Que Portugal é um país seguro, bonito e com qualidade de vida, ninguém duvida. Essa é a imagem mais difundida por aí afora e condiz com a realidade sim, mas quem dera fosse “só” isso. Como qualquer outra nação, tem muitas, as mais variadas facetas. Nem todas são boas e nem todas são ruins. Aliás, as dicotomias são bastante redutoras para falar de qualquer lugar que seja.

Existem situações e fatos que só são comprovados mesmo quando vivenciados, essa máxima tanto vale para Portugal como para outros países.Uma coisa é visitar o local ou receber a informação de fora, outra bem diferente é fazer parte do cotidiano local, lidar com as benesses e as dificuldades. Passada a fase de encantamento inicial, quando baixam as expectativas e você se dá conta que está fora da zona de conforto, pode ser um choque. É nesse momento que vêm à tona as verdades que ninguém te contou sobre esse lugar.

O Portugal que ninguém fala sobre

Quando você fala que vive fora do Brasil, surge logo aquela visão idílica de que é alguém com dinheiro. Se a nova casa for na Europa então, que beleza, está muito bem de vida. Quem dera fosse verdade! Isso só prova que existem ainda muitas crenças errôneas sobre o que realmente significa viver em um país europeu. Vamos ao caso português, já que o país é um potencial concentrador de brasileiros emigrados e continua a ser cotado como uma espécie de Eldorado.

1- Portugal não é um país para enriquecer

Sim, há quem fique, claro. Entretanto, sabe aquela ideia de que você vai lá trabalhar em qualquer coisa e ganhar rios de dinheiro, muito mais do que ganhava no Brasil? Pode esquecer. Em Portugal trabalha-se muito (provavelmente não tanto quanto na nossa workaholic nação), os turnos são longos, há quem só tenha 1 folga por semana, há quem nem isso e os salários, no geral, são baixos. “Mas e como é que as pessoas conseguem ter uma certa qualidade de vida ganhando pouco?”. O “segredo” está no custo de vida geral. Os salários são baixos sim, mas as despesas acabam por seguirem o mesmo padrão. Então, no fim do mês, paga-se tudo, fazem-se as compras necessárias, mas não sobra (ou quase não sobra).

E antes que as pessoas se manifestem sobre, digam que há muita gente que ganha pouco por aqui e vive mal, que está tudo mais caro, que as rendas subiram…sim, é verdade também. Só que em termos comparativos, nós, brasileiros, estamos acostumados a pagar muito mais por menos em todos os sentidos.

2- Muito além de Lisboa e Porto

Não se deixem enganar pelo tamanho e pelos pouco mais de 10 milhões de habitantes! Contra os nossos 200 milhões, parece uma vila, mas esse país é grande! O que não faltam são lugares para conhecer e para viver também, por que não? Somos naturalmente atraídos para os centros, aquelas cidades de que todo mundo fala e isso acaba por limitar a noção de Portugal que temos. Coimbra, Guimarães, Sintra, Batalha, Leiria, Setúbal, Ovar, Aveiro, Albufeira, Madeira…são apenas alguns exemplos de locais para colocar na lista e investigar. Até Tróia há, sabia?

3- Eles falam português, nós falamos brasileiro

Ou PT-BR ou outra língua qualquer. Mas, com toda certeza, não falamos o mesmo português. Isso tem o seu lado cômico porque como é que eu vou saber que calcar é, na verdade, pisar? E como é que se adivinha que quando uma pessoa diz que tem o braço pisado é porque ele está dolorido? Confuso, muito confuso. Todo brasileiro que vive por aqui deve ter uma ou várias histórias para contar sobre as gafes que essas diferenças linguísticas causam frequentemente. No entanto, há também uma faceta muito pouco engraçada porque existem portugueses que são intolerantes com o nosso sotaque. Isso não é uma realidade generalizada, mas existe sim. Essa é, na verdade, só mais uma sintomatologia do preconceito. Acontece de alguém dizer que não nos entende, que devíamos falar melhor, etc. Para encontrar um emprego ou sobreviver ao meio acadêmico, muitas vezes é necessário ir adaptando o “brasileiro” para deixá-lo cada vez mais “português”.

4- Tem burocracia, tem

Aparentemente, nós herdamos isso. A burocracia portuguesa não deixa nada a desejar em relação à brasileira. Tem papelada que não acaba, tem informação desencontrada, tem formulário que só serve se preenchido à mão, tem faculdade que só aceita documento com 397 carimbos, tem ida à mesma repartição 58 vezes para resolver um único problema. Poderia passar o dia dando exemplos disso, mas vocês dormiriam em cima do teclado provavelmente. O que vale é que temos as costas largas no quesito burocrático e estamos acostumados…ou nem tanto. Por isso, a dica é estar sempre um passo à frente, guardar todos os comprovantes, anotar número de protocolo, comprovar por escrito. Eles são muito literais e o que vale é o que está no papel.

5- Você vai achar que afinal não saiu do Brasil

Os portugueses consomem muito os nossos produtos culturais, muito mesmo. As músicas que estão tocando nas rádios brasileiras, tocam por aqui também, às vezes com algum delay, mas pronto. As novelas chegam, muitas das nossas notícias passam no telejornal, tem gente tocando música brasileira nos restaurantes, em cada esquina e, pasmem, volta e meia passa um carro de som com um funk pesadíssimo no último volume. Então é muito comum que aconteça aquele momento “aqui que é aqui ou será que é outro lugar”?

E há uma verdade que não entra para a lista porque essa é mais óbvia e todo mundo conta: mesmo com os perrengues, os sufocos, o revirar de olhos quando falamos “brasileiro”, quem vem quer ficar e quem vai quer voltar. A paixão por Portugal pode demorar a surgir, mas quando chega…é de verdade.

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Sobre o Autor

Romana Naruna

Jornalista, piauiense de raiz, carioca de passagem, portuense de coração. Mudou-se para Portugal por amor e descobriu aquilo que chamam de segunda casa.

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