Como viajar com seu pet para a Europa: o caso do Fred

Olá, tudo bem?
Basta me conhecer um pouco pra saber que um dos meus principais motivos de ter criado o canal e a coisa que eu mais gosto de falar é sobre: viajar com seu pet! É importante deixar muito claro que esse conteúdo é baseado na experiência que eu tive ao trazer meu cachorro para Portugal em Agosto de 2016, eu vou procurar mantê-lo sempre atualizado.

Atenção, em 2018 houve o descadastramento da Zoonose de São Paulo para realização da sorologia, em breve atualizo as novidades!

O Fred está perto de completar 4 anos, é um cãozinho muito tranquilo, dócil, obediente e completamente obcecado por brincar de bolinha.

Não tinha como ser diferente, desde a primeira vez que cogitamos a possibilidade de mudar pra cá (ou pra onde fosse) nosso principal foco e preocupação foi: como levaremos o Fred?

Foram noites mal dormidas, muita pesquisa na internet, assisti aos mesmos e pouquíssimos vídeos que encontrei sobre o assunto, perguntei para pessoas que já tinham passado por isso, conversei muito com veterinários e adestradores pra entender os efeitos que essa mudança poderia causar nele, enfim, me informei de todas as maneiras possíveis para que não tivesse nenhuma surpresa e tudo corresse da melhor maneira possível.

No meu canal tem uma playlist exclusiva pra isso. Super indico a você que vai passar por tudo e se restar alguma dúvida eu fico a disposição para esclarecer algo que tenha esquecido de citar (na descrição de todos os vídeos você encontra um e-mail para falar comigo).

O processo

A primeira coisa que você deve fazer se pensa em trazer seu cão para União Europeia é aplicar o Microchip, que nada mais é do que um “dispositivo” que é colocado por baixo da pele do animal, é do tamanho de um grão de arroz (mesmo! rs) e é aplicada de forma rápida e praticamente indolor (eles usam uma agulha que você, mãe/pai ansioso, preocupado e desesperado assim como eu, vai ficar desesperado quando ver, mas eu JURO é MUITO rápido, eles não sentem praticamente nada, na seringa tem uma mola que empurra o microchip pra debaixo da pele em fração de segundos ).

O Microchip deve seguir as normas internacionais e ser de acordo com o ISO 11784/11785, é legal (bom e indicado) que você peça para o veterinário ler o chip sempre que der – sim, sou exagerada em conferir tudo mil vezes – antes da viagem para ter certeza que o chip está funcionando e você não terá nenhum imprevisto.

Por que aplicar o microchip?

O microchip contém um número de identificação, como se fosse o RG do seu cachorro, tornando-o assim um indivíduo.

Vacina contra raiva

A segunda coisa a se fazer é aplicar uma dose da vacina contra raiva. Sim, mesmo que ele esteja com todas as vacinas em dia você precisa aplicar. Não, você não precisa reaplicar todas, apenas a da raiva. Eu explico: aqui na UE a raiva já foi erradicada, e como seu animal só “se torna um individuo” após a aplicação do microchip é imprescindível que ele tenha pelo menos uma dose da vacina de raiva.

As outras vacinas continuam a valer normalmente, esse quesito é puramente burocrático, os veterinários daqui aceitaram a carteirinha de vacinação brasileira do Fred e contam as datas dela normalmente.

Se você vai para um país que não fale português, talvez seja interessante você procurar traduzir tudo que for importante como carteirinha de vacinação, exames (caso seu bichinho tenha algum problema de saúde e passe por acompanhamento médico) para o idioma local.

Espera de 30 dias

A terceira etapa é simples: você precisa esperar pelo menos 30 dias da data de aplicação da vacina da raiva para começar o quarto e mais importante/chato e complicado passo desse processo que é coletar a sorologia.

Sorologia

Como citei acima o quarto passo é um exame chamado Sorologia, ele é de longe a coisa mais importante nesse processo todo- Esse exame serve para provar pra UE que seu animal tem anticorpos suficientes para não possuir o vírus da raiva.

