Quando idealizamos uma viagem

Na Psicologia, o conceito de idealização de uma forma bem simplificada, é quando exageramos de maneira positiva uma qualidade ou virtude de algo ou alguém, ou até de si mesmo. Quando pensamos que essa pessoa, esse objeto ou lugar são perfeitos. Nesse conceito transpassamos, atravessamos o conceito do real para viver alguma espécie de fantasia a respeito do objeto de admiração e observamos as coisas como nós gostaríamos que elas fossem e não de fato como elas são.

O grande problema de idealizar, é que mais cedo ou mais tarde, a ficha cai e nos damos conta da realidade, do que de fato se apresenta à nossa frente.

Acredito que a idealização seja muito comum em viagens, principalmente naquelas planejadas por meses ou até anos. Quando procuramos por imagens de um local no Google, somos inundados de imagens perfeitas, cheias de filtros e que muitas vezes não correspondem à realidade.

A Síndrome de Paris

Monalisa no Louvre, em ParisFoto: Juan Di Nella

Um ótimo exemplo disso é a Síndrome de Paris. Fiquei sabendo da existência dela há apensas alguns dias e fui dar uma pesquisada.

A síndrome de Paris acomete principalmente turistas asiáticos que visitam a cidade luz. Esses turistas viajam até lá com uma visão romantizada da cidade, acreditando que a Paris real e a Paris dos filmes é a mesma, acreditando ser uma cidade poética onde tudo funciona perfeitamente, as pessoas estão sempre felizes e bem-humoradas. Um lugar para fugirmos da nossa realidade do dia a dia e sermos 100% realizados.

Essa síndrome pode provocar delírios, alucinações, ansiedade, tontura, taquicardia, sudorese, entre outros sintomas e é provocada também pelo choque cultural e pela excitação de se estar visitando Paris pela primeira vez, além do fato de se perceber a disparidade entre a Paris real e a Paris idealizada.

O negócio é tão sério e comum, que a embaixada japonesa na cidade, possui um serviço para atender esses turistas decepcionados com a realidade e que muitas vezes precisam voltar ao seu país de origem imediatamente.

Como qualquer outro lugar do mundo, essa não é a realidade. A cidade está ali funcionando como qualquer uma, com seu trânsito habitual, transportes públicos cheios em horários de pico, pessoas às vezes sem muita paciência com o turista, filas imensas para as atrações mais disputadas, ambulantes vendendo mil bugigangas insistentemente e até mesmo batedores de carteira.

Essa síndrome acontece em Paris, mas pode acontecer em qualquer lugar que idealizamos demais, pois fora os próprios contratempos de cada lugar, quando a gente viaja, a gente sempre se leva junto, e com isso, as nossas irritações, as nossas decisões erradas e nossas dores de barriga. Em uma viagem corremos o risco de escolher um hotel ruim para ficar, podemos perder o passaporte ou o trem, pode chover o dia inteiro naquela praia paradisíaca ou podemos ser assaltados.

Existe perfeição?

O que precisamos fazer é não criar um mundo paralelo e perfeito para quando chegarmos ao nosso destino. Algumas coisas darão errado, enquanto outras podem nos surpreender. O melhor é viver cada momento e perceber o que causou na gente. A Monalisa pode não ser aquilo tudo e a Torre Eiffel pode estar com uma fila gigantesca, mas de repente aquele café da esquina que você parou para descansar tem o melhor macaron da cidade ou você percebe que passear às margens do Sena e fazer um piquenique pode ser o ponto alto de sua viagem.

Não existe ideal em uma viagem e sim o que faz a gente se sentir bem.

Este conteúdo é de total responsabilidade do autor da coluna Adriana Biem | A Psicóloga Viajante. Siga também o Instagram do projeto.

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