Viajar tem estado cada vez mais presente na lista de desejos e até sonhos das pessoas. Todo mundo quer ver algo novo, sentir algo novo. E a viagem pode proporcionar esse tipo de coisa, trazendo mais satisfação que muito bem material. Pensando nisso, nos últimos anos muitas pessoas resolveram mudar suas vidas de cabeça para baixo e deixar tudo que têm para viver viajando. Só tem um problema: será que essa é mesmo a solução?

Nem todo mundo nasceu para largar tudo

Muita gente fica fascinada com a ideia, até mesmo coragem, de uma pessoa, amigos, um casal, um casal e seu cachorro; que largaram tudo e foram viajar o mundo. Realmente, é admirável e inspirador. Eu mesma já conversei com alguns viajantes que resolveram dar esse rumo na sua vida, mesmo que só por alguns anos.

Acho a ideia sensacional, principalmente para quem:

  • Quer viver uma nova fase na sua vida,
  • Quer mudar o rumo para o qual estava indo,
  • Juntou dinheiro e/ou está disposto a enfrentar o que for na estrada para se manter,
  • Quer conhecer algo novo,
  • Quer se desafiar,
  • Não tem medo do depois (quando a viagem acabar – se acabar).

No entanto, para quem não se enquadra em nenhum dos tópicos mencionados acima, o tal do viajar e deixar tudo para trás pode não ser a melhor escolha. Viajar é bom. É ótimo. O que acontece é que às vezes o que se precisa não é jogar tudo para o alto, mas apenas dar uns dois passos para trás, se afastar um pouco para conseguir ver as coisas melhor e ajustar o rumo que sua vida tem seguido. Para isso, talvez uma viagem de curta duração, que seja um final de semana longe tudo, sirva.

Quando voltei para o Brasil depois de um intercâmbio, já sabia que não ia ficar muito tempo e voltaria a fazer as malas porque sim, eu queria conhecer coisas novas. Mas não, não queria abrir mão de tudo.

Não é preciso largar o trabalho para viajar

Uma das grandes bênçãos de quem trabalha em qualquer área que seja possível realizar atividades remotamente é poder viajar e trabalhar ao mesmo tempo. Já fiz isso para uma empresa e agora estou prestes a fazer de novo. Cai como uma luva para quem quer poder zanzar por aí, mas não quer ter que trabalhar pelo menos dois, três anos juntando dinheiro para só depois poder fazer isso. Você vai trabalhando e vai indo aos poucos.

É o caso do Diego Gerke, que como contei em outro post, viaja o mundo com o WiFi Tribe enquanto trabalha. Para não dizer também que existem diversos sites de freelas nos quais é possível se cadastrar e estar sempre à procura de jobs que correspondam as suas necessidades para ir fazendo enquanto leva sua vida nômade.

É como disse outro dia quando afirmei que, na minha opinião, não é preciso ser rico para viajar: assim como tudo na vida, é uma questão de prioridade e planejamento.

Nem os estudos

É possível aliar tanto a vontade de desbravar o mundo quanto a vontade de investir em algum tipo de formação e conhecimento. Já vi vários amigos e conhecidos fazendo uma pausa na rotina que estavam tendo no Brasil para desbravar outro continente, outro país ou até mesmo outra cidade. Para tanto, resolveram aproveitar para fazer um curso de idioma ou profissionalizante.

Sobre ter tempo e dinheiro para viajar enquanto se está no exterior estudando, não é preciso nem fazer muito esforço para você lembrar de um ou dois conhecidos que foram fazer algum curso e postaram dezenas de fotos conhecendo novos lugares, certo? Sabendo conciliar e planejar, sempre dá.

Para mim o intercâmbio cultural nada mais é que uma grande desculpa que inventamos para viajar, mas continuarmos dentro do padrão que a sociedade impõe: estude, estude; trabalhe, trabalhe. E é uma ótima desculpa!

Família é uma “coisa” difícil de deixar

Outro ponto que acho que vale a pena ponderar quando se decide deixar tudo para trás, talvez o mais importante, é a família. O mesmo vale para amigos e outras pessoas queridas (a tal da família que escolhemos). Qualquer um que se dê bem com a sua pensa duas vezes antes de deixá-la. Isso porque às vezes viajar o mundo é um plano sensacional, mas nem sempre é a melhor hora para colocá-lo em prática. Esse perfect time creio que só você pode definir.

Por outro lado, também não podemos nos prender ao local onde nascemos, onde está tudo e todos que conhecemos desde pequenos só porque “é aqui que pertencemos”. Isso porque quando nossa família entende a nossa necessidade de voar, sim, a saudade aperta. Muitas vezes fica aquele vazio no almoço de domingo, no natal, aquela limitação na comunicação via Skype, WhatsApp e o que mais for, mas tem sempre aquela pontinha de felicidade neles por saber que nós saímos porta afora em busca da nossa felicidade. Felicidade que fica logo estampada nas fotos que postamos.

A moral é: procure se conhecer, saber seus limites. Pensar se consegue ficar sem eles e também se é a hora certa. Não há forma de saber quando podemos viajar sem nos preocupar ou quando podemos receber uma notícia ruim após partirmos – ou a pior de todas – e saber que não estávamos por perto. Mas sim, podemos sair de casa com as malas nas costas e a certeza no coração de que aproveitamos cada momento que passamos com eles e na esperança de que na volta haverá muitas histórias boas para contar.

E claro, novas malas para fazer.

Largou o emprego de 312 mil reais por ano para vender sorvete numa ilha

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Sobre o Autor

Nataly Lima

Natural de São Paulo, hoje tem a Europa como a sua base. É editora-chefe do "Já Fez as Malas?" e apaixonada por conhecer novas culturas, comer, viajar e contar histórias sobre esses e outros assuntos.

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