Acordei em Doutor Pedrinho às 7h da manhã. Não enxergava nada pela janela, de tanto que chovia, além de uma névoa densa que envolvia o carro. Tomei meu café da manhã e deixei alguns bons minutos passarem…

Eu tinha uma escolha a fazer, graças à mochila pesada que me fez diminuir o circuito de 8 para 2 dias. Ou eu concluía o circuito, que levaria mais uns 150 km de combustível, talvez algumas paisagens lindas e um dia de passeio, ou eu seguia para Blumenau e retomava minha bússola sempre em direção ao sul.

Blumenau sempre foi uma cidade vendida pra mim em São Paulo como “romântica e aconchegante, especialmente no frio”. Pensei comigo: sozinho como estou seguindo esse roteiro, de nada me adianta ser romântica…rs

Mas queria passar por lá, nem que fosse apenas por um ou dois dias. Além disso, já havia combinado com a Taise, uma amiga que mora em Brusque, que passaria alguns dias por lá e faríamos algumas trilhas. Havíamos, porém, combinado isso apenas para a semana seguinte, então eu tinha uma semana sem nada programado. Fui pra Blumenau.

No caminho, descobri que na sexta-feira, dia seguinte à minha chegada, começaria o Festitália, famoso festival de gastronomia e cultura Italiana. Bom, há quem discorde que o festival realmente represente a cultura italiana hoje em dia, mas me abstenho dessa opinião. Queria conhecer, então teria que passar ao menos duas noites em Blumenau. Só não fazia ideia de onde…

Pra não ir ao Festitália sozinho, convidei a Taise, já que Brusque e Blumenau são bem pertinho, e ela topou. Ainda assim, só a veria na sexta à noite, e ainda era quinta de manhã. What the hell farei esse tempo todo?!

Calma, o tempo há de te mostrar o que se fazer dele…

De Dr. Pedrinho a Blumenau não levei meia hora. Seria a primeira vez que faria uma das coisas que mais me perguntaram antes de eu sair de SP: arrumar o lugar ideal pra dormir na rua. Devido algumas observações que fiz no trajeto, percebi que o melhor lugar para pernoitar “de graça” seria num local que ficasse iluminado a noite inteira, se possível com movimento de pessoas e melhor ainda se houvesse alguma vigilância noturna (ao contrário do que eu imaginava antes, de dormir no canto mais escuro e isolado que encontrasse).

Então segui para o centro da cidade, e passei em frente a Vila Germânica, onde ocorreria o Festiália no dia seguinte, e onde todo bom bebum sabe que ocorre o October Fest. Cogitei dormir em frente à Vila, considerando um maior movimento e luzes acesas a noite toda. Mas ainda era de manhã, então preferi dar umas bandas com o Adventureiro e buscar algum “pico” bacana pra passarmos o dia.

Eu digo pra algumas pessoas que a viagem tem vida própria. Pode chamar de destino ou acaso, mas algo extra-ordinário acontece e nos direciona pra algum lugar, ou pra alguém (Ádito). Foi nesse momento que vi a placa “Recantos Naturais” e pensei: “que bacana! É bem isso que eu quero conhecer dessa ‘Blumenau Romântica”.

E assim segui. Placa atrás de placa, só pararia ao encontrar “Recantos Naturais, você chegou.”. Dirigi em torno de 20km e a placa continuava a me conduzir. A paisagem mudou, a cidadezinha charmosa ficou pra trás, assim como uma placa do Parque Ecológico SpitzKopf – que também me chamou a atenção, mas que passei direto – e um vale se formava na paisagem. O asfalto terminou e eu fiquei na dúvida de seguir. Cruzei uma ponte de madeira BEM TENSA e parei logo em seguida numa pousada super sofisticada que estava pra servir uma bela feijoada – perto do meio-dia – que me deixou muito tentado. Mas ainda não era ali. Perguntei à dona do local se havia algo mais adiante na estrada. “Não muito” ela me respondeu…mas não me convenceu. E depois descobri que foi um absurdo ela ter dito aquilo!

Exatos 5km à frente dessa feijoada, já no bairro Nova Rússia, uma placa indicava à esquerda “Recantos Naturais” e à direita “Pousada Rio da Prata”. Pra que lado eu segui? Pra Pousada Rio da Prata. Por quê será?

17-02

Ao entrar no sítio em que a linda Pousada tomou forma, um homem de chinelos, óculos apoiados na ponta do nariz para me enxergar por sobre eles, cortando uma laranja, vem me receber como se já estivesse me aguardando. Simpático, literalmente era como se ele me esperasse pra me cumprimentar, e foi assim que conheci o Mario. Em alguns minutos, contei minha alegre história e como havia parado ali. Ele, por sua vez, disse: “Meu filho quer fazer uma viagem assim! Ô Lucas, vem cá!”.

Um rapaz magro, pouco mais alto que eu, com barbas loiras e olhos claros, vestindo uma touca de algodão daquelas obrigatórias em cozinhas comerciais, sai pelos fundos da cozinha e me cumprimenta com a mesma simpatia. Mais alguns minutos de conversa sobre minha viagem, sobre suas ideias e sobre a pousada. Uma moça morena, com fisionomia indígena e orelhas furadas com grandes alargadores, com uma cara meio entristecida – no próximo post conto o porque – aparece e também me cumprimenta com simpatia. Mais ideias começam a pulsar, me sugerem contatos que eu posso vir a fazer no caminho, e sinto uma conexão estranha e forte com Lucas e Kaia, junto com aquele sentimento de que precisamos nos conhecer (na verdade, nos REconhecer).

17-03

Inundado por esse sentimento, do fundo da minha cara de pau, solto: “O que acham de eu ficar esta noite para ajudá-los com qualquer coisa que eu possa ser útil na Pousada? Temos tanto o que conversar!”

Obviamente com um certo estranhamento, aceitaram minha ideia maluca, e seu Mario de pronto acomodou a mim e ao Adventureiro num local plano. O pernoite estava seguro, mas nem me importava com isso. Só sentia que era ali, com eles, naquele momento que deveria estar.

Já volto pra explicar os motivos…

Pra conhecer a Pousada Rio da Prata Eco.

Fotos e comentários no Facebook: Efeito Borboleta (Victor Reider Loureiro)

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