Qual a maior dificuldade da viagem? Dinheiro? Coragem? Saudade? Medo? Pra mim, nenhum deles. Essas questões são tratadas em momentos de baixa ou alta intensidade, e estão presentes o tempo todo.

Mas o que realmente é difícil pra mim, principalmente nesse início de viagem, é o tempo. Passado, presente e futuro.

Lidar com o passado. Lembranças de toda uma vida, lembranças de pessoas, lugares, momentos. Lembranças de paixões, de família, de momentos que eu desejava que nunca terminassem.

Lidar ainda com o futuro. A expectativa de tanto que há por vir e ver, e viver. Tudo o que a imaginação pode criar, todo o vislumbre do próximo ponto de parada, das novas pessoas, novas experiências, novos momentos.

O passado promete muito, algo que não pode mais entregar. O futuro promete mais ainda, mas nunca se compromete a entregar.

Lidar com o presente. Curioso que o presente, se chame PRESENTE. Pois é ele, apenas ele, que realmente tenho. Presente, dádiva, algo que recebo impreterivelmente para que seja utilizado, pois, em seguida, o presente deixa de existir.

Eu já fiz essa viagem. Várias vezes, em várias dimensões diferentes. Ainda não é fácil pra que outros compreendam, eu também não tenho discernimento suficiente para explicar-vos como sei disso, mas sei. Seja nas viagens que fiz em vidas passadas ou futuras, ou em vidas paralelas a esta, cada decisão me leva a algum caminho igual ao ao de outras viagens, ou completamente diferente. Um vórtice temporal (ou atemporal) afinal, o que é o tempo? Como num Efeito Borboleta que se replica e replica e replica a cada ação, em cada dimensão.

Reconheço, pois, cada pessoa que acabei de conhecer. Já os vi antes, é um reencontro.

Revisito, pois, cada novo lugar que vejo pela primeira vez.

Reaprendo, pois, a cada nova escolha que já fiz outras vezes.

Recomeço, pois, a cada nova atitude que já tomei outras vezes.

Então o mais difícil, a respeito de tempo, é conciliar as lembranças perfeitas, as expectativas perfeitas, e o presente perfeito. A vida como é, já pode ser suficiente para se enlouquecer, caso não haja equilíbrio com o tempo. Numa viagem como esta então, onde o tempo é aliado e inimigo, muitas vezes meu único e maior companheiro, e tantas outras aquele que me tira o tempo junto àqueles que conheço. O tempo que voa, que me toma, que me distrai e me concentra. O tempo que me faz lembrar que estou sozinho, e que me faz pensar em todos de quem sinto falta. O que passam meus amados e amigos nesse momento? O que o tempo lhes traz agora, nesse mesmo momento em que sento-me a olhar a praia, a ler, a escrever, a pensar?  Será que o tempo que passa aqui pra mim é o mesmo tempo que lhes passa lá e ali?

Desse tempo que somos prisioneiros nessa vida, que seja apenas uma vida até que se prove o contrário, ou que sejam várias vidas até que se prove o contrário. O tempo estará presente enquanto houver vida (ou a vida apenas existirá enquanto houver tempo).

Tempo, ainda tens muito o que me mostrar. Me despertas o desejo de agradecer-te, pois tanto me destes. Por outras vezes quero questionar-te por quê tanto tempo me tiras? Mas respeito-te, tempo. Prevalecer-me-ei em agradecer-te.

Fotos e comentários no Facebook: Efeito Borboleta (Victor Reider Loureiro)

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Sobre o Autor

Victor Reider Loureiro sai pelo mundo pra provar que o bater das asas de uma borboleta pode causar um tufão do outro lado do planeta. Escreve na coluna "Efeito Borboleta".

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