Ninguém resolverá um grave transtorno mental viajando, não conseguirá curar uma depressão apenas por viajar, tampouco deixará de possuir algum distúrbio psicológico, mas algumas questões existenciais podem ser sim melhoradas com uma escapada da rotina, se essa escapada também significar uma escapada para dentro de si mesmo.

As pessoas procuram um psicólogo porque se sentem estressadas, pressionadas no trabalho, cansadas de uma vida que já não as satisfaz. Procuram quando estão em relacionamentos que já não lhes dão mais prazer, quando têm dificuldade de tomar alguma decisão importante, quando têm medo de enfrentar alguma situação que se apresenta. Procuram também um psicólogo para se conhecerem melhor e entenderem porque agem de um determinado modo, porque sentem dificuldade em mudar determinadas formas de agir que já não as fazem felizes e entenderem as razões de repetirem determinados comportamentos.

Saindo daquele nosso “eu” costumeiro, daquele “eu” que olhamos no espelho todo dia e que vive uma repetição de tarefas, daquele “eu” que não questiona mais os porquês de determinados comportamentos, nos deparamos com outros “eus”. Pode ser aquele “eu” com mais energia para viver, aquela “eu” mais curioso pelo que existe fora da rotina, aquele “eu” mais corajoso ao enfrentar situações diferentes, aquele “eu” mais sociável com desconhecidos, aquele “eu” com um olhar mais humanizado para as pessoas.

O ato de viajar pode afetar áreas de nossa psique, pode melhorar nossa comunicação com o outro e com nós mesmos, comunicação com partes nossas não conhecidas ou esquecidas diante dos nossos velhos hábitos. Comunicação com o outro que pode fazer com que consigamos nos despir de pré-conceitos e de julgamentos. Que faz com que enxerguemos semelhanças mesmo com pessoas que aparentemente são tão diferentes de nós. E nesse ciclo sem fim de autoconhecimento faz com que mais uma vez olhemos para dentro para perceber que afinal de contas de um modo geral, as pessoas só querem ser felizes e realizadas dentro de suas ambições.

Viajar faz com que na maioria das vezes tenhamos que desenvolver certas habilidades sociais, mesmo que não queiramos a princípio. Ficamos mais despidos da mania de achar que damos conta de tudo sozinhos. Diante das dificuldades que surgem, vemos que tem gente para nos ajudar e às vezes faz com nos sintamos até envergonhados por não saber se faríamos para o outro o que ele está fazendo por nós.
Em uma viagem, pequenos gestos que alguém faz por você se tornam grandes lembranças mais pra frente. Diante de uma maior vulnerabilidade nos sentimos mais abertos a perceber que talvez o mundo nem seja tão ruim quanto imaginamos, e que com certeza é muito maior do que podemos sonhar.

Quando confrontamos uma pessoa diferente de nós, no fundo estamos confrontando a nós mesmos e quebrando antigos estereótipos.
Recomendo aqui o filme “The Road Within”- A Estrada Interior, que faz com que consigamos entender um pouco melhor no contexto psicológico/psiquiátrico, o quanto podemos expandir nosso mundo interno quando também expandimos o nosso mundo externo.

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Sobre o Autor

Adriana Biem

Adriana Biem vem refletir sobre como a atividade de viajar podem causar impacto psicológico nas pessoas por meio de seu projeto "A Psicóloga Viajante". Você encontra publicações mensais dela aqui.

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