Um pé fora de casa: como escolhi o meu mestrado em Portugal

Decidir que vai morar fora de casa envolve um processo muito detalhado para que, finalmente, alcancemos esse grande sonho. Sair da nossa querida zona (ou bolha) de conforto é, em tese, uma decisão natural, que se revela trabalhosa e até mesmo dolorida na prática.

Não poderia ser diferente quando a sua nova casa fica além das fronteiras nacionais! Bem, partimos do princípio de que toda tomada de decisão bem feita envolve um elemento crucial para que não aconteça o pior e venhamos a bater com a cara no muro: informação.

Se você quer, a curto, médio ou longo prazo, ir morar fora do Brasil e desbravar o mundo, saiba que a informação terá um papel multidisciplinar na sua jornada, atuando como sua melhor amiga, fiel escudeira, e (pasme, ou não) também munição.

Vou contar como foi o meu processo de decisão e alguns pequenos passos depois dele e, quem sabe, você se anime a se juntar ao grupo de milhares de brasileiros que também resolveram estourar a própria bolha e ver esse mundão lindo e cheio de coisas que sequer imaginamos.

O início de tudo

Me formei em Direito em 2014. Desde o primeiro ano, já vinha experimentando o mercado de trabalho como estagiária e, após formada, me dividi entre escritórios e departamentos jurídicos de empresas. Mas algo não encaixava para mim e era incômodo não saber qual a pecinha solta no meu quebra-cabeças.

Desde pequena, antes mesmo dos meus dez anos, eu falava em morar fora. Foi uma ideia que nunca deixei de lado – mas adiava, pois muito embora a pecinha solta não estivesse tão explícita, eu estava na minha zona de conforto.

Meu interesse em estudar fora do Brasil, nem que por um ano ou até mesmo menos que isso, me motivava a buscar informações sobre cursos, culturas, a vida no exterior e etc. Até que um dia fiquei sabendo que haveria uma Feira de Intercâmbios em um famoso colégio de São Paulo, próximo à Avenida Paulista, em março de 2017. Não hesitei e fui xeretar, afinal de contas, eu não perderia nada com isso. Foi lá que conheci a universidade em que estudo hoje, assim como tantas outras, em tantos outros lugares. Foram duas ecobags de folhetos e revistas: informação, informação, informação.

Inicialmente, eu buscava algo dentro do Direito, e quem é desta área sabe que não é tão fácil encontrar cursos no exterior que fujam do famoso inglês jurídico. Contudo, vamos deixar uma coisa clara: existe, sim, oferta para quem gosta e quer se manter nesta área. Aliás, há uma infinidade de ofertas para toda as áreas, basta persistir na sua pesquisa.

Talvez por ainda não estar suficiente preparada para botar os pés para fora de casa, deixei a ideia de fazer intercâmbio amadurecer na minha cabeça e continuei minha vida no Brasil. Até que, em agosto do mesmo ano, revisitei este projeto. Resgatei todos os folhetos e revistas que levei para casa na Feira do Intercâmbio e, um a um, pesquisei nos sites de cada faculdade se haveria algo do meu interesse. Foi quando encontrei um curso de mestrado que não era em Direito, mas me daria ferramentas incríveis. E o resto é história!

Dicas práticas para quem quer fazer mestrado no exterior

Agora, vamos à parte prática: se você também quer se aventurar no exterior, aí vão alguns elementos baseados na minha (pouca) experiência que podem te ajudar:

1- Escolha do curso

Lembra que eu falei que a informação seria sua melhor amiga? Pois então, busque o máximo possível! No meu caso, eu não só mudei de país, mas também mudei de área. Então, precisei levar em consideração que eu provavelmente teria uma dificuldade maior com as questões basilares de um curso de mestrado fora da minha área de formação – sem contar outras informações básicas, como valores do curso, horários das aulas, custo de vida na cidade em que o curso é ministrado, empregabilidade, etc.

Uma boa dica é, se você tiver Facebook, buscar grupos de brasileiros na cidade escolhida e, de repente, pedir dicas, perguntar se há algum aluno cursando ou que já tenha cursado o que você escolheu, e, obviamente, ler as publicações e ficar atento aos perrengues relatados. Você vai ter uma boa ideia do que pode estar te aguardando e, é claro, saber dos possíveis obstáculos com antecedência é uma grande vantagem!

2- Escolheu o curso? Ótimo, vamos aos prazos!

Sabe quando você xereta a rede social de alguém especial e quer saber tudo sobre essa pessoa? Você vai fazer a mesma coisa no site da faculdade do seu curso. Leia tudo!

