Como morar no Equador? Cotidiano, trabalho e estudos

Considerado o 3º melhor país no mundo para se aposentar pelo International Living, morar no Equador oscila entres as primeiras posições já há alguns anos. Através das pesquisas anuais ExpatInsider, realizadas pela InterNations, o país também levou destaque, ficando entre os três melhores para imigrantes viverem. Será que este é mesmo o melhor destino para recomeçar, ou mesmo para simplesmente curtir a aposentadoria com conforto e qualidade de vida?

Morar no Equador? O que é preciso?

Com a maior concentração de expatriados presentes nas cidades de Quito, Cuenca, Cotacachi e Salinas, morar no Equador vem sendo uma opção cada vez mais cogitadas inclusive por norte-americanos em busca de um menor custo de vida. De clima atrativo, o país pontua pela proximidade geográfica, pelo sistema de saúde bom e barato (uma das principais justificativas para tê-lo como um dos melhores destinos do mundo), bem como uma série de facilidades e benefícios por também integrar o Mercosul. O Equador pode sim ser uma oportunidade para trabalho, estudos e qualidade de vida do brasileiro em busca de tranquilidade e facilidade de adaptação.

Mas como nem tudo são flores, existem alguns pontos negativos para quem pretende viver no Equador, e estes ficam para as altas taxas de desemprego que ainda assolam o país, bem como questões sociais de igualdade de gênero e etnia. A exemplo, somente em 1997 a homossexualidade deixou de ser crime no Equador, e na prática não é nada incomum a ocorrência de casos de xenofobia, homofobia, machismo ou racismo. Sobretudo na região serrana, a população costuma ser mais reservada e conservadora quando comparada ao Brasil. Mais informações sobre a comunidade LGBT no Equador podem ser encontradas na Fundación Ecuatoriana Equidad.

Vistos de Residência

Assim como demais países ao redor do globo, o Equador isenta nações membro do Mercosul e outros estados associados de apresentação de visto na condição de turismo. A entrada tem validade de 90 dias e no caso do Brasil, é permitido apresentar somente um documento de identificação com foto ao invés do passaporte.

Para além da possibilidade de turismo, para morar no Equador é possível fazer a solicitação do visto de residência em duas modalidades: residência temporária (dois anos) ou residência permanente. Entretanto, para obter a permanência, é preciso ter a temporária. Veja os requisitos.

Residência temporária: com validade de dois anos, o solicitante deverá preencher um formulário; apresentar passaporte válido com data mínima de seis meses; entregar certificado de antecedentes judiciais ou penais do país de origem, o qual deverá ter residido nos últimos cinco anos; e pagar uma taxa de US$ 250 pelo visto. O processo é realmente simples como parece, devido a um “Acordo sobre Residência para Nacionais dos Estados Partes do Mercosul, Bolívia e Chile”, prevendo que todos os nacionais de países signatários do acordo poderão estabelecer residência em qualquer outro país membro.

Residência permanente: com apenas a comprovação de meios de vida lícitos para o sustento próprio e de familiares (mediante apresentação de Imposto de Renda ou Certificado de Contribuições ao Instituto Equatoriano de Segurança Social), a residência temporária pode se transformar em permanente decorrido o prazo. Para fazer a solicitação, será necessário preencher este formulário; apresentar seu visto de residência temporária; passaporte vigente com validade mínima de seis meses; certificado de antecedentes criminais do Equador; pagar uma taxa de US$ 300 para a emissão.

Mais informações sobre os vistos de residência no Equador a nacionais do Mercosul podem ser encontrados diretamente no site do Ministério das Relações Exteriores e Mobilidade Humana ou pelo Portal Consular Virtual.

Quito, capital equatoriana

Trabalhar no Equador

Uma vez que o processo de obtenção de um visto de residência é bastante simples para países membros do Mercosul, trabalhar no Equador também se torna mais fácil. Ainda que o brasileiro possa residir normalmente no país, será preciso solicitar a emissão de um visto de trabalho na condição adequada, caso haja uma oportunidade com contrato para o estrangeiro em questão.

Em geral, os requisitos são praticamente os mesmos solicitados para a emissão do visto permanente de residência, envolvendo comprovação de meios de subsistência, passaporte válido, antecedências criminais do país de origem e uma cópia do contrato de trabalho. Existem modalidades de visto para pessoa física, jurídica, serviços profissionais, cientistas, atletas, voluntários, artesãos, profissionais formados em instituições equatorianas, dentre outros. A lista com todos os vistos de trabalho podem ser consultados clicando aqui. O custo entre solicitação e emissão costuma ficar em US$ 400.

Agora que você já sabe quais são os procedimentos para trabalhar legalmente no Equador, resta conseguir um emprego por lá. Lembre-se, entretanto, que mesmo estando entre os melhores países para um imigrante viver, lá estão concentrados altos índices de desemprego, e portanto as vagas disponíveis são concedidas com prioridade a cidadãos locais.

