O que ver e fazer em Tomar

O turismo de Tomar gira em torno da Ordem Templária, mas a cidade oferece muito mais para quem quer conhecer sua cultura e a gastronomia regional.

Tomar fica a mais ou menos 3 horas de carro de Vila Real e, como tínhamos pouco tempo com o nosso amigo, acabamos fazendo um bate-volta saindo de manhã bem cedo e voltando à noite. É cansativo, mas valeu a pena. Será muito mais proveitoso para quem puder ficar uns dois dias e, assim, poder mergulhar nessa inenarrável cultura.

No site da Câmara Municipal de Tomar, é possível fazer download gratuitos do mapa da cidade e dos percursos históricos em português, espanhol, inglês e francês.

Um pouco de Tomar

Tomar pertence ao distrito de Santarém, província do Ribatejo, na região Centro de Portugal. O centro histórico desta cidade foi projetado em formato de cruz, sendo que no ponto Norte está o antigo Convento da Anunciada, no Sul o Convento de São Francisco (onde está localizado o Museu dos Fósforos), Leste o Convento de Santa Iria (podendo visitar a Levada de Tomar), e Oeste, o Convento de Cristo (que já foi falado no post anterior). No centro desta cruz, está a Praça da República com a escultura de Gualdim Pais, de um lado a prefeitura de Tomar e do lado oposto a Igreja de São João Baptista, mais conhecida como Igreja Matriz.

O Aqueduto dos Pegões Altos

Aqueduto dos Pegões Altos, um dos pontos turísticos de Tomar
Foto: Roberta Ortolan

Esse lugar é maravilhoso. Considerado um dos mais suntuosos e maiores de Portugal. Monumento construído no século XVII para fornecer água ao Convento de Cristo, uma ligação entre o convento e as quatro nascentes no Vale dos Pegões.

Possui duas filas de arcos sobrepostas em que a arcaria de volta inteira superior repousa nos arcos ogivados inferiores, totalizando 180 arcos, 30 metros de altura e uma extensão de 6 km. Tudo isso em meio a uma paisagem de perder a respiração, ótimo momento para contemplar a natureza.

Vários ângulos do Aqueduto dos Pegões Altos
Foto: Roberta Ortolan

Igreja de Santa Maria do Olival

Igreja com significado muito importante, pois no século XIII Gualdim Pais também pediu para construí-la para servir de panteão da Ordem Templária.

Exterior da Igreja de Santa Maria do Olival, em Tomar
Foto: Roberta Ortolan

Em seu interior a arquitetura gótica sobressai, servindo de referência para a construção de outras igrejas em Portugal com semelhantes características. Ali estão sepultados os Mestres da Ordem, incluindo o próprio Fundador de Tomar, Gualdim Pais. Reza a lenda que a torre quadrangular, em frente à igreja, possuía um túnel que ligava a mesma ao Castelo Templário de Tomar. Será?

Interior da Igreja da Santa Maria do Olival, em Tomar
Foto: Roberta Ortolan

Sinagoga e Museu Luso-Hebraico

O Infante D. Henrique, ainda como Governador da Ordem de Cristo, foi o grande responsável pela fixação dos judeus em Tomar, cedendo uma rua para que eles pudessem criar o próprio bairro e a sinagoga. É o único templo hebraico em Portugal pertencente ao século XV. Este é o registro de que os judeus estiveram em terras portuguesas durante o período Medieval e Moderno.

Depois dos judeus serem expulsos do país, a sinagoga já foi prisão, foi referenciada como Ermida de São Bartolomeu no século XVII, no XIX foi celeiro, palheiro, armazém de mercearias e arrecadação. Só no século XX foi classificada como Monumento Nacional Samuel Schwarz – investigador judeu da Cultura Hebraica que resgatou a dignidade judaica perdida, restaurou a sinagoga e cedeu ao Estado Português em 1939. Hoje ela abriga o Museu Luso-Hebraico de Abrãao Zacuto.

