando estive lá da última vez, no ano passado.

Inclusive, gravei um vídeo mostrando alguns deles e também um papo com a C.C. McGurr, uma francesa dona de uma verdadeira vintage shop no Williamsburg que só trabalha com peças de antes dos anos 2000.

Em NY, acho bacana também passar pelos Flea Markets espalhados pela cidade (especialmente durante a primavera e o verão). Nem sempre as peças são baratas, mas rendem achados fantásticos.

Brechós no Brasil

A cultura de brechós no Brasil é relativamente nova. Por aqui, o pessoal usa mais grupos do Face e sites como Enjoei, mas já é possível encontrar brechós legais em várias cidades (especialmente nos grandes centros das capitais, como SP e Rio).

Apesar de ter alguns que gosto mais, como os da Augusta e da Vila Madalena, quando eu tô afim de garimpar algo por aqui, procuro no Mapa da Mina do Roupa Livre antes. Um mapa colaborativo em que vale pesquisar antes de montar o seu roteiro.

Este conteúdo é de total responsabilidade do autor da coluna Érica MinchinSiga também o site da Érica.

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Sobre o Autor

Érica Minchin

Profissional de consultoria de imagem e apaixonada por viagens, acredita que as roupas podem facilitar nossa comunicação com o mundo e ilustrar as melhores lembranças. Busca ajudar na construção de um estilo pessoal que seja adaptável mesmo às viagens e mudanças.

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