Mudar de país por amor: como se adaptar à nova realidade

No último texto que eu escrevi para o “Já Fez as Malas?”, eu contei como foi mudar de país por causa de um relacionamento. Só que depois da decisão e da mudança, chega uma outra parte tão importante quanto: a adaptação ao novo “endereço”.

Hoje vou contar como foi me adaptar aqui na Espanha quando eu cheguei e algumas atitudes que tomei durante esse processo para torná-lo mais fácil.

Objetivos diferentes, experiências diferentes

A primeira vez que eu me mudei para outro país foi quando eu fiz um intercâmbio para a Austrália. Me matriculei em uma escola de inglês e fui, mas com data para voltar. Quando eu cheguei lá, queria aproveitar aquela experiência ao máximo, como a maioria dos estudantes da escola que eu estava. Então, fazer amizades foi muito fácil.

Quase toda semana tinha algum churrasco organizado pelos estudantes pelos parques de Brisbane. Muitas festas de empresas de intercâmbio e saídas de noite pelas danceterias. Todo mundo estava no mesmo clima e abertos para fazer novas amizades, trocar experiências e culturas. Eu não posso nem dizer que estava adaptada porque a situação era diferente. Eu sabia que aquilo tudo era passageiro.

Na segunda vez que eu mudei, tudo era diferente. Apesar, de sempre que começamos um relacionamento, não sabemos se será longo, curto ou para sempre, a gente se muda com outra mentalidade.

Agora, eu via a Espanha como meu possível “novo lar” e isso faz com que a gente enxergue o país e as pessoas de outra forma. Além disso, nesse caso, eu realmente precisava de uma adaptação, já não era uma situação passageira.

Existem vários fatores que influenciamm nessa situação, que vai depender muito de cada história. Vou contar algumas delas baseada na minha experiência, que eu imagino que são comuns para outras pessoas.

Solidão

Como você pode se sentir sozinho se você se mudou exatamente por causa de uma outra pessoa? Sim, isso existe. Desculpa ser muito realista, mas não é porque você tem uma pessoa do seu lado que seu mundo estará completo.

É importante ter a presença de outras pessoas no nosso dia a dia. Aquela conversa com amigos filosofando sobre a vida, encontros de família, colegas de trabalho, etc. O problema aqui, é que você geralmente, não tem mais nada disso na sua nova vida cotidiana.

A internet é um grande avanço e a nossa melhor amiga na hora de matar as saudades, mas, infelizmente, não é o mesmo que estar frente a frente com alguém. Você vai perceber essa diferença com o tempo.

Também existe a grande possibilidade de que seu parceiro(a) esteja trabalhando enquanto você vai atrás dos seus documentos e de legalizar a sua situação. Isso resulta em mais tempo de solidão em casa.

Diferente da primeira vez, que eu me mudei e encontrei diversas pessoas dispostas a querer fazer amizade, aqui encarei uma outra realidade. As pessoas estavam vivendo as suas vidas e não estavam preocupadas em construir novos relacionamentos. Ninguém tinha interesse em me conhecer e me convidar para sair.

Então, o que fazer? Se mexe! Esse é o meu maior conselho.

A primeira coisa que eu recomendo é começar um curso se você puder. Eu, logo que cheguei, fui fazer espanhol em uma escola semi-pública baratinha e tenho amizades de lá até hoje. Faça curso do que você quiser e puder. Está sem dinheiro? Eu posso garantir que existem muitas possibilidades de cursos grátis em quase todos os lugares. A ideia é ir para lugares onde tenham pessoas com interesses em comum e que você possa movimentar a sua vida social.

Você também pode fazer trabalho voluntário. No meu caso, eu já fiz esse tipo de trabalho em uma loja de comércio justo e depois, dando aula para filhos de imigrantes.

Outra coisa que eu fiz foi entrar para uma associação de mulheres que trabalham pela igualdade no mercado de trabalho. O assunto me interessava e achei que ia ser um lugar legal para conhecer gente. Fiz muitas amizades lá também.

Hoje em dia, também uso um site que chama Meetup, que reúne eventos de uma cidade e pessoas que têm o mesmo interesse. Esse site também é bom para fazer networking, já que existem eventos para pessoas que trabalham em uma área. Semana passada fui em um evento de pessoas que trabalham com WordPress, por exemplo.

Pense onde você pode conhecer gente. Seja criativo(a).

Seja paciente e construa o relacionamento

Outra parte da adaptação é o próprio relacionamento. Viver com alguém, é um processo que precisa de paciência, amor, respeito e empatia. Se vocês têm uma nacionalidades diferentes, precisam ainda mais de todos os elementos que eu citei.

Começar uma vida juntos engloba aprender a conviver, entender as diferenças, adaptação de rotina, conhecer as manias de cada um, etc . Imagina o quão complicado fica tudo isso se adicionamos língua e costumes diferentes?

Então, uma parte da adaptação é se esforçar para que tudo isso seja um aprendizado e não um sacrifício. Se o seu parceiro ou parceira não está compreendendo algum sentimento seu, não é hora de culpar e sim de entender qual é o outro ponto de vista da situação.

Uma hora, pode ser que junte tudo de uma vez: os problemas do relacionamento, com a difícil adaptação do país e saudade da família. Por isso, é tão importante manter a calma e ser paciente.

Pode ser complicado separar as coisas e perceber se o seu relacionamento está dando certo ou não quando existem outros milhares de pensamentos juntos. Mudar, em geral, tem que ser uma balança que pense mais para um lado. Se o lado do ficar, continuar esse relacionamento e viver nesse novo país, não pesar mais que o lado da saudade e vontade de voltar, vai ser difícil ser feliz assim. Se você quer fazer com esse relacionamento vá para frente, tem que encontrar motivos para que esse lado da balança pese mais na sua vida.

Sociedade em geral

O resto que engloba essa adaptação é todo o seu entorno. Isso inclui a sociedade em geral com seus hábitos e costumes, cidade, qualidade de vida, etc. Para isso, só tenho uma dica: esteja aberto(a) e livre de julgamentos.

Essa é a melhor maneira de levar tudo com leveza. Existem lugares que você pode não se adaptar às pessoas que vivem lá. Isso acontece comigo onde eu moro. A maioria das pessoas é muito fechadas e tem uma visão de vida bem diferente da minha. Só que eu acredito que sempre vai existir todo tipo de gente. então, vou buscando as pessoas que mais se parecem comigo usando as táticas que comentei antes e dá certo.

Com os costumes é igual, sempre vai ter os que você gosta e não. No final, até vai adquirir alguns, assim como eu, que no verão já peço meu café com gelo e adoro o famoso cochilo depois do almoço.

Também vai rolar algum preconceito, é normal. Para isso, não existe melhor remédio que seguir a sua vida sem ouvir essas pessoas. Não é nada pessoal, elas falam sem conhecimento, te garanto. Eu também já falei mais disso em outro texto. É possível se adaptar muito bem nessa situação, é só não ficar esperando do mundo algo que tem que vir de você. Nesse processo, a gente sempre aprende muito sobre nós mesmos e sobre entender os outros.

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Este conteúdo é de total responsabilidade do autor da coluna Julia Queiroz. Siga também o blog da Julia.

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