Dentre as maiores recomendações para quem quer se mudar, é informar-se sobre a existência de filiais da empresa onde atua, no Equador. Entrar no mercado de trabalho equatoriano por esta via oferece muitos benefícios ao expatriado – como mobilidades contratuais e salário alinhado ao mercado internacional. Não sendo este o seu caso, uma dica é começar a procurar emprego ainda no Brasil, através de portais especializados – como citados abaixo – ou empresas internacionais com unidades no Equador.

Também entre opções para expatriados é começar pelo setor de turismo, oferecendo muitas oportunidades durante os meses de junho, julho e agosto. Ter um bom espanhol é um excelente diferencial, e algumas sugestões de locais para procurar emprego estão em hostels, hotéis, bares, restaurantes, lavanderias, cafés e outros. A crescente demanda por guias turísticos e condições flexíveis fazem dessa profissão também uma opção a se considerar – exceto em Galápagos, onde as condições são mais restritas.

Ilha de Galápagos, uma das províncias equatorianas

Estudar no Equador

Assim como o processo para trabalhar no Equador, os estudos funcionam de maneira simples e com custo de emissão bem menor. Com taxa de US$ 150 em solicitação e emissão, os requisitos são os mesmos de um visto de residência permanente, com a diferença de que será preciso apresentar também inscrição ou certificado de admissão a uma IES, Instituto ou campus equatoriano legalmente reconhecido pela entidade nacional correspondente.

Para tanto, é necessário estar devidamente inscrito e matriculado em uma instituição local; o que é possível tanto em universidades ou institutos públicos ou particulares. Em geral, cada opção particular possui seu próprio processo seletivo, ainda que sejam padronizadas no quesito documentação: deve-se apresentar documento de identificação, certificado de conclusão de ensino secundário, uma fotografia e em alguns casos, atestado médico. Nem todas as universidades aplicam provas para admissão ou de aptidão acadêmica.

Já no sistema público, assim como o ENEM no Brasil, o Equador também tem seu próprio sistema de nivelamento e admissão no ensino superior através do cadastro no SNNA onde, posteriormente, torna os inscritos hábeis para realizar a prova do ENES (Examen Nacional para la Educación Superior). Este exame avalia o raciocínio verbal, numérico e abstrato do estudante para resolver problemas cotidianos. Os aspirantes deverão alcançar as seguintes pontuações mínimas.

  • Para carreiras de Medicina e Ciências da Educação: 800/1000
  • Para demais carreiras: 601/1000

Quem obtiver menos de 600/1000 pontos deverá se inscrever novamente no próximo processo para realizar o exame. Esta é uma avaliação obrigatória para ingressar a uma universidade pública e desde 2016 está sendo aplicada de forma unificada com outro teste, o Ser Bachiller, indicando ainda que as universidades poderão incluir outros parâmetros de seleção como entrevistas e audições.

Quer saber mais sobre as possibilidades de ensino? Então confira uma breve lista com algumas instituições de graduação e pós-graduação públicas e particulares.

Públicas

Particulares

Custo de Vida

Desde o ano 2000, para barrar a inflação no país, o Equador passou a adotar o dólar americano como moeda oficial. Portanto, em 2017 o salário mínimo ficou definido em US$ 375, onde a média de rendimentos da população se encontra em US$ 448,79. A princípio, este parece ser um salário realmente baixo para se viver, mas não considerando o também baixo custo de vida que se tem no Equador – uma família pode viver com poucas centenas de dólares mensais.

Como exemplo, é possível alugar um apartamento de um dormitório em localização central por preços entre US$ 200 e US$ 500. Já regiões mais afastadas oferecem aluguéis entre US$ 150 e US$ 400. Considerando que este seja um imóvel de 85m2, as contas básicas de luz, água e gás virão entre US$ 20 e US$ 65. Sobre telefonia, TV e internet, temos três principais provedoras: as privadas Claro, Movistar, TVCABLE e a estatal CNT, onde é possível contratar pacotes com três ou mais serviços a partir de US$ 37. Já o transporte público tem tarifas que variam entre US$ 0,25 e US$ 0,30 – isso mesmo, centavos.

Também entre os benefícios de se morar no Equador já apresentados no início do texto está o baixo custo para se ter acesso a um bom sistema de saúde. Afinal, uma visita a um clínico geral custa entre US$ 25 e US$ 35, enquanto um especialista cobra de US$ 30 a US$ 40. A consulta com um psiquiatra custa de US$ 30 a US$ 50 por sessões de meia hora. Procedimentos laboratoriais também são igualmente em conta; a remoção de um nódulo, por exemplo (com anestesia local), e uma biópsia, custam cerca de US$ 125.

Portanto, diante de uma atmosfera bastante semelhante à nossa, morar no Equador pode ser uma alternativa interessante para quem deseja sair do país, mas não sofrer com choques climáticos, culturais e gastronômicos como se vê em países europeus ou asiáticos, por exemplo, muito menos ter de arcar com riscos e burocracias inerentes ao sistema de imigração.

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