O desconhecido também encanta.

Gostar ou não de alguma coisa costuma ser algo muito particular. Gosto muito de viajar, e por vezes me pedem dicas de onde comer, o que visitar, onde não ir, em qual hotel ficar. Gosto de ajudar as pessoas com as minhas experiências, mas algo nisso me incomoda, pois, experiências são particulares e únicas.

Logicamente, existem aqueles locais que todo mundo curte, aquele que é quase que unanimidade e cai no gosto geral das pessoas, mas algumas coisas são realmente muito particulares. Essa particularidade não necessariamente está ligada ao gosto pessoal ou é devido à experiência positiva ou negativa que você teve em determinado local. Acredito que acima de tudo, essa particularidade esteja ligada à abertura da pessoa quando visita determinado lugar.

É preciso ter na cabeça, que quando estamos de férias ou fazemos qualquer outra viagem, nem tudo sairá perfeito, nem tudo será como planejamos, nem todos os locais irão suprir as nossas expectativas, por vezes altas demais.

Além disso, é preciso estarmos atentos à cultura local, aos hábitos das pessoas, à história daquele lugar que se visita. Senão, é muito fácil cairmos em uma armadilha de críticas, pois o local que visitamos nada se parece com o que estamos habituados a ver e a estar.

Nada se parece com a rua da nossa casa ou o nosso bairro. Mas o que é uma viagem senão exatamente vermos e vivermos coisas com as quais não estamos acostumados?

Viajar não é somente estar em uma praia paradisíaca, de pernas para o ar, com um baita sol brilhando em um imenso céu azul. Explorar os locais pelos quais viajamos e tentar conhecê-los mais a fundo, é o grande barato de sair por aí.

olhando as estrelas

Fiquei 11 dias viajando pelo Chile. Nessa viagem passamos três dias em Valparaiso, cidade portuária que fica a um pouco mais de 100 quilômetros de Santiago. Valparaíso é uma cidade, que à primeira vista, pode parecer um tanto quanto caótica. Uma cidade de morros e ladeiras que me fez lembrar ao mesmo tempo de Salvador, Olinda e Santa Tereza no Rio de Janeiro.

Uma cidade conhecida pelas suas inúmeras casinhas coloridas de zinco e declarada patrimônio da humanidade em 2003. Uma cidade que precisa ter suas ruas e história exploradas para se entender o porquê de estarmos ali e absorver um pouco mais de sua poesia.

Poesia essa, que fez com que o grande poeta Pablo Neruda escolhesse essa cidade para abrigar uma de suas residências, que inclusive pode ser visitada por quem estiver na cidade. É preciso entender e respeitar o porquê de cada cidade, de cada local ser como é, e saber aproveitá-la assim, do seu jeitinho.

Assim também é com as pessoas. Cada qual tem a sua história e o seu caminho. As suas graças e inseguranças. Os seus imensos defeitos e grandes qualidade. Suas expectativas, frustrações, desejos e decepções.

Quando estamos dispostos, é preciso saber explorar. Se algo te atraiu àquela cidade ou àquela pessoa, não desista na primeira rua feia ou na primeira cara feia, na primeira ladeira ou no primeiro obstáculo.

Procure experimentar, pegue esse hábito, procure nos lugares e nas pessoas as novidades que fazem a gente se encantar, que fazem a gente querer indicar aquela vivência para outra pessoa.

Imagine que cada pessoa é uma cidade nova e é você quem escolhe ou ficar com medo, ou enxergá-la com o coração aberto. Das cidades e das pessoas levamos aquilo que nos impressiona. Deixe-se impressionar.

Este conteúdo é de total responsabilidade do autor da coluna Adriana Biem | A Psicóloga Viajante. Siga também o Instagram da Adriana.

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Sobre o Autor

Adriana Biem

Adriana Biem vem refletir sobre como a atividade de viajar podem causar impacto psicológico nas pessoas por meio de seu projeto "A Psicóloga Viajante". Você encontra publicações mensais dela aqui.

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