Eu vou falar aqui de algumas coisas que se eu pudesse voltar no tempo eu diria para mim mesma antes de mudar de país pela primeira vez. Já que eu não posso fazer isso, vou compartilhar aqui com vocês.

Eu não me arrependo das minhas escolhas, até porque arrependimento não leva a nada. Só acho que a experiência compartilhada pode ajudar outras pessoas, que talvez possam usar essas informações para melhorar ainda mais essa experiência incrível que é morar em outro país. Então, vamos lá:

Saiba os seus objetivos e pense no que você vai fazer a respeito

Quando eu me mudei para a Austrália, eu tinha dois motivos principais. O primeiro é que eu sempre quis fazer intercâmbio e já tinha tentado planejar muitas vezes. O segundo é que eu estava extremamente perdida sobre várias áreas da minha vida e precisava entender o que eu realmente queria.

O primeiro objetivo era fácil, só de estar ali, o meu desejo de fazer intercâmbio já estava realizado. Então, faltava o segundo objetivo que era “me encontrar”. E o que eu fiz em relação a isso? Na verdade, eu não fiz muitas coisas.

É verdade que só de sair do mundo que eu vivia já me ajudou a ver outras possibilidade e abrir minha mente para coisas que eu jamais tinha pensado. Porém, só isso, não me ajudou muito.

O tempo foi passando e por mais incrível que tenha sido tudo que eu vivi e as viagens que eu fiz, a imagem que vinha na minha cabeça de voltar para minha velha rotina me assombrava. Pelo menos eu já sabia o que eu não queria. Só que eu fiquei ali, parada, sem saber o que fazer a respeito.

Se eu pudesse dar um conselho a mim mesma nesse caso seria de ter buscado recursos que me fizessem encontrar as respostas que eu queria. Já que esse era um dos meus objetivos e eu acabei deixando de lado.

Essa é a minha experiência, mas acho que serve para qualquer coisa e objetivo que você tenha. Não deixe seus objetivos principais de lado. Aproveite essa oportunidade e busque os recursos que você precisa.

Busque grupos e pessoas que tenham a ver com você em: cursos, trabalhos voluntários, grupos de discussão, etc.

Completando um pouco o item anterior onde eu disse que buscaria um recurso para encontrar as respostas que eu queria. Um desses recursos com certeza seria encontrar maneiras de conhecer pessoas que tivessem a ver com a minha fase naquele momento.

Por isso eu recomendo muito se mexer! Buscar cursos, trabalho voluntário, encontros… qualquer coisa que faça com que você esteja com pessoas que podem te ajudar a conseguir o seu objetivo ou que estejam atrás do mesmo.

Quando eu estava na Austrália eu não fiz isso. As pessoas com quem eu convivia eram as que estudavam comigo na escola, mas que no final, claramente não estavam passando pela mesma fase que eu. Em vez de buscar a minha “turma” eu me conformei que a maioria dos meus amigos já estavam voltando para o seu país e comecei a ter um círculo bem pequeno de amigos.

Aqui na Espanha resolvi fazer diferente. Eu estou sempre buscando atividades que estejam de acordo com os meus objetivos e isso me ajuda muito. Afinal, já estamos em outro país e convivendo com uma cultura diferente. Então, a melhor forma de ter amizades boas é estar na mesma sintonia com essas pessoas.

Não se entregue a rotina

Principalmente quando a sua experiência tem dia para acabar, tente não se entregar a rotina. Isso aconteceu comigo na Austrália.
Quando eu já tinha meu emprego estável, estava em uma escola de negócios e tinha aqueles amigos que eu sempre saia, me entreguei a rotina. Então, a minha vida ficou bem parecida todas as semanas. Eu só ia da escola para casa, da casa pro trabalho, tomava cerveja quase sempre no mesmo bar, comprava a minha comida preferida sempre no mesmo restaurante…estava literalmente fazendo a minha vida ali.

Nada contra a rotina, só que aquilo tinha prazo para acabar! Eu não tenho nem ideia se algum dia eu vou voltar para a Austrália, muito menos para a cidade que eu vivia. Então eu gostaria de ter dado um chacoalhão em mim naquela época e falado: “Menina, come a cada semana em um lugar diferente, vê aquele bairro que você nunca foi, fala com pessoas que você nunca falou, não deixa a rotina fazer com que você perca esse momento único!”

Invista em autoconhecimento

Se eu tivesse feito isso desde o começo teria economizado um bom tempo onde eu fiquei dando mil voltas com a minha cabeça para buscar o que eu realmente queria.

Eu percebi que ter saído do país porque estava com dúvidas sobre a minha vida era mais comum do que eu pensava. Vi muita gente que realizou o sonho de conseguir o visto e ter um emprego que ganhava muito bem, mas não estava feliz. Vi pessoas lutando por objetivos que pareciam mais coletivos que individuais.

Se você não tem claro o que realmente te faz feliz, você pode conquistar qualquer coisa que pareça incrível e que todo mundo te admire por aquilo, mas por dentro você nunca vai estar completo(a).

Então, antes de entrar em qualquer processo para viver por um tempo longo em um país, tenha muito claro o que realmente te faria feliz. Se não, você corre o risco de batalhar, por uma batalha que não é sua e se sentir preso a todo esforço que você fez para chegar lá.

Se conheça e você vai saber que caminho seguir.

Para acabar

Espero que de alguma maneira eu possa fazer você pensar em coisas que eu só consigo enxergar agora. De qualquer maneira, essa experiência é incrível e sempre nos transforma muito.

Este conteúdo é de total responsabilidade do autor da coluna Julia Queiroz. Siga também o blog da Julia.

Veja também:

Atenção Atenção
Este conteúdo é de exclusividade do Já Fez as Malas e não pode ser reproduzido parcial ou integralmente sem autorização prévia. Caso queira referenciar o conteúdo abordado neste artigo, pode-se utilizar um link para a matéria.

Sobre o Autor

Julia Queiroz

Formada em Desenho Industrial, Julia Queiroz viveu em São Paulo quase toda vida. Em 2013 fez intercambio na Austrália e acabou indo parar na Espanha, onde mora até hoje. Criou o projeto "Tempo de Migrar" e compartilha suas experiências também aqui no Já Fez as Malas.

Artigos Relacionados