Muitas vezes amigos e conhecidos me perguntam: “ Você prefere o Brasil ou a Austrália? ”

Eu nunca tenho uma resposta direta para o questionamento, pois ao meu ver esta não é uma questão assim “preto no branco”, pois um não substitui o outro no contexto da minha história.

Morar fora do seu país de origem é como ter o coração partido em dois mundos e uma sensação incompletude eterna.

O Brasil sempre será minha casa, onde moram minha família e amigos de uma vida toda, minha primeira língua e um país com uma beleza, cultura, música e gastronomia de deixar muitos países, até mesmo a Austrália, com inveja. Por outro lado a Austrália é o país onde escolhi morar, onde vivem meu namorado e amigos incríveis que tive a sorte de fazer por aqui, além de ser um país também lindo por natureza, onde tudo funciona, ganha-se bem fazendo praticamente qualquer tipo de trabalho e com um estilo de vida que combina comigo.

Agora se a pergunta for: “Você prefere morar em Sydney ou São Paulo”? Eu não preciso nem de um segundo para responder: SYDNEY! Por quê? Aqui vai uma listinha:

1. Vida verde

Hora do almoço – Hyde Park

Eu sou daquele tipo de pessoa que precisa de fotossíntese, preciso do sol igualzinho a uma planta, o sol melhora meu humor, faz me sentir viva! Me lembro que há anos atrás quando trabalhava na região central de São Paulo às vezes saía para dar uma volta no  bairro no meu horário de almoço só para respirar um pouco de ar puro (ou fumaça de  ônibus mesmo). Depois de horas trancada dentro de um escritório eu procurava desesperadamente por um parque, uma praça verde, um lugar gostoso pra sentar ao sol…  e nada! Além da escassez de um pedacinho de natureza, a selva de pedra também não é  muito convidativa para este tipo de contemplação devido à questão de segurança pública (ou falta de).

Aniversário de amigos - Sydney Park

Aniversário de amigos – Sydney Park

Sydney tem uma quantidade imensa de parques espalhados pela cidade, grandes e pomposos como o Hyde Park, localizado no meio do CBD (centro comercial da cidade), ou parques menores presentes em TODOS os bairros!!!

Churrasqueiras, parquinho, piscina e natureza - Petersham Park

Churrasqueiras, parquinho, piscina e natureza – Petersham Park

O Petersham Park tornou-se o meu  favorito! O espaço conta com um enorme  campo de cricket/rugby, parquinho para as crianças, churrasqueiras e piscina pública  (paga-se AU$ $4.70 para utilizar a piscina) onde amigos ou famílias desfrutam dos dias ensolarados em harmonia.

2. Transporte

São Paulo é a terra da garoa, mas Sydney é a da tempestade. A semana começou chovendo? Então se prepara que a torneira não irá fechar tão cedo.

Claro que qualquer cidade grande enfrenta um certo nível de stress em dias de chuvas fortes, mas em Sydney o caos é controlado!! Sim, existem grandes chances do seu trem chegar um pouco atrasado (uns 5 minutos em média), mas nada que se compare a 4 horas na Paulista, Rebouças, Marginal, sem sair do lugar. Sydney tem trânsito, mas tudo depende do seu ponto de referência. Quando ouço um australiano reclamando dou risada, porque o cara não sabe o que é trânsito de verdade.

Eu não tenho carro por opção, ou porque simplesmente não preciso de um e considero isso, sim, um luxo, ao invés de o contrário. Morei  a maior parte da minha vida em Alphaville, onde carro sempre foi uma necessidade até mesmo para ir a padaria e muitas vezes pega-se trânsito em um trajeto de 10 minutos!

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Linha gratuita, que circula na principal avenida de Sydney.

O transporte público aqui não é barato, mas de qualidade. Eu trabalho no CBD e gasto em média AU$ 120 por mês (incluindo transporte público para lazer aos fins de semana), mas ainda assim sai muito mais barato do que as despesas de registro, seguro e manutenção de um carro.

Outro motivo é que mesmo se tivesse carro não o usaria para ir trabalhar, pois pegaria trânsito (moderado) na hora do rush, estacionamento na cidade custa uma fortuna, ainda mais abusivo do que o de São Paulo (se é que isso é possível!) e achar vaga na rua também é muito difícil. Além do mais, se você sair a noite com a intenção de tomar um drink, você não poderá dirigir….MESMO!

Comprar um automóvel na Austrália é bem mais barato do que no Brasil, mas em vez de investir em um carro, preferi investir em um ótimo fone de ouvido, um smartphone com grande capacidade de armazenamento recheado com uma ótima biblioteca de música e podcasts e sapatos confortáveis.

IMG_0490Minhas manhãs de stress, duas horas de marginal e atrasos constantes foram substituídas por uma caminhada saudável de quinze minutos para pegar o trem onde divido meu assento com estudantes ou alto executivos engravatados que também usam o transporte público.

