Diego Gerke tem 26 anos. Ele compartilha comigo em uma chamava via skype, na qual eu estava sentada à mesa em casa, em Portugal, e ele falava da rua em algum outro canto da Europa, os porquês de ainda não ter conseguido se juntar ao resto da grupo na Itália. Filho de uma alemã e um boliviano, mudou de país diversas vezes desde criança: “eu meio que culpo eles por isso tudo, por terem me passado esse hábito”, diz entre risos.

Talvez como você, como eu, ele queria poder ter a flexibilidade de trabalhar e viajar ao mesmo tempo, e apesar de ter uma profissão que pudesse proporcionar esse estilo de vida, não encontrava companhia para uma jornada que fosse mais longa do que uma simples semana em um lugar paradisíaco. Desse “hábito”, como defini, surgiu a WiFi Tribe.

WiFi Tribe

O jovem formado em administração de empresas com ênfase em marketing acredita na seguinte frase: “você é a média das pessoas com quem passa mais tempo“, tradução literal de uma citação de J. Rohn. Por essa razão, estabeleceu uma espécie de seleção dos candidatos a fazerem parte do grupo. Os viajantes escolhidos devem prezar características como liberdade, aventura, humildade, companheirismo e respeito. A média de idade: entre os vinte e trinta. “Somos um grupo energético. Saímos, fazemos coisas. Tem que ter disposição”.

Diego conta que preza por três coisas: o destino, as pessoas que estarão presentes (que acabam por se tornar uma network, uma rede de contatos para o futuro) e produtividade. “É uma fase estável da nossa vida, não são férias. Por isso, não recomendados nada mais curto que um mês. Nós trabalhamos, conhecemos pessoas e realmente temos a possibilidade de conhecer o país, a cultura”.

A escolha da cidade onde irão se hospedar no mês a seguir é feita em grupo, com todos aqueles que se candidataram ao programa. Quem é aprovado para fazer parte do grupo, seja temporariamente (a partir de duas semanas) ou a longo termo, tem que desembolsar uma taxa que varia de acordo com o destino do mês. No entanto, nesse valor está inclusa a acomodação, que pode ser desde um quarto privado a um compartilhado com outros integrantes. Pelas fotos, as casas sempre são de alto padrão: piscina, boa localização e muito espaço, para comportar a todos.

Casa alugada pela WiFi Tribe

Casa alugada pela WiFi Tribe na Nicarágua. Foto: Divulgação/WiFi Tribe

E claro, wi-fi com de qualidade (40 Mbps), uma vez que todos estão ali estão a trabalho e uma boa conexão é condição imprescindível para o aluguel dos espaços onde a tribo se hospeda.

Watching the sunset in Florence after a hard day’s work. #wifitribe #workhardplayhard photo cred @nuallankelly

Uma foto publicada por WiFi Tribe (@wifitribe.co) em

 

Além dos itens citados, na proposta divulgada pela organização da WiFi Tribe, o grupo de nômades digitais se compromete em oferecer bons espaços de trabalho no local, limpeza e organização geral, sessões para troca de conhecimento entre os viajantes, três jantares colaborativos por semana, meditação e ioga em grupo. Como todos trabalham remotamente para empresas ou em seus negócios próprios durante a semana, os passeios em grupo para explorar o destino do mês ficam agendados para os finais de semana (pagos à parte).

Em agosto há um grupo na Croácia, na Europa, e outro na Nicarágua, na América Central. Para se ter uma ideia de custos, aqueles que foram aprovados para fazer parte da tribo neste mês tiveram que desembolsar os seguintes valores (além de alimentação e quaisquer outros procedimentos, como vistos, passaporte, passagens aéreas, etc.):

Quanto custa fazer parte da WiFi Tribe

Preços de agosto/2016.

2 semanas4 semanas
Quarto privado: €900Quarto privado: €1400
Quarto compartilhado: €600Quarto compartilhado: €900
Quarto de casal (privado): €1000Quarto de casal (privado): €1500
(para casais – €500/por pessoa)(para casais – €750/por pessoa)

Em fevereiro a tribo tem intenção de seguir para o Brasil e faz o convite para que brasileiros participem do grupo: “ainda não tivemos nenhum”. Enquanto você pensa na sua candidatura é possível conferir qual será o próximo destino. No vídeo abaixo é possível ouvir Diego falando o porquê você deveria fazer parte.

Outros grupos para quem quer companhia para trabalhar e viajar

Enquanto preparava este texto, o Huffington Post também listou outros cinco grupos de nômades digitais que seguem uma linha semelhante ao da WiFi Tribe. É possível conferir um resumo abaixo, incluindo valores médios.

Remote Year

Duração do programa: 12 meses

Número de participantes: 75

Locais: Todo o Mundo

Custo: US $ 27.000 para o ano (inclui alojamento, espaço de trabalho e as viagens entre os destinos)

We Roam

Duração do programa: 6 a 12 meses

Número de participantes: 50-100

Locais: África, Europa, Sudeste Asiático

Custo: US $ 3.000 a US $ 5.000 taxa de inscrição, dependendo da duração da programa; além de US $ 2.000 mensais (inclui alojamento e viagens entre os destinos)

Hacker Paradise

Duração do programa: 2 a 12 semanas

Número de participantes: Até 35

Locais: Worldwide

Custo: US $ 1.500 a US $ 2.000 mensais (inclui eventos de alojamento, espaços de trabalho e da comunidade)

Remote Experience

Duração do programa: 4 meses por continente

Número de participantes: 30

Locais: Europa, Ásia, América do Sul

Custo: US $ 10.000 para quatro meses (inclui alojamento, espaço de trabalho e as viagens; descontos disponíveis para os participantes que se inscreverem para um de um segmento)

Terminal 3

Duração do programa: 3 ou 6 meses

Locais: Worldwide

Custo: US $ 2.000 ou US $ 3.000 taxa de inscrição, dependendo da duração da programa; além de US $ 1.750 mensais (inclui eventos de alojamento, viagem, espaço de trabalho e da comunidade)

Novidades

Caso não tenha acompanhado os vídeos do AGPFSV nos últimos dias, também comecei minha jornada solo de empreendedora digital. Para já sou mais uma sedentária digital, mas quem não sabe em breve pode também posso me juntar a um desses grupos nômades.

Não é preciso largar tudo para viajar o mundo

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Sobre o Autor

Nataly Lima

Natural de São Paulo. Mestre em jornalismo. Tem coisas espalhadas entre Portugal, Croácia e Brasil, mas hoje ela viaja para todos os cantos com o Já Fez as Malas.