Sobre limites e experiências durante a viagem

Sempre insisto em falar no aprendizado que as viagens podem nos trazer. Estar atento a nós mesmos e aos comportamentos que temos em determinadas situações é o que dá a liga para esse autoconhecimento viajante.

Acredito que em uma viagem, tudo se amplifica. Se formos controladores, é ali que isso aparecerá de uma forma mais intensa, se somos medrosos, lidar com situações novas potencializará nossos medos, se formos inseguros, a viagem também poderá mostrar isso de forma mais intensa.

Ao contrário também pode aumentar nosso senso de comunidade, nossa necessidade de compartilhamento e nosso respeito ao diferente.

Gosto muito de sentir esses desafios ao viajar, de me colocar à prova de algumas situações, mas de outro lado, é preciso também entender e aceitar as nossas limitações. Nessa ânsia de viver experiências a todo custo e de viver tudo muito intensamente, podemos perder a mão e nos colocarmos em situações de risco desnecessárias.

Sempre que nos vermos em situações desse tipo, é preciso perguntar? Para quê quero fazer isso? É para mim mesmo ou para o outro? É porque quero conhecer aquele lugar ou quero somente uma foto de lá? Como vou me sentir se for? E se não for?

Se a resposta for positiva, se o desejo de fazer é seu e você se sentirá melhor fazendo, talvez seja a hora de enfrentar seus medos, mas se você perceber que aquilo nem faz tanto sentido assim pra você, talvez também seja a hora de falar não e colocar limites. Saber fazer boas escolhas é fundamental.

Escrevo esse texto porque há pouco tempo estive fazendo uma trilha para a pedra do Pontal no Rio de Janeiro e passei por uma situação dessas. A trilha é toda em uma pedra bem íngreme, mas o real problema, é que ao final é preciso fazer uma mini escalada em uma corda. Na verdade nem achei tão mini assim. É uma pedra de uns 5 metros que só é possível ser “escalada” por essa corda, pois é muito íngreme.

Quando cheguei, olhei com certa desconfiança. Meu marido foi com a intenção de me mostrar como fazer e eu subi na sequêencia, acredito que até a metade e então meu pé escorregou e fiquei semi pendurada na corda. O drama não é tão grande, pois a queda não seria grande e eu também não rolaria pedra abaixo, mas me assustei. No escorregão ralei meu braço esquerdo. O ralado somado a uma dor nas costas que me perseguia nos últimos dois dias e ao medo de altura que tenho e teimo em enfrentar, me fizeram desistir.

Na verdade, do local que eu estava, a visão já era linda, eu já estava vendo dali o que eu havia visto nas fotos que pesquisei antes e então resolvi ficar ali mesmo.

Fiquei triste, senti que poderia tentar novamente, mas no fim o que entendi, é que tem dias que estamos mais a fim de enfrentar algumas coisas e tem dias que estamos confortáveis onde estamos, e que a graça da vida é saber equilibrar esses dois momentos. Desafio demais é exaustivo e conforto demais é limitante. Caminhar entre esses dois polos é o que nos transforma e nos faz crescer.

Muitas pessoas acessaram o topo da pedra pela corda sem grandes problemas enquanto eu estava ali e podem dizer que nem é tão difícil assim. Acredito nelas, mas também acredito na minha capacidade de escolher o que era melhor para mim naquele momento.

Qualquer semelhança com a nossa vida não é mera coincidência.

Este conteúdo é de total responsabilidade do autor da coluna Adriana Biem | A Psicóloga Viajante. Siga também o Instagram da Adriana.

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