Parece simples né? Então eu vou te dar a má notícia: só existe um laboratório no Brasil autorizado a fazer esse exame (é a Zoonose de Santana – São Paulo) e lá eles não coletam, apenas realizam a analise, ou seja, você vai precisar ir em outro profissional (pode ser algum laboratório ou veterinário) coletar a amostra e “sorolizar” ela (processo de separar o sangue do soro, se eu bem entendi isso é feito em uma centrifuga).

Como eu era de São Paulo o processo de levar até a Zoonose não era algo que me preocupava, mas se você é de outra cidade ou estado precisa se informar sobre como isso deve acontecer. O do Fred eu fiz num laboratório que fazia tudo pra mim. Direto na zoonose o exame custava R$187,00 e eu paguei R$270,00 para o laboratório.

Atualização (março de 2018)
A Zoonose de São Paulo no presente momento não está realizando a sorologia. Agora todas as amostras devem ser enviadas ao laboratório Tecsa e estão custando R$575,00 + despesas de envio até o laboratório (que fica em MG). Você vai precisar achar o veterinário credenciado mais próximo e o pagamento deve ser feito diretamente a ele.

Espera de 90 dias

O quinto passo é fácil. Após a data de coleta da Sorologia você deve ficar –obrigatoriamente – 90 dias (corridos) com o animal em território brasileiro. Sim, é uma espécie de quarentena, não, você não tem como fugir disso por isso programa-se. Isso foi o que atrasou nossa mudança, ficamos 3 meses a mais no Brasil por esse motivo.

Enquanto você cumpre esse prazo de espera você pode (e deve) cuidar de outras coisas, como:

  • Comprar a caixa de transporte que não pode ser qualquer uma, afinal ela vai levar seu amado bichinho e deve garantir a segurança dele (a caixa de transporte também deve seguir as especificações da IATA – , num geral em qualquer petshop grande os funcionários vão saber dizer pra você quais caixas são aceitas em voos internacionais). A caixa deve ter tamanho suficiente para que seu animal consiga ficar em pé e dar uma volta 360 graus sem problemas, as caixas não são baratas, mas de novo, não se esqueça que ela é a segurança do seu animal, tente não pensar muito nos valores.
  • Outra coisa que você pode e deve fazer nesse tempo é reservar o lugar deles no voo. Independente se seu animal vai na cabine ou no porão (se você está se perguntando o que determina isso é o peso dele, a maioria das companhias aéreas aceitam animais que pesem até 8kg com a caixa/bolsa de transporte para irem na cabine, algumas aceitam até 10kg mas eu não abria mão de um voo direto por isso não foquei nisso e comprei nosso voo com a TAP e eles só aceitam 8kg acima disso o animal vai no porão – já falo mais sobre isso) você vai precisar pagar uma taxa para que ele embarque com você e muitas cias aceitam poucos animais por voo, algumas 1, outras 2 ou 3, são regras que mudam de empresa para empresa.

Certificado de Zoosanitário Internacional

Sexto passo, caixa comprada, reserva no voo feita, resultado da sorologia em mãos, hora de cuidar do documento que vai garantir sua saída com seu animal do Brasil: o CZI (Certificado de Zoosanitário Internacional), quem faz esse documento é a Vigiagro (ou ULTRA caso não tenha Vigiagro na sua cidade) que nada mais é do que um órgão do Ministério da Agricultura, esse documento – o CZI – é o que vai atestar que seu animal cumpre todas as exigências necessárias para ir para outro país.

Você deve ligar na Vigiagro cerca de um mês antes da viagem e agendar com eles uma data para fazer esse documento, pela minha experiência e de todos que eu conheci que fizeram o mesmo processo, eles agendam para poucos dias antes da viagem, no meu caso foram 6 dias. No dia do agendamento você deve levar tudo que fez até aqui com 2 cópias:

  • Certificado do Microchip com número de identificação do seu animal (leve inclusive as etiquetas que vem com o número só pra garantir);
  • A carteirinha de vacinação do animal;
  • O resultado da sorologia;
  • Todos os dados do voo.