O Caminho de Santiago de Compostela

Ao longo da Idade Média o Caminho de Santiago explorado e trilhado por povos descendentes da Cristandade, favoreceu o fluxo e troca de costumes, culturas e ideias. É incontestável que o Caminho contribuiu para a concepção cultural europeia. E, conforme a reconquista cristã caminhava para o Sul de Portugal, muitas rotas (marítimas, fluviais e terrestres) foram sendo desbravadas para chegar até Santiago.

Indicações do Caminho de Santiago
Foto: Roberta Ortolan

O percurso mais utilizado, o Caminho Português, unia Lisboa, Porto e Santiago, pois esse era o de melhor acesso para chegar ao túmulo do Apóstolo. Tomar está localizada entre Lisboa e Porto sendo um dos pontos principais do Caminho Português, pois nos séculos XVII e XVIII várias narrações escritas atestam que o Caminho passava pela cidade e pelo Convento de Cristo. Conforme andávamos pela cidade, víamos as “conchas” (com as setas) que simbolizam e orientam os peregrinos ao Caminho de Santiago.

“O percurso começa na capela de São Lourenço, segue para o Convento de Cristo, centro histórico, ponte gótica de Peniche Casais, Soianda e Chão de Eiras estão devidamente assinalados com setas amarelas.” – site da Câmara Municipal de Tomar.

Praça da República

Como já foi mencionado, aqui estão a Igreja Matriz e um dos Antigos Paços Reais – Paços do Concelho – que D. Manuel I edificou e ofereceu à Câmara, ou seja, a Prefeitura de Tomar está situada dentro de uma arquitetura Maneirista, pertencente ao século XVI. É possível perceber o Brasão Real, a Cruz de Cristo e a Esfera Armilar, símbolos que caracterizam o Rei Venturoso.

Vista da Praça da República, em Tomar
Foto: Roberta Ortolan

Na mesma praça se concentram as festas típicas de Tomar. A Festa dos Tabuleiros acontece de quatro em quatro anos (parece Copa do Mundo ou Olimpíadas) e esse ano está programado para acontecer de 29 de junho a 08 de julho. É um evento que mobiliza a cidade inteira. Para quem quiser participar, dá tempo de se programar…. se não só em 2023 – e eu vou!

Já a Festa Templária acontece anualmente, durante quatro dias onde a cidade se transforma em medieval, relembrando a época dos Cavaleiros Templários e a importância cultural para a cidade de Tomar.

Doces típicos

Bom, para finalizar, vou deixar o post adocicado. Toda a cidade portuguesa possui seus doces típicos conventuais. Na pausa para o café da tarde, paramos na pastelaria Estrelas de Tomar que produz esses Néctares dos Deuses. Um deles recebe o nome de Fatias de Tomar com origem no Convento de Cristo por serem a sobremesa favorita dos frades.

Fatia de Tomar, doce típico da cidade
Foto: Roberta Ortolan

Para fazer esse doce precisa ter uma panela específica, que só vende nesta cidade, e leva açúcar, água e mais de vinte gemas de ovos em sua receita. Não se engane achando que é uma fatia de manga, apesar da aparência, não é fruta …. é gema pura!

Os outros são a Broa Castelar (mel e batata doce), as queijadas, o “Beija-me Depressa e o Castanha de Ovos” são de gemas também.

Alguns dos doces típicos de Tomar
Foto: Roberta Ortolan

E assim termino o meu post deixando água na boca de todos.

*Algumas informações foram retiradas da Câmara Municipal de Tomar, Visit Portugal, Patrimoniocultural.gov.pt, Sapo Viagens, Centro de Pesquisa Universidade do Minho e Revista Superinteressante.

 

Este conteúdo é de total responsabilidade do autor da coluna Roberta OrtolanSiga também blog da Roberta.

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