3. Música, arte e cultura

Antes de vir para a Austrália eu estava com um pouco de receio sobre a cena musical que encontraria por aqui. Depois de anos trabalhando nesta área, em uma metrópole que transborda cultura, como São Paulo, minha visão limitada sobre Sydney baseava-se em um  estereótipo de praia e surf. Esperava por uma cidade sem muita cultura e um monte de bandas estilo surf music ou coisa do gênero, o que não me agrada muito. Logo percebi que estava completamente equivocada. A cena musical em Sydney é forte e diversa. Shows ao vivo de todos os gêneros acontecem semanalmente: indie rock, muito hip-hop local, (“Ozzy hip-hop”), jazz e DJ’s live acts (Drum & Bass, Garage, Glitch Hop, Dubstep, Techno and etc) em casas bem alternativas como: Good God Small Club na city, O Arts Factory na Oxford Street, o 505 em Surry Hills ou o Corredor e o Sly Fox  em Newtown, além dos milhares de festivais! Ahhhhh os festivais!

Em Setembro de 2014 Sydney foi nomeada pela quinta vez conscecutiva a capital mundial de eventos e festivais pela Associação Internacional de Festivais & Eventos (IFEA).

Praticamente todo mês tem algum acontecendo seja gastronômico, filme, música e arte.

Um conselho é tentar guardar uma graninha para o verão, quando acontecem os melhores festivais de música ao ar livre. Festivais de música de todos os gêneros, com duração de vários dias, direito a camping e imersão total no clima de festa acontecem durante todo o ano, não somente nas proximidades de Sydneym mas como pela Austrália toda.

Voltarei a este tópico em um futuro próximo com mais dicas 😉

4. O visual e as praias

Sydney ainda me faz suspirar com a sua beleza! A única outra cidade que visitei na vida que exerceu um poder igual sobre mim foi o Rio de Janeiro, mas eu não preciso discursar aqui sobre a beleza da cidade maravilhosa, né?

Fiquei completamente deslumbrada a primeira vez em que peguei a North Shore Line, a linha de trem que passa pela Harbour Bridge, conectando o centro a região norte da cidade!

Vista de dentro do trem na North Shore Line (Foto: Trip Advisor)

Vista de dentro do trem na North Shore Line (Foto: Trip Advisor)

O Ópera Bar é um bar ao ar livre, ao lado da famosa Ópera House que vale a pena visitar simplesmente para tomar um drink inserido naquele cenário.

Obviamente não há escassez de praias lindas em Sydney, mas além da beleza as praias contam com uma infraestrutura incrível tornando sua experiência ainda mais agradável. Banheiros com chuveiros, piscina, gramado com churrasqueira, tudo isso público, gratuito e organizado.

O ponto negativo para os brasileiros que adoram sua caipirinha é que o consumo de alcóol na praia é proibido…. pelo menos na teoria. Cada cabeça uma sentença, mas esteja preparado para um dia se for pego ter que pagar uma multa bem salgada.

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Bondi Beach

As praias mais badaladas são, Bondi Beach, Coogee, e Manly, as quais chega-se respectivamente de trem, ônibus e ferry. Só a viagem de Ferry até Manly já vale a pena. Bondi tem um ar assim meio californiano e considero Coogee a melhor das três  para comemorações e churrascos.

5. Segurança

Se tem uma coisa em Sydney que não tem preço é a tranquilidade com a qual pode-se circular pelas ruas seja de dia ou tarde da noite.

Durante um ano trabalhei fazendo eventos em casas de show, hotéis e etc. espalhados por toda a cidade e frequentemente meu expediente terminava de madrugada. Nunca tive carro então sempre precisei usar o transporte público para voltar pra casa. Em minhas caminhadas até a estação de trem ou ponto de ônibus, nunca me senti ameaçada de nenhuma maneira, andando em ruas escuras, a uma hora da manhã, com fone de ouvido despreocupada, até mesmo em Paramatta, que é considerada aqui uma área mais “perigosa”.

Em São Paulo, de madrugada, dependendo de onde estiver eu não paro nem em semáforo, com os vidros do carro fechados e portas trancadas.

O fato de não precisar constantemente olhar para os lados, para trás, segura a bolsa, esconder o celular é algo, meu amigo, que não tem preço nessa vida! Nos trens executivos e estudantes utilizam seus Mac Books, Kinders, Iphones de última geração sem a mínima preocupação.

Eu fui louca o suficiente de levar meu namorado, que é australiano, na 25 de Março em plena copa do mundo. Apenas falei: “Querido, segura a carteira, olhe para os lados e não faça cara de gringo!! risos! Ele adorou porque acho que nunca tinha visto nada igual!

Claro que não há como comparar a Austrália, onde quase não existe pobreza, com o Brasil onde milhares de pessoas lutam diariamente não para viver, mas para sobreviver onde é cada um por si e Deus por todos.

Por aqui também existe o lance da honestidade e não a mentalidade de querer se dar bem em cima do outro, o famoso “jeitinho brasileiro” (não que todos brasileiros sejam assim, por favor!). Australiano é certinho, educado, obedece a lei ou o bom senso.

Sabe aquele “malandro” que adora furar fila? Aqui ele vai passar vergonha!

Este conteúdo é de responsabilidade do autor da coluna Lado B.

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