Comece pelas ementas das matérias, se há a possibilidade de montar sua grade (de forma a prolongar ou encurtar o curso, mas lembrando que encurtar o curso pode te dar uma trabalheira enorme com o conteúdo!), se há alojamento oferecido pela faculdade, qual a possibilidade de validação do curso no Brasil (ou outro local que você queira ir depois). Se tem algo a ser lido, leia. Principalmente quanto aos prazos de inscrição, matrícula, documentação, etc.

3- Processos Seletivos

Uma coisa que percebi em Lisboa, onde moro agora, é que não existe um processo seletivo muito padronizado aos cursos de mestrado – algumas faculdades fazem exame seletivo e entrevistas, outras não.

No meu caso, foi necessário encaminhar cópia digitalizada do meu diploma, histórico escolar e curriculum vitae. Foi feito um comitê pela faculdade para avaliar se eu era ou não uma candidata interessante ao curso, mas em nenhum momento foi requisitada minha presença pessoal em Lisboa (aliás, botei meus pés pela primeira vez aqui somente quando me mudei). Me comunicaram o resultado por e-mail poucos dias depois (e dentro do prazo informado pelo site!).

4- Documentação

Depois de toda alegria em saber que, sim, você foi aprovado no curso que escolheu, vem a parte chatinha: reunir toda documentação para poder, enfim, fazer as malas.

Veja, neste ponto, começa sua jornada solitária (porém maravilhosa): dependendo do país escolhido, você precisará verificar quais os documentos exigidos, onde requisitá-los, qual o custo da emissão destes documentos, etc. Vale muito a pena procurar nos grupos de brasileiros no país do seu curso se há alguma informação relevante (e em 99% dos casos, tem!).

Minha recomendação para que você evite dores de cabeça (e de bolso!) é que você reúna absolutamente todos os documentos que possam te solicitar, seja na imigração, seja no consulado, seja no ponto de ônibus em frente a sua faculdade. Verifique tudo que você precisa emitir no Brasil e não vá pensando que “chegando lá, você dá um jeito”. Deixa o “jeito” no passado, pois essa brincadeira pode lhe sair muito caro.

Quanto aos documentos que você precisará reunir depois que passar pela imigração no país que você escolheu, aconselho que já vá preparado para saber onde ir, a que horas e o que, exatamente, deve solicitar. Estar preparado é uma bênção nessas horas, e depois você vai ficar feliz por ter feito as coisas com antecedência!

5- Visto, precisa?

Não sei! O que o site do consulado do país que você escolheu diz? Eu escolhi Lisboa, que, sabemos, não exige visto dos brasileiros que vem como turistas. Mas eu vim estudar, por um período maior que 12 meses e, portanto, é necessário visto de estudante.

Mais uma vez: não vale a pena vir como turista e tentar se legalizar aqui. A escolha sempre será sua, mas você terá muito mais trabalho para se legalizar e, possivelmente, um gasto maior também.

6- Passagens Aéreas

Aqui vai uma dica de amiga: compre, se possível, voos diretos (assim você evita que percam a sua bagagem), com despacho de malas, e possibilidade de reagendamento sem encargos. Meu visto demorou um mês a mais que o planejado e, se eu não tivesse optado pela passagem que me possibilitasse reagendamento sem encargos e multas,  teria me arrependido muito.

Porém, vale lembrar que a passagem aérea nessa modalidade não lhe cobrará por multas e encargos, mas poderá cobrar a diferença da taxa de embarque praticada pela nova data que você escolher. Tenha sempre claro qual o prazo que você pode fazer o reagendamento, para evitar, também, maiores transtornos. Cada companhia costuma ter uma política diferente que não se distancia muito do que a ANAC exige. Informe-se sobre estes prazos e, também, sobre os pesos e dimensões permitidos às suas bagagens – ninguém gosta de pagar peso e bagagem extra, né?

Por hora, isso é o que tenho para contar! Eu sei que existem muitas coisas que eu não falei aqui, como a escolha do seu apartamento ou quarto, primeiras impressões da cidade e seus habitantes, o que esperar das suas aulas, etc. Mas calma! Eu também acabei de chegar! E vou contando aos poucos como tem sido a minha experiência em Lisboa. Ah! E se você quiser acompanhar mais de perto, me segue no Instagram! Tenho algumas fotos e Stories contando um pouquinho da minha rotina aqui!

Este conteúdo é de total responsabilidade do autor da coluna Flávia Stamato. Acompanhe também o instagram da Flávia.

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