E assim o dia mais esperado chega. Após um breve café da manhã o grupo se dirige à van para mais uma jornada de muitas horas de viagem, mas também com muitas pausas. São cerca de 160 km, em torno de 2h40 de Zagora até a primeira parada: Tamegroute.

Nesta, que é uma das regiões mais interessantes para quem gosta de fotografar e capturar bem o ambiente do país, o grupo visita uma antiga biblioteca, repleta de manuscritos de literatura, do Alcorão e de histórias do profeta Mohammed.

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Fotografias: Nataly Lima

Este tagine pode ser seu!

Acompanhados de um guia local, é possível ver mais de perto o processo de confecção dos produtos de cerâmica e apreciar – ou comprar – uma série deles no final da visita. “Por que não ter seu próprio tagine, a peça em que é feita o prato de mesmo nome, para quando bater aquela saudade da comida marroquina, não é”? Esse definitivamente não é o meu caso, que só de pensar nesse prato já começo a suar frio.

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Fotografias: Nataly Lima

Para termos um almoço breve e assim também fugir um pouco do já habitual “tagine do dia”, um piquenique é organizado. Cada um compra o que mais lhe agrada. Há quem fique apenas nas frutas locais: laranjas, bananas e damascos; há quem fique no pão e mortadela, como eu. “Finalmente algo diferente”!

Passeio de dromedário no Saara

A alguns passos dali já estão a postos os dromedários para o famoso passeio pelo deserto. Cada viajante tem um animal a sua espera e quem guia este percurso são os criadores vestidos da forma mais típica possível, com todos os tecidos que têm direito.

Os dromedários são mansos e andam em grupo. O passeio é calmo e o sol fica mais cada vez forte: é quase inverno, mas estamos no deserto! E não qualquer um: estamos no Saara!

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Fotografias: Nataly Lima

O guia aproveita para tirar algumas fotografias do grupo e após o tempo estimado, o grupo volta ao ponto inicial. Chegamos e os carros 4×4 já estão equipados com as malas dos viajantes. O grupo se divide e todos seguem rumo ao auge do tour: o acampamento no deserto.

Ao procurar no Google, a distância deste ponto até o acampamento no Saara são cerca de 70 km, mas não há rotas. Isso porque não há estradas no meio do deserto. Sem GPS, quem guia são os motoristas experientes em olhar para a posição do sol, as dunas e a montanha que avista-se ao fundo.

Motorista e guia na 4×4 que cruza o deserto. Foto: Nataly Lima

Há algumas pausas para fotos e para respirar fundo, deixando o enjoo do balanço do carro para trás. Cerca de duas horas de viagem duna acima e duna abaixo, chegamos ao acampamento por volta das 16h30. Como manda a tradição marroquina, a recepção é regada a muito chá.

Os quartos são pequenas cabanas para duas ou três pessoas, mas muito mais bem equipadas do que se esperava. Há camas, cobertores extras e até luz. O saco de dormir é até dispensável para alguns.

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Fotografias: Nataly Lima

O pôr do sol se aproxima e a maior parte do grupo se reúne para assistir no topo de uma duna. Tem que se descer correndo pela areia, não é possível fazer pausas. “Espero que ninguém caia”, pensou eu, na verdade com medo por mim mesma. E das câmeras! “Ai se quebro uma delas aqui”, arregalo os olhos!

No caminho do ponto mais alto encontramos dois dromedários sozinhos: “eles têm donos. Já não há mais nenhum selvagem”, avisa o guia que se aproxima, sempre no final da fila. Passo a passo, um ajuda o outro na caminhada pela areia, nem que seja com apoio moral.

Todos chegam ao topo e aguardam.

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Fotografias: Nataly Lima

O vento incomoda. A areia entra nas lentes das câmeras. Entra nas orelhas. Irrita os olhos. Mas, a beleza do sol que se põe devagarinho e a sensação única de estar em um dos desertos mais famosos do mundo é avassaladora.

Faz silêncio. Há neve no topo das montanhas. Do alto dá para ver algumas poças de água e até mesmo um pequeno riacho. Choveu ontem no Saara. Coisa rara que acontece cerca de cinco vezes por ano.

Entardecer no Deserto do Saara. Foto: Nataly Lima

A noite aos poucos chega. Ninguém mais se lembra do frio. Há uma ansiedade é pelas estrelas!

O jantar é servido na tenda principal. Sopa e mais tagine de carne. Alguns já fazem dieta – obrigados pela má adaptação à comida local ou porque já não aguentam mais o mesmo sabor, como eu (para ambos os casos). De todo modo, todos permanecem juntos à mesa, como uma grande família.

“Que estrela é aquela”?

O telefone de um toca. “Há sinal no Saara”, exclamam! Pois há, mas não há internet. Nem adianta querer se animar em postar uma fotinha no Instagram. Isso fica para depois.

A noite é ventosa, por isso um dos homens que trabalha servindo o jantar pede desculpas por não poder acender a fogueira do lado de fora. Seria belíssimo, mas não seria isso que estragaria a noite.

O céu, em compensação, está aceso de estrelas lá fora. Saímos da tenda e nos colocamos em círculo.

Guia passa em frente à câmera com turbante laranja e deixa rastro de luz na imagem. Foto: Nataly Lima

Dá para ver todas as constelações. “Estrelas cadentes ou cometas a passar”? Há uma leve discussão entre o grupo. Quem entende mais explica qual é a Ursa Maior. “Vê aquele quadrado grande? É só seguir ele que vê o restante”, um aponta.

Entre conversas que vão de “tem água para escovar os dentes” aos planos para o Natal que se aproxima, o grupo continua a criar laços e falar dos planos das próximas viagens.

Mais uma noite quase sem tecnologia. E numa altura dessas quem é mesmo que precisa disso?

O céu está lindo. Estamos no Saara.

Céu estrelado no Saara. Foto: Nataly Lima

 

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Sobre o Autor

Nataly Lima

Mestre em jornalismo natural de São Paulo, hoje tem a Europa como a sua base. É apaixonada por conhecer novas culturas, comer, viajar e contar histórias sobre esses e outros assuntos.

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