Vale Europeu e o cicloturismo de carro! – Parte 1 #15

É. Cicloturismo de carro!

Um dos principais pontos do meu planejamento e preparação pré-viagem era trazer a bike comigo. Já tinha uma bike bacana, comprei um suporte pro carro, montei tudo um dia antes de partir e…bom, não deu certo. Seria mais uma dor de cabeça do que uma vantagem.

Mas um dos motivos de eu querer trazer a bike era pra fazer o cicloturismo do Vale Europeu. Eu havia visto essa super ideia num programa de TV havia alguns meses, e parecia ser fantástico. Saí de Joinville e parei em Pomerode, uma das cidades do circuito, que também pode ser feito a pé ou de carro.

Pomerode é uma graça de cidade. Entrei no centro de informações turísticas, cheio de folhetos e informações, mas pouco se falava de forma tão importante sobre o circuito como eu imaginei que falassem. Dali, caminhei até a primeira loja de bikes que encontrei, onde o rapaz que me atendeu, ofereceu: “Opa, você pode alugar a bike aqui com a gente, o circuito é fera. Quanto? Ah, só 80 reais por dia”.

Dentro da minha cabeça: UQUÊÊÊ??!! Tá dizendo que se eu ficar os 7 dias que o circuito propõe eu vou gastar 560 reais só de aluguel de bike?! Tá maluco?! É o valor de uma bela bike nova (melhor que a que eu tinha em casa, inclusive!). Não tava pensando em gastar isso nem com COMIDA nos próximos 12 meses! Viajou?!

Realidade: Pô cara, bacana, você faria um desconto? Vou dar uma olhada em Timbó, onde o circuito começa, e qualquer coisa eu passo por aqui de novo. Valeu mesmo, amigo!

2

Cheguei em Timbó e fui direto ao ponto de partida do circuito. O dia estava agradável, estava perto da hora do almoço. O ponto de partida é no restaurante Thapyóka, um lugar bem estruturado, que fica bem à margem do rio. É lá que tem a famosa ponte que conecta o circuito. O lugar é muito bonito.

Fui pedir informações para alguém nos fundos do restaurante, e dei sorte de encontrar justo com o dono. Ele sentou-se gentilmente em uma das mesas comigo e me explicou sobre os guias, planilhas, mapas, tudo. Foi quando contei minha alegre historinha: “Sou um viajante, tenho uma grana curta pra fazer a viagem, será que existe alguma chance de eu fazer esse trajeto sem gastar nenhum tostão?”. Claro que não foi isso que eu disse, mas o simpático homem me emprestou uma bike simples que ele tinha guardada (tudo o que eu precisava), me deu os mapas e disse que eu poderia deixar o carro seguro no estacionamento do restaurante (que também possui uma balada bem bacana). Fiquei extremamente feliz e sou grato até hoje por sua gentileza. Novamente a viagem se provou eficaz em sua proposta de humanidade e gentileza.

Feliz com o que se construía, arrematei um quiche de abobrinha com queijo espetacular que a Amanda Marfil havia me dado de presente, e de sobremesa uma torta de banana também da cozinha da Amanda. Passei o resto da tarde ouvindo uma boa música, escrevendo no diário de bordo (ainda completamente envolvido pelo encontro com a Juliana e comigo mesmo desde que ela apareceu), e preparei minha mochila, que me acompanharia pelos próximos 7 dias de bike pelo vale. Mochila esta, vilã e heroína da história.

Eu, jumento que fui (quase que literalmente, pois nem jumento carregaria essa carga), fiz uma mochila com uns 12kg. Sem bagageiro, me meti a besta de colocá-la nas costas, mesmo já tendo lido na internet (e nem precisaria ler pra sacar), que seria uma péssima ideia. Ainda assim, cheio de vontade e disposição, saí às 7h30 com aquela Buta mochila nas costas, pedalando. “Ah, o dia está tão lindo. Pedala, tira foto. Ah, que gostoso pedalar, nem sinto a mochila pesar…”

3

Victor, Victor. Entraste tanto em contato com seu menino ingênuo interior, graças a teu prévio encontro, que guardaste o menino e mantiveste a ingenuidade!

“Bom, vou manter o ritmo, pedalar 30 minutos e descansar 5”. Primeira parada, tudo certo. Segue o ritmo. Aos 20 minutos já senti a perna cansar, as costas começarem a ceder um pouco, os ombros tensos e o fiofó com aquela dorzinha comum pra quem fica um bom tempo sem andar de bike. Parei com 20 minutos e descansei 10. Voltei a pedalar, por 10 minutos, descansei 15. Aí eu vi que a coisa tava ficando feia mesmo…

Após percorridos 12 quilômetros em 2 horas, me arrastando por estradas de terra e chão batido, encostei na calçada, na pequena “Nossa Senhora das Dores”. Não poderia ter sido um local de nome mais apropriado pro que eu estava sentindo. Com a bike jogada ao chão, a mochila jogada ao lado, eu pingando suor, um ciclista profissa, de uns 50 anos e no auge da boa forma (eu até que não estava fora de forma, mas o cara me deixava no chinelo), parou ao meu lado, com sua bike que não devia pesar nem 3 kg, já dando risada de mim.

Simpatia de homem. Obviamente me repreendeu de todas as maneiras possíveis pela gafe que eu estava a cometer ali. Carregar uma mochila daquela nas costas num trajeto que totaliza 300 km por 7 dias em 13 cidades. Cada trajeto diário tem cerca de 40 km. Mas ainda que me dissesse tudo que eu merecia ouvir, o gentil ciclista ainda tentou me encorajar a continuar! Disse que se eu fizesse toda a travessia, ainda que fosse só até Pomerode, a 30 km de onde eu estava, e considerando que eu nem havia começado a subir o nível de quase 200 metros de serra, eu seria um super herói. Teria alcançado o que poucos conseguem. Claro, meu lado super herói ficou tentado, mas meu bom senso falou mais alto.

Só não falou mais alto que as dores que eu sentia. Voltei pelo caminho mais prático, todo asfaltado da rodovia, que encurta o retorno pra 10 km dos 12 que eu já tinha percorrido. Coisa rápida, em menos de uma hora dá pra fazer. Só que eu levei mais 2 horas e meia…

Enquanto eu parava vinte vezes pra me recompor, o ciclista foi e voltou, passou por mim umas quatro vezes.

Penei até chegar no meu querido Adventureiro, que me aguardava com saudade no Thapyóka, mas que ria muito enquanto eu me aproximava. Querido, me acolheu num sono profundo que me tomou a tarde todinha.

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Usei o fogareiro portátil pela primeira vez e preparei uma gororoba exatamente como a Mi havia me orientado. Ficou delicioso! Macarrão com linhaça, quinoa e outros ingredientes pra repor meu gasto estrondoso de energia, e capotei mais três vezes até o fim do dia.

O jeito foi sair na manhã seguinte, de carro mesmo, e conhecer todo o trajeto que me diziam ser tão lindo, mas sem a bike. O trajeto que leva 7 dias, eu faria em apenas 2, sendo que na metade do caminho meus planos mudaram.

E adoro quando isso acontece!

Fotos e comentários no Facebook: Efeito Borboleta (Victor Reider Loureiro)

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