Ele é de exatas. Eu sou de humanas. Ele é prático, real, com os pés no chão. Eu sou a rainha dos “e se”, a que se deixa levar pela imaginação, a que levita sem perceber. Ele é europeu, eu sou brasileira. Ele é mais conservador, eu sou mais liberal.

Ele é reservado até com os amigos e eu sou um livro aberto até para quem não me conhece. Eu, a paranoia em pessoa; ele, sem preocupações desnecessárias. De um lado, tem “Eita, mermão!”, do outro “Azt a kurva!”. Daí você se pergunta, como duas pessoas de lugares, culturas e histórias de vida tão diferentes acabaram ficando juntas? Uma resposta: internet.

Lá no início do Facebook, há quase 10 anos, eu recebi uma notificação e uma mensagem em inglês através de um aplicativo e a resposta que eu dei já deixou claro: “I’m sorry for my bad english”. Esse foi o começo de um relacionamento que hoje dura 8 anos e da história mais inacreditável que eu já vivi nesses 28 anos de estrada.

5 anos juntos foram completados à distância – ele em Londres, eu no Brasil. A intimidade foi conquistada aos poucos nos aeroportos, nas conversas de Skype, Viber, Whatsapp, nas longas semanas de férias, em um país ou no outro. Eu conheci a realidade dele, ele conheceu a minha, e fomos construímos a nossa – como se fosse um universo paralelo ao restante do mundo.

Foi coragem mudar de país para dar um passo real num relacionamento que estava mais no ambiente digital do que no mundo físico? Sim, foi. Mas não foi uma decisão precipitada. Foram quatro anos para acontecer, com preparação emocional e financeira. Quando finalmente passamos a morar juntos, eu reconheci que realmente estava com a pessoa que eu imaginava estar. Não houve desapontamento.

Mas sim, tiveram algumas surpresas para os dois lados. Aquelas nuances que você só descobre quando decide seguir o mesmo rumo com outra pessoa, dividindo o mesmo espaço, sendo ela brasileira, húngara ou da Cochinchina. As diferenças culturais sempre fizeram parte do nosso dia-a-dia, mesmo à distância, e elas me ajudaram a crescer e a entender o mundo com outra perspectiva.

O inglês é nosso meio-termo: aprendemos juntos a nos adaptarmos num país que não é nem meu, nem dele, a falar uma língua que não é nativa nem a mim nem a ele – mas é o nosso lugar comum. Em vez de “Eita, mermão” e “Azt a kurva!”, um “For fucking’s sake, man!” para quem esqueceu o aquecedor ligado, para quem deixou a pia cheia de louça para lavar ou só para descarregar o estresse de um dia intenso de trabalho. E se o inglês não é suficiente para transmitir um sentimento, a gente usa a língua nativa mesmo. Se um não entende, um não se ofende também e fica tudo bem.

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Sobre o Autor

Lívia Moura

Jornalista de formação, social media de experiência, graphic designer na minha imaginação. Do Piauí, cruzei o Atlântico e cá estou, em Londres. Como diria a Rainha Elizabeth I: video et taceo ("Vejo e digo nada").

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