Chamo todo mundo de bebê e de môr. Em inglês: babe, luv. Digo que amo as pessoas, assim, do nada, e por qualquer motivo. O chef da cozinha me ajudou a servir um prato que o cliente estava esperando há tempos? “Thank you so much! Love you, you are the best!”. Assim mesmo, exagerada. Meu marido, que é europeu, estranhou no começo. E a maioria dos europeus (esquece os italianos e os espanhóis!) que eu conheço por aqui tem a mesma reação.

Eu não sei se sou assim por causa da cultura brasileira ou só piauiense/nordestina mesmo (em Teresina, as vendedoras usam uma gama de apelidos carinhosos – do “meu anjo” até o “meu bem” – para aumentar as vendas). Mas por aqui é estranho, às vezes até inapropriado. Não que os europeus sejam todos frios e distantes… porém, leva um tempo para que eles aceitem essa intimidade toda – Beijinho no rosto? Vá lá, esse não é tão exagerado assim! Mas abraço? Só se for muito amigo!

Não sei se é o inverno, pessoas presas em seus casacos, onde camadas de roupa protegem do contato físico… enquanto que Nordeste brasileiro, o negócio é pele à mostra e contato físico direto. Somos abertos e calorosos assim em público mesmo – há exceções, é claro, já que sempre há aqueles mais reservados. Eu, porém, sou do outro time, sem reservas.

Mudei de endereço no trabalho. E é ao conhecer um time novo que me lembro dessas diferenças culturais. Quando chega aquela menina meio louca, com um sorriso largo, chamando todo mundo de meu amor e meu bebê. Mas o tempo é meu amigo em questão de conquistar intimidade – e com ela, camaradagem.

Só levou uma semana para que eu fosse apelidada de “babe” manager. Os espanhóis e italianos já são da turma do abraço. Os chineses são tímidos, mas já começaram a me chamar de “babe” de volta ou de “my love”. Um deles já me chama exclusivamente de Bubby – o que quer que Bubby signifique.

Os húngaros são mais fechados – mas meu marido é húngaro, e se eu mencionar as poucas frases que eu aprendi nessa língua estranha, eles já se abrem um pouco mais. Os poloneses ainda não consegui decifrar.

Até agora o que valeu mesmo foi ser sincera, mostrar emoções reais. É aí que você ganha. Especialmente se você está tentando conseguir a confiança e o respeito de um time onde você tem a função de líder. Porque a verdade mesmo é que eu sou que nem as vendedoras lá do Centro de Teresina, há um propósito em tratar as pessoas assim, com carinho. No restaurante anterior, o apelido no início foi de Mamacita, graças aos espanhóis. Mas, quando saí de lá, saí Patrona. Porque a gente é doce, a gente abraça, a gente é meiga, mas a gente não vacila.

Este conteúdo é de total responsabilidade do autor da coluna Lívia Moura.

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Sobre o Autor

Lívia Moura

Jornalista de formação, social media de experiência, graphic designer na minha imaginação. Do Piauí, cruzei o Atlântico e cá estou, em Londres. Como diria a Rainha Elizabeth I: video et taceo ("Vejo e digo nada").

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