Viajar sozinha: não estamos fazendo isso somente por nós, mas por todas as mulheres

Com dificuldade, peguei minha mochila cargueiro e coloquei nas costas. Dei alguns passos dentro do ônibus para dar sinal e percebi que duas mulheres olhavam para mim. Uma delas comentou com a outra – que menina corajosa de sair por aí sozinha e ainda com uma mochila pesada dessa.

Desci no meu ponto e imediatamente comecei a refletir sobre a situação. Depois de muito divagar, percebi que para aquelas mulheres eu era algo “diferente” e concluí que nem eu e nem outras mulheres, que viajam sozinhas, estamos fazendo isso somente por nós mesmas, mas sim por todas.

Se pararmos para analisar, antes de nós, muitas mulheres foram pioneiras em viajar sozinhas. Foram elas que enfrentaram diversas dificuldades para abrir esse caminho para nós. Inclusive, segundo Sonia Serrano, autora do livro “Mulheres Viajantes”, no século XX as mulheres que escreviam sobre viagem tinham que, com frequência, esconder seu gênero para cair no mundo. Jeanne Baré, considerada a primeira mulher a viajar, por exemplo, teve que se vestir de homem para embarcar em um navio, pois a marinha francesa não permitia a entrada de mulheres.

Essas mulheres, conscientemente ou não, ocuparam um espaço que nos era negado e a coragem delas, certamente, causou mudanças positivas e que desfrutamos nos dias atuais. No entanto, ainda que os caminhos tenham sido abertos para nós, há ainda muito o que recorrer.

É incomodo, na minha opinião, pensar que mulheres que viajam sozinhas ainda são vistas com estranheza. É antinatural ver que as mulheres possuem receio de viajar sem companhia, seja por medo ou por sentirem que precisam de alguém. Obviamente, isso acontece devido à estrutura sociocultural em que vivemos e que tem o machismo enraizado em sua base.

É justamente por isso que acredito que quando viajamos sozinhas não estamos fazendo isso única e exclusivamente por nós mesmas, mas sim por todas. Acredito que quando viajamos sozinhas estamos abrindo novos caminhos que podem causar mudanças no futuro para as mulheres que virão.

Por isso, confio que essas mudanças podem resultar em um mundo onde mulheres viajando sozinhas não sejam vistas com estranheza, mas como seres humanos exercendo seu direito de ir e vir.

Confio que, nós, mulheres que viajam sozinhas, estamos incentivando outras a fazerem o mesmo, mostrando que é possível quebrar as correntes do medo e que o mundo também é nosso. Acredito também que um dia nenhuma mulher irá olhar outra viajando sozinha e achar que isso é algo sobrenatural, pois a mesma terá em si que também pode fazer isso.

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