10 dicas para alugar casa no Porto sem perder a cabeça

Não tem jeito: mudar de casa é sempre uma atividade que exige paciência, tempo e dinheiro em qualquer lugar do mundo. Encontrar o seu home sweet home em outro país então, onde você não sabe muito bem ainda como as coisas funcionam, pode ser uma epopeia daquelas sem direito a final feliz. Ok, fui um pouco fatalista, mas a verdade é que pode dar muito errado sim.

Em quase 5 anos de Portugal e algumas frustrações imobiliárias, aprendi certos macetes a duras penas. Sabem aquela coisa de errando é que se aprende? Parece frase feita de vó, mas foi o que me aconteceu. Fora que, com a família crescendo, precisei dar valor a ainda mais detalhes que antes me passavam completamente despercebidos. Hoje eu vou falar sobre a minha experiência com essa roda viva chamada encontrar-um-lugar-decente-para-viver e, quem sabe, evitar que alguns de vocês caiam nas mesmas esparrelas que eu caí.

Caminhar, observar, alugar

O Porto está passando por um boom turístico atualmente e isso é uma autêntica faca de dois gumes. Por um lado, a cidade tem várias reabilitações em processo, certas zonas estão ficando muito mais habitáveis e, economicamente, todos esses fatores são excelentes. Por outro lado, a maioria esmagadora desses prédios reformados destina-se a aluguéis temporários, ou seja, quem vem para ficar não tem vez. Além disso, os preços para aluguéis de longa duração têm subido consideravelmente. Quando eu cheguei, em 2012, era possível alugar um T2 (apartamento com dois quartos) bem decente, em uma região bacana, por 300€, 350€. Em 2015, antes de mudarmos de casa, foram 6 longos meses de pesquisas, andanças e lágrimas até fecharmos um contrato que estivesse dentro das nossas possibilidades e desejos. Ok, ok, não estávamos dispostos a mudar para mais longe da Baixa e isso dificultou um pouco as coisas.

Senti que vocês já ficaram um pouco desanimados porque até agora só dei notícias meio ruins, não foi? Vamos passar à prática então: como encontrar aquela casa show, top, porreira, fixe? Separei alguns passos/dicas que podem ajudar. Não tenho os macetes de alugar quarto, o tipo preferido de acomodação dos estudantes. Então acho que o que direi a seguir será mais interessante para famílias ou quem pretende alugar uma casa toda sozinho.

1- Fuja dos acordos à distância

Penso que todo mundo faça isso, mas não custa lembrar: não fechem acordos à distância! Isso quer dizer, se ainda estiverem no Brasil, não se metam em contratos de longa duração sem conhecerem o lugar fisicamente. Por mais que as fotos sejam lindas, atrativas, não caiam nessa. Além dos vários golpes envolvendo esse tipo de coisa, a chance do lugar não ter nadinha de nada a ver com as fotos é gigante. O ideal é encontrar uma hospedagem temporária para os primeiros tempos.

2- Caminhar é fundamental

Procurem muito na internet, incansavelmente, mas sugiro que andem pela região em que querem morar também. Muitos dos senhorios são idosos ou não têm grande intimidade com computadores e preferem colocar mesmo placas de “Arrenda-se” nas janelas.

3- Agilidade

Quando encontrarem um lugar que achem que é O lugar, liguem de imediato. Não confiem em formulários da internet, emails, etc. Eu nem sou muito fã de telefones, mas, nessa situação, tem que ser. De um dia para o outro, a casa pode ter sido alugada.

4- Olho vivo com a umidade

O Porto é uma cidade muito, muito, MUITO úmida e isso interfere absurdamente nas casas. A grande maioria das habitações não tem isolamento, especialmente se estiverem localizadas na zona histórica, e isso pode ser um problema, inclusive, de saúde. Na casa em que morávamos anteriormente, sofremos muito com essa questão, ao ponto da minha filha mais velha estar sempre doente.

Por esse motivo, e acho que esse é o conselho mais importante que posso dar, optem, sempre que possível, por procurarem por casa no inverno. É nessa estação que todos os problemas, especificamente o de umidade, ficam visíveis. Como chove quase incessantemente e há pouco sol, fica mais fácil identificar as “bombas relógios” do local. Verifiquem paredes e tetos molhadas/suadas, com manchas, rachaduras. Vejam também se há entrada de luz em todos os cômodos, se passa muito ar pelas frestas das portas e janelas.

5- Pense na roupa

Se não têm ou pretendem ter uma máquina de secar, é importante verificar se há forma de estender a roupa. Uma varanda, debaixo de uma marquise e até um varalzinho do lado de fora da janela. Tudo é válido, menos varal no quarto ou na sala. Mais uma vez, o problema está no acúmulo de umidade dentro de casa, especialmente durante o inverno.

6- Não abra mão do contrato

O contrato é fundamental. Não aceitem proposta de aluguel sem o documento. É mais burocrático? Sim, há mais papelada para tratar, mas é fundamental na hora de resguardar os direitos do locatário. Além disso, desde 2015, os contratos devem ser registrados nas Finanças e o senhorio tem a obrigatoriedade de passar recibo.

7- Pechinche

A menos que o senhorio tenha deixado extremamente claro que não há margem para negociação, tentem pechinchar o valor do aluguel se ainda estiver um pouco acima do que pretendiam. Nós conseguimos uma redução de 25€ no valor da renda com uma pequena insistênciazinha. E, acreditem, parece pouco, mas faz toda a diferença.

8- Atenção ao problemas da casa

Especialmente nas freguesias mais antigas, prestem atenção na instalação elétrica da casa, sistema de aquecimento de água e afins. Se houver algum problema, mas escolherem o imóvel mesmo assim, garantam que o senhorio vai consertar tudo até a data da mudança.

9- Troque as fechaduras de todas as portas de entrada

Eu nunca tinha sequer pensado nisso, até ouvir umas histórias bem escabrosas sobre locatários antigos que entraram em casas que já tinha sido alugadas para outras pessoas. Mesmo que não seja para roubar ou fazer algum mal, é no mínimo assustador saber que alguém que você não conhece tem acesso à sua residência, não?

10- Questione as cobranças abusivas

Já ouvi diversos relatos de senhorios que desistem de alugar a casa assim que descobrem que os arrendatários são brasileiros. Felizmente, essa lamentável atitude discriminatória não acontece sempre. É normal, entretanto, que seja pedida uma garantia. No caso dos estrangeiros, como é mais difícil ter um fiador, solicita-se uma caução, normalmente correspondente a 3 meses de aluguel. Se esse valor cobrado for muito superior, desconfie e questione.

Uma coisa é certa: informação nesse sentido nunca é demais. Há quem julgue que, por sermos brasileiros, desconhecemos a realidade dos fatos em um país que não é o nosso. Obviamente que não chegamos aqui sabendo de tudo e mais alguma coisa, mas vamos aprendendo. Leiam sobre as leis, o que pode, o que não pode, direitos, deveres, etc.

Se você vai entrar nessa jornada em breve, boa sorte e vai dar certo!

Este conteúdo é de total responsabilidade da autora da coluna Uma casa portuguesa, tem certeza?

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