Além de tudo isso você também vai precisar de um atestado do veterinário dizendo que está tudo certo com a saúde do seu animal e sim, ele pode viajar com segurança. Esse atestado precisa ser recente, precisa ter sido feito com no máximo 72 horas de antecedência do seu agendamento na Vigiagro. Eles também vão pedir o endereço de onde você vai ficar hospedado, então nesse dia prefira pecar pelo excesso e leve tudo que você tiver de dados sobre a viagem. Você não precisa levar o animal nesse dia.

Eles demoram cerca de dois dias para deixar tudo pronto e você deve voltar na Vigiagro para pegar o CZI e no dia do embarque leve novamente todos os documentos com você e claro chegue com no mínimo 3 horas de antecedência no aeroporto.

Fred no Natal

Fred muito feliz no Natal em Portugal

Preço

Acho que essa é uma das grandes questões quando se pensa em levar um animal para outro país né?! Claro que isso me preocupou, antes de começar todo esse processo eu imaginava que era caríssimo levar um animal para outro país. Não é super barato, mas nem de longe custa uma fortuna. A média de gastos na época foi:

  • R$150,00 para aplicação do microchip;
  • O custo da vacina de raiva que pode variar de cidade pra cidade e dependendo da marca da vacina.
  • R$270,00 para realização da Sorologia (Em março de 2018 foi atualizado para R$ 575);
  • R$700,00 da caixa de transporte;
  • R$800,00 da taxa de embarque (pode variar de acordo com peso do animal);

Acrescente a esse valor uma consulta com seu veterinário para pegar o atestado de saúde, custos com locomoção – combustível estacionamento etc – de todas as vezes que você vai precisar sair de casa para resolver tudo. Como eu disse, não é super barato, mas pra mim foi um valor aceitável visto que nunca foi uma possibilidade deixar ele no Brasil.

UFA, acho que falei tudo. Você deve estar se perguntando: Isis, mas você não surtou com esse processo todo? E eu te respondo, querido leitor: CLARO, sim, muito e muitas vezes! rs

Agora vou contar pra você como eu me senti em meio a isso tudo, a segurança do Fred sempre foi minha maior preocupação nisso tudo, eu sou uma pessoa ansiosa, que tem medo de avião, pra mim pensar que eu ia enfiar meu bebezinho numa caixa e entregar para pessoas que eu nunca vi na vida e que ele ia passar por todo processo – do voo, subir, aterrissar – sem mim era simplesmente desesperador.

Mas foi a decisão que tomamos como adulto que somos e acreditamos que era a melhor opção para nossa família naquele momento, então eu me acalmei me informei MUITO, respirei fundo, confiei em cada uma das pessoas envolvidas nesse processo todo e fui.

Foi fácil? Não, nem um pouco, mas eu precisava encarar aquilo tudo pra viver tudo que estamos vivendo hoje. Vou resumir pra vocês meus maiores questionamentos:

É seguro?

Sim, é muito seguro, quando você passa por isso é tudo novo, mas acredite, muita gente viaja com animais o tempo todo. Achei um vídeo em Espanhol da Ibéria para quem quer ter uma ideia de como é feito o transporte dos animais que vão no porão.

Devo dar algum remédio pra ele dormir?

Isso é uma das coisas que eu acho que você deve perguntar para sua cia aérea e seu veterinário. Eu ouvi muita gente e escolhi não dar, pois caso acontecesse alguma turbulência e ele estivesse desacordado ou levemente topado, ele poderia não ter firmeza suficiente para se manter em pé e firme e poderia se debater na caixa e até se machucar.

Como escolher a caixa de transporte?

De novo, li muito, perguntei pra outras pessoas, fui em mil petshops e escolhi a que cabia no meu bolso e que ao meu ver era segura, testei ela MIL E UMA VEZES e só pra ter certeza que não teria problemas levei ela com o Fred dentro em uma das minhas visitas ao Aeroporto, fui no balcão da TAP e confirmei se estava tudo certo. No dia além das duas travas que a caixa tinha ainda lacrei ela com 4 abraçadeiras (ou popularmente falando: enforca gatos – nome feio ☹ ).

Devo colocar comida e água?

No dia que visitei o balcão da TAP com ele esse foi um dos meus questionamentos, lá ela disse que a água deveria ter (a caixa do Fred já veio com recipiente que fica preso a grade, caso não venha você precisa comprar. A dele foi perfeita pois dá pra ser abastecida sem necessidade de abrir a caixa) mas que a comida era a meu critério. Como nosso voo foi direto, ele ficaria cerca de 12 à 14 horas longe de mim, então eu mudei a rotina de alimentação dele 2 meses antes da viagem. Ele comida 2 vezes por dia e começou a comer apenas uma. Não é o ideal, mas o organismo deles aguenta tranquilamente ficar 24 horas com uma refeição. Então eu o alimentei as 15h, saímos de casa as 16h para o aeroporto (é importante ter esse tempo antes de entrar no carro pra ele digerir e não vomitar) e depois disso ele tomou apenas água, antes de entregar ele para embarque eu tirei ele da caixa algumas vezes para que ele pudesse fazer suas necessidades.

O que devo/posso deixar dentro da caixa?

Eu coloquei um tapete bem fofinho de banheiro (limpinho, claro rs) e por cima um tapete higiênico para caso ele fizesse xixi não ficar totalmente molhado. Também coloquei (dica do adestrador) duas camisetas (uma minha e uma do Fe) usadas – durante uns 3 dias durante a noite – para que ele não ficasse sem o nosso cheirinho e com isso não se sentisse tão sozinho, ele – Fred – colocou alguns brinquedos na caixa e eu trouxe alguns brinquedos dele pra Portugal também ☺

Onde e como ele fica no avião?

Essa era uma das principais questões pra mim, depois do embarque eu fiz mil perguntas pra aeromoça – inclusive fiz ela olhar se ele tinha embarcado mesmo rs – e ela super gentil e com a maior paciência do mundo me explicou que: quando tem algum tipo de carga especial (que pode ser um animal, um instrumento, algum tipo de alimento ou bebida) o piloto recebe um documento com todas as especificações do que vai. Não, ele não veio junto com as malas. Ela me disse que existe um compartimento ao lado de onde ficam as malas onde é climatizado e pressurizado assim como o que nós viajamos (até mesmo porque ela explicou que onde vem as malas pode ficar até 50 graus NEGATIVOS) e que eu poderia ficar tranquila, pois ele estaria muito bem durante todo voo. É importante dizer que: no momento do check-in você pode pedir para ficar com seu animal pelo máximo de tempo possível, eles deixam você entregar ele apenas quando der a última chamada para que você entre para sala de embarque, assim ambos podem ficar mais calmos.

Só existe esse lugar mesmo que faz essa tal sorologia?

Essa foi outra questão pra mim e sim, só existe esse laboratório mesmo, na época que comecei o processo do Fred, a Zoonose de Santana estava sem realizar o exame por falta de reagentes – sim, acredite, eles estavam presos na alfandega – e todos as amostras deviam ser enviadas para fora do país e o custo do exame subia para inacreditáveis R$1.200,00 sim, isso mesmo. Por sorte até eu coletar o do Fred eles já tinham voltado a fazer, foi uma economia e tanto!

Bom, acho que foi “só” isso rs No próximo post e conto como foi o embarque e a chegada aqui em detalhes.

Lembro que todas as informações citadas acima são referentes ao primeiro semestre de 2016, aconselho que você ligue na Vigiagro da sua cidade para confirmar todos os dados. Caso você vá para: Finlândia, Irlanda, Malta, Suécia ou Reino Unido pode ser que o processo seja um pouco diferente, eu infelizmente não sei informar as possíveis diferenças.

Se você chegou até aqui, é porque com certeza está pensando em trazer seu pet pra cá eu aconselho que fique de olho no próximo post, ainda tenho muuuuuuito o que contar pra você sobre essa pequena aventura! rs

Este conteúdo é de total responsabilidade do autor da coluna Isis Zimmerman.

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