Mudar de país é um pouco como ser “alfabetizado na vida prática” outra vez. Boa parte daquele sistema que já nos era familiar é substituído por outro completamente novo. Muitas vezes existem semelhanças é verdade, mas a estranheza está lá presente. Por isso, é normal que os meses de adaptação sejam um pouco confusos: é muita informação para dar conta. Como não dá para desvendar tudo de uma vez só, valem os depoimentos e dicas de quem já passou por isso.

“Qual melhor bairro para morar no Porto”?

Um dos temas que mais aflige quem está de mudança marcada para outro país é a moradia. Onde? Como encontrar? Quanto vou pagar por isso? A realidade e a logística, claro, só se sabe na prática, mas dá para começar a ter uma ideia mesmo de longe. Quem vem para Portugal, por exemplo, questiona-se sempre: quais os melhores lugares para morar? Hoje vou falar sobre o caso específico do Porto, que tem sido indiscutivelmente o destino preferido nos últimos tempos.

Bairro ou freguesia?

A primeira coisa que precisamos entender em relação à moradia é que o conceito de bairro em Portugal é diferente daquele que temos no Brasil. Os nosso bairros aqui são correspondentes ao que chamam de freguesias, as vizinhanças. Os bairros portugueses são conjuntos de habitações sociais majoriariamente dedicados a pessoas de baixa renda. Existe um certo tabu em relação a esses locais. Não são muito bem vistos socialmente e, muitas vezes, considerados redutos de moradores com um caráter duvidoso. Inclusive, existem várias expressões usadas com um caráter depreciativo como “Estás vestida como uma rapariga do bairro” ou “Que peixeirada! Parece que vieram do bairro!”.

Mas os bairros são tão ruins assim? Não exatamente. São, sem dúvidas, zonas com um contexto social mais delicado, mas não significa que sejam locais evitáveis ou violentíssimos. Lá está, é tudo muito relativo. Há quem não veja o menor problema e há quem provavelmente não se sentiria confortável vivendo em um local assim. O que é importante reter é que não se deve deixar levar apenas pelo que dizem, pelo que se comenta. As ideias pré-concebidas têm muito disso: são ideias. Ao aterrisar no país que será a sua nova casa, permita-se conhecer de fato os lugares e não apenas passar por eles.

Freguesias e preços médios no Porto

Então você vem viver na Invicta, por onde começar? Nesse artigo, eu já dei umas dicas sobre o momento de alugar a casa, onde pesquisar, no que prestar atenção…Mas antes disso, há aquilo: escolher a zona em que se vai morar e delimitar o orçamento. Como em todos os lugares do mundo, existem regiões mais caras e outras mais baratas. Esse é um momento delicado, inclusive, por conta do boom turístico. O preço dos aluguéis subiu consideravelmente nos últimos 4 anos e a saga pode ser longa até encontrar um teto. Mas, sem pânico. Vamos explorar melhor o assunto.

Primeiro, mais uma informação que deve guardar: existe o distrito do Porto e o concelho do Porto. O distrito pode ser comparado, muito de longe, com os nossos estados: um conjunto de várias cidades. O concelho é a própria cidade. Então você pode dizer que mora no Porto, mas na verdade não mora na cidade do Porto e sim no distrito, em outra cidade. É um pouco confuso sim, mas você se acostuma.

Atualmente, morar na zona histórica, perto da Baixa é quase sempre pagar mais caro. Muitas pessoas sujeitam-se a isso pela proximidade com trabalho, universidade e afins e outras porque preferem estar mesmo no coração da cidade. Regiões como Miragaia, São Nicolau, Ribeira, Santo Idelfonso e Vitória, por exemplo, podem ser mais caras que a média. Um apartamento T1 em condições fica entre 450 e 500 euros. É possível pagar mais barato que isso? Sim, com muita pesquisa, paciência e persistência. Boavista, Massarelos, Lordelo do Ouro e Foz têm preços ainda mais elevados normalmente. O mesmo tipo de habitação pode sair por 550-600 euros, em média.

Paranhos é uma zona muito procurada pelos estudantes por ficar perto do Pólo Universitário e costuma ter preços mais interessantes. Por lá já é mais fácil encontrar um T1 por 400 euros, por exemplo. O mesmo acontece com Ramalde e Campanhã. Com alguma sorte, o valor pode até ser mais baixo.

Tudo o que falamos agora faz parte do concelho do Porto. Quem não se importar em afastar-se um pouco mais do centro, pode tentar algo em Vila Nova de Gaia, que fica literalmente na frente do Porto. As duas cidades são separadas pelo Rio Douro. Matosinhos e Leça da Palmeira também ficam pertíssimo do Porto, mas são mais caras por serem próximas à praia. A média de preços é próxima dos na Foz. Indo para mais longe, você tem a Maia, Vila do Conde e Emersinde, que ficam há uns 20 minutos de carro do centro do Porto. Os valores nessas regiões ficam entre 350 e 400 euros. Lembre-se que estamos a falar de médias! Há quem esteja pagando mais caro e quem esteja desembolsando muito menos. Curioso seria se fosse tudo tão linear e padronizado.

E onde é melhor morar, afinal?

Ora, isso é bastante relativo porque depende do que você procura. Locais como Emersinde são muito mais calmos do que a Boavista, mas a oferta cultural pode ser menor. Esse é apenas um caso. Quanto mais perto da Baixa for, maior a agitação, o trânsito, o fluxo de turistas. É uma questão de equilibrar as suas necessidades.

Se vai depender de transportes públicos, é interessante talvez optar por locais que fiquem próximos a estações do metro ou que tenham uma boa oferta de ônibus. Se tem filhos, pesquisa uma regiões com escolas, creches e parques. Vale checar a existência de supermercados, restaurantes e farmácias próximos.

Essa pode parecer uma resposta muito ampla, muito generalizada, mas é a verdade. Cada pessoa e/ou família tem valores e desejos diferentes, o que serve para uma pode não servir para a outra. Com as orientações básicas que já foram dadas, você consegue se guiar e eleger prioridades, algo crucial quando falamos de uma mudança tão radical.

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Sobre o Autor

Romana Naruna

Jornalista, piauiense de raiz, carioca de passagem, portuense de coração. Mudou-se para Portugal por amor e descobriu aquilo que chamam de segunda